Quando escrevo sobre moda e comportamento da geração Z, eu costumo pontuar: mais do que uma geração conectada, os zoomers (Igeneration) representam a simultaneidade dos mundos. Um grupo que habita, ao mesmo tempo, o físico e o virtual, o nostálgico e o futurista, o individual e o coletivo. Na moda, esse movimento se traduz em uma estética em permanente mutação, marcada pela experimentação e pela reconstrução contínua de sentidos. A Geração Z não apenas acompanha o futuro, ela performa o futuro em tempo real.
A Schutz, marca de sapatos do Grupo AZZAS 2154, mergulhou em um grande projeto e apresenta Schutzies, sob o conceito “Born to stand out” (Nascido para se destacar). E quem dá o start na campanha e neste movimento é Antonela Braga, influenciadora de 17 anos, que assume o papel da Schutzie #001. Com forte presença digital e uma comunidade de mais de 13 milhões de seguidores, Antonela se destaca entre a Gen Z com um olhar espontâneo e alinhado à sua geração. Sua participação reforça a intenção da marca de se aproximar desse público por meio de vozes que já fazem parte do seu universo cultural.
Schutzies nasce como um movimento de renovação e construção de comunidade. É essencial para manter a marca culturalmente conectada às novas gerações e consolidar sua relevância no futuro – Rafaela Furlanetto, Diretora Criativa de Shoes and Bags

Antonela Braga no projeto Schutzies
Volto a frisar que a GEN Z compreende a moda como verdadeira alquimia de experimentações criativas, autenticidade e liberdade estética. O repertório visual nasce do cruzamento entre referências digitais, nostalgia cultural, cultura pop, streetwear, luxo contemporâneo, universos gamers e linguagens futuristas. Ela lança luz sobre diversas referências na moda da virada dos anos 2000, como metalizados, transparências, modelagens ajustadas, óculos futuristas, brilho, visual cyber… e por aí vai. Portanto, a estética Y2K, tornou-se um dos principais fenômenos visuais da atualidade e a juventude hiperconectada ressignifica símbolos daquele período sob uma ótica autoral, impulsionada pelas redes sociais e pela circulação acelerada de tendências.
O streetwear nos mostra que o vintage encontra o contemporâneo; o retrô dialoga com o digital; o passado ganha novas leituras através das redes sociais e das plataformas visuais. A estética torna-se híbrida, dinâmica e conectada à circulação global de imagens. A moda passa a refletir uma geração que consome referências em velocidade intensa, mas que também imprime personalidade e curadoria própria às tendências.

Antonela Braga no projeto Schutzies

Antonela Braga no projeto Schutzies
É uma campanha muito legal pra gente, principalmente para o público mais jovem, porque é muito especial ver marcas criando propostas cada vez mais conectadas com esse perfil e com diferentes estilos. Então é muito legal acompanhar esse movimento acontecendo agora – Antonela Braga
Outro aspecto fundamental está na valorização da pluralidade identitária. A geração Z amplia as possibilidades de expressão individual ao dissolver fronteiras rígidas entre estilos, gêneros e categorias estéticas tradicionais. Não existe apenas uma única tendência dominante, mas múltiplas narrativas coexistindo simultaneamente. Essa liberdade criativa fortalece uma visão mais democrática da estética contemporânea, permitindo que diferentes corpos, culturas e subjetividades ocupem espaço de maneira mais representativa.
Esse movimento impulsiona transformações importantes na indústria fashion. Materiais tecnológicos, tecidos inteligentes, fibras recicladas e processos produtivos mais sustentáveis ganham protagonismo em coleções que unem inovação estética e responsabilidade ambiental. O futurismo presente na moda da geração Z não se limita a uma fantasia visual inspirada na ficção científica, mas conecta-se diretamente à construção de um futuro mais consciente, colaborativo e sustentável.

Antonela Braga no projeto Schutzies
SCHUTZ – A COLEÇÃO
A equipe de criação da Schutz trabalhou em uma coleção acompanha esse movimento ao trazer modelos alinhados às tendências da nova geração, com destaque para as ballerinas, principal aposta da temporada, que aparecem em cores como vermelho, preto e marrom, reforçando uma estética versátil, urbana e conectada ao momento atual. A coleção também explora o universo cozy e comfy em peças como botas, clogs e bags com acabamentos texturizados, combinando conforto, personalidade e uma proposta mais casual para a temporada.
POTÊNCIA CRIATIVA DOS ZOOMERS
Quando abordamos o comportamento, lifestyle da GEN Z há uma imensidão de temas relevantes. A juventude digital demonstra interesse crescente por temas ligados ao bem-estar emocional, à saúde mental e ao consumo consciente, aspectos que atravessam diretamente a moda e o lifestyle contemporâneo. A literatura ganha cada vez mais espaço nas redes sociais: o nicho “Booktok” – junção das palavras “book”, livro em inglês, e Tik Tok – é reflexo desse movimento. O sucesso da obra de Clarice Lispector ( (1920-1977), por exemplo, entre jovens impulsionados pelo fenômeno BookTok evidencia uma geração conectada à introspecção, à sensibilidade emocional e às experiências subjetivas.
Paralelamente, o crescimento do mercado plant based revela mudanças significativas nos hábitos de consumo, impulsionadas pela busca por saúde, praticidade e sustentabilidade. A moda contemporânea passa, assim, a dialogar com uma visão ampliada de comportamento, na qual estética, alimentação, autocuidado e posicionamento ético integram um mesmo ecossistema cultural.
Mais? A estética da naturalidade, dos momentos cotidianos e da espontaneidade ganha relevância simbólica na contemporaneidade. Vídeos sem grandes produções, com iluminação improvisada e registros aparentemente simples, transformam-se em identificação no ambiente digital. A imagem dita “perfeita” perde parte de sua centralidade para dar espaço a experiências consideradas mais reais e emocionalmente acessíveis. Tal fenômeno dialoga diretamente com o crescimento das discussões sobre saúde mental entre os jovens contemporâneos, que demonstram maior abertura para temas ligados à vulnerabilidade emocional, ansiedade e autocuidado.
Essa busca por autenticidade também se manifesta na linguagem, como no uso proposital de letras minúsculas nas redes sociais, prática que se converteu em marcador visual e geracional ligado à informalidade. Ao utilizar grafias minimalistas em títulos de músicas e projetos, reforçando a associação entre escrita minúscula, a GEN Z reflete intimidade emocional e identidade contemporânea. A linguagem digital da geração hiperconectada privilegia fluidez, proximidade e espontaneidade, aproximando comunicação escrita de conversas íntimas e afetivas. Ainda assim, a juventude demonstra consciência contextual ao adaptar sua linguagem conforme os espaços de circulação social.
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