Durante quatro dias, mergulhei em um oceano de registros fotográficos. Não se tratava apenas de percorrer páginas, mas de atravessar camadas de tempo, memória e criação reunidas no art book comemorativo “DFB XXV”. A cada fotografia revela-se uma nova dimensão da moda autoral brasileira. Documentos inigualáveis que preservam registros de processos criativos, saberes ancestrais, identidades, inovações, diversidades, geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Realizado há mais de duas décadas e meia em Fortaleza (CE), o DFB Festival projeta para o mundo a força da moda autoral, ampliando sua circulação e reconhecimento em diferentes territórios criativos.
O livro conta com 300 páginas com fotografias selecionadas a partir de um acervo de aproximadamente 1,9 milhão de imagens, constituindo um dos mais expressivos registros visuais da trajetória dos 25 anos do DFB Festival – a multiplataforma da sinergia entre moda autoral, cultura, capacitação, empreendedorismo, música e gastronomia. O ‘fotolivro’ documental assume o caráter de coleção e preservação histórica, valorização da moda autoral como manifestação artística e patrimônio cultural.
É justamente a partir das imagens que proponho esta análise abaixo. O objetivo foi interpretar como as fotografias de cada ano do evento tornam visíveis as transformações da moda autoral, seus discursos, processos de resistência e os múltiplos repertórios que constituem a economia criativa do país. A observação deste acervo ganha ainda mais relevância diante da proximidade da nova edição do DFB Festival, entre os dias 9 e 12 de junho, em Fortaleza, comemorando os 300 anos da capital do Ceará. Ao revisitar as imagens que marcaram a trajetória, o livro não apenas celebra a memória do evento, mas também oferece pistas para compreender a continuidade de um projeto que, há mais de duas décadas, vem posicionando a moda autoral como o luxo “made in Brasil”.
Ao longo das páginas, as fotografias são capazes de transformar em arquivos culturais os desfiles apresentados na maior semana de moda autoral da América Latina. Eles representam encontros entre tradição e contemporaneidade, entre fazeres manuais e alquimias criativas, entre corpos, tecidos e performances que ajudaram a consolidar a moda autoral brasileira como campo de produção cultural. O resultado é uma obra de arte que se afirma como testemunho visual de um projeto longevo, idealizado pelo diretor Claudio Silveira, que sempre teve ao seu lado a diretora executiva Helena Vieira Gualberto Silveira, e um time afinado, responsável por manter ao longo do tempo a força desse percurso coletivo.
Chame de cartografia afetiva da moda autoral, onde ela pulsa com mais força; chame de manifesto da resistência. O que estas páginas do art book guardam, no fundo, é a evidência mais eloquente de que há lugares onde a moda não imita a vida. Ela é a própria vida!

Sempre destaquei nos meus textos jornalísticos que, desde sua primeira edição, em 1999, o DFB Festival – à época Dragão Fashion -, realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, consolidou-se como um marco na construção de uma narrativa de moda atravessada por identidade e produzida fora da primazia Rio-São Paulo. Em um cenário historicamente concentrado no Sudeste, o evento em Fortaleza ampliou os holofotes da moda brasileira, afirmando-se como um dos principais encontros dedicados à moda autoral na América Latina.
Ao lançar luz sobre a potência criativa do Ceará, o DFB Festival evidenciou as artesanias e os repertórios culturais de um povo, inaugurando novos capítulos para a moda. Organizadores, designers, novos talentos da moda nordestina em ascensão e o público compartilham e celebram os diversos repertórios. A conclusão? Estilistas nordestinos, que tiveram seus talentos impulsionados a partir do DFB, viram a sua arte ganhar o mundo.
O esforço coletivo é um dos valores que compõem o DNA do DFB. Juntos, somos mais fortes e podemos fazer mais e chegar mais longe – Claudio Silveira
Ao longo das edições, eu sempre percebi que as mudanças do ‘endereço’ do DFB Festival – do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura ao Centro de Convenções Edson Queiroz, depois ao Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza, ao Aterro da Praia de Iracema, Centro de Eventos do Ceará e, neste 2026, voltando ao Centro Dragão do Mar e pontos históricos de Fortaleza – nunca se limitaram a uma escolha logística. Para mim, cada deslocamento representa a própria narrativa do evento.
A moda deixava de ser apenas apresentada em um determinado espaço físico e passava a se inscrever no corpo da cidade. Em cada lugar, surgia uma nova relação com o entorno: o mar, a arquitetura, o fluxo urbano e as dinâmicas da economia criativa de Fortaleza (CE) se tornavam parte ativa da cena, como se a passarela esteja em diálogo contínuo com a paisagem.

Claudio Silveira e Helena Vieira Gualberto Silveira
Moda é identificada como parte da epiderme viva da sociedade. As pessoas já assimilaram que moda vai muito além da roupa: ela compreende comunicação, anseios, projeções e formas de se expressar – Claudio Silveira
A verdadeira alquimia na moda se manifesta na confluência entre responsabilidade social e socioambiental, empreendedorismo criativo, desenvolvimento econômico inclusivo e práticas sustentáveis que perpassam toda a cadeia produtiva. Essa integração não apenas redefine modelos de produção e consumo, mas também traduz a moda – e a indústria criativa como um todo – em instrumento de transformação social e de impacto positivo.
O Ceará é um estado privilegiado. No século XIX, nós chegamos a ser o maior fornecedor de algodão para a Inglaterra! Aqui, nós condensamos toda a cadeia produtiva: do plantio ao descarte e reuso de insumos da indústria do algodão. Temos artigos 100% Ceará Premium. Temos mão de obra qualificada, designers criativos e inovadores – Claudio Silveira
1999 – A partir do tema “Quem seremos no próximo milênio?”, a primeira edição do Dragão Fashion, realizada em Fortaleza (CE), já sinalizava o espírito de virada do século. Em um contexto de profundas transformações culturais e tecnológicas, o evento capturava as inquietações de um tempo em que a moda começava a repensar seus próprios sistemas de produção, circulação e legitimidade.
Mais do que uma simples plataforma de desfiles, a proposta revelava o gesto inaugural de construção de um projeto autoral a partir do Ceará, afirmando uma outra geografia possível para a moda brasileira em contraponto à centralidade consolidada do eixo Rio-São Paulo. As coleções apresentadas no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura destacavam as rendas de bilro, filé, richelieu, guipir, renascença…; transparências e referências à moda-praia alinhavadas pelo saber manual das rendeiras do litoral, do sertão e de diferentes regiões do Ceará, inseridas em grupos comunitários e/ou associações locais, responsáveis pela preservação e transmissão geracional do conhecimento das técnicas. Esse aspecto é importantíssimo para compreender a relevância histórica do DFB: o resultado das belíssima criações idealizadas por jovens designers nordestinos legitimaram a chancela do nosso “handmade” dentro do sistema nacional de moda.

Concurso dos Novos: Cristiane e Roberta Arruda (1999)
O line up da primeira edição reuniu Ascânio Wanderley, Cabeto, Carlos Capucho, Cássio Caldas, Gilberto Pereira, Léo Macedo, S.27 por Claudio Silveira, Severina Brown por Ayres Jr., Spilicute por Josenias Jr. e Uzuáriu por J. Cabral. O evento também abriu espaço para os Novos Talentos, categoria que contou com Anastácio Jr., André e Rafa Castro, Andréa Lima Cordeiro, Beth Malveira, Cristina Feitosa, Fernanda Farias, Lindebergue Fernandes, Mark Greiner, Valeska Zuim & Nelymar e Vitor Amaral.
2000 – A edição teve como tema “Iconografia Nordestina”, transformando elementos de imagens, símbolos e representações visuais populares em um território de investigação profunda. Propunha pensar o Nordeste não como repertório folclórico, mas revelando cultura, manualidades, religiosidades populares, paisagens, cromatismos solares e códigos visuais sertanejos como fontes de inspiração.
A escolha do tema possuía também relevância histórica: a virada dos anos 1990 para os 2000 marcou um período de intensa discussão sobre regionalidade, pertencimento e globalização. O Dragão Fashion compreendeu cedo que o diferencial competitivo da moda nordestina não estava na reprodução dos códigos europeus, mas justamente na capacidade de transformar memória cultural e técnicas em capital estético.
Nas passarelas, essa operação se revelou por meio de uma visualidade profundamente marcada por elementos do imaginário nordestino. As coleções exploravam rendas, tramas artesanais, superfícies rústicas, bordados, couro, aplicações manuais e silhuetas que evocavam tanto a indumentária sertaneja quanto a fluidez da moda-praia cearense.

Ayres Jr. (2000)
O line up de estilistas do DFB edição 2000 foi composto por: Ascânio Wanderley, Ayres Jr., J. Cabral, Carlos Capucho, Cássio Caldas, Deóclys Bezerra, Iet Pleijter, Josenias Jr., Kallil Nepomuceno, Léo Macedo, Rejane Castro e Silvânia de Deus. Já no Concurso Novos Talentos, participaram Beth Malvera, Anastácio Jr., Cristiane & Roberta Arruda, Emiliana Freitas, No Viana, Lindebergue Fernandes, Manuel Bessa e Paulo Renato Nascimento.
2001 – A edição do Dragão Fashion consolidou a aproximação entre criação autoral, identidade regional e patrimônio imaterial brasileiro. Ao escolher o poeta Patativa do Assaré como tema central, o evento realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura representou uma inflexão estética e política relevante, voltando seu olhar para a oralidade popular. O gesto era profundamente significativo: transformar um poeta popular em eixo curatorial de um evento de moda.
É importante destacar que Patativa do Assaré é nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002). Poeta, repentista, compositor e improvisador, tornou-se um dos maiores representantes da literatura popular nordestina do século XX. Sua obra retrata o sertão, as desigualdades sociais, a seca, o trabalho rural e a dignidade do homem sertanejo. O apelido “Patativa” surgiu pela comparação entre sua voz e o canto da ave de mesmo nome.
Os desfiles daquela edição representaram um ato de pertencimento. Eram repletos de peças em renda, algodão cru, bordados artesanais, couro, referências à xilogravura, à literatura de cordel e às paisagens áridas do Cariri. A materialidade da roupa passava a funcionar como extensão visual da poesia de Patativa. Como o próprio Patativa cantava: a beleza mais legítima nasce de quem conhece a própria terra.

Kallil Nepomuceno (2001)
Integraram o line up Ascânio Wanderley, Carlos Capucho, Carlota Joaquina, Cássio Caldas, Cris & Roberta Arruda, Dona Florinda, Deóclys Bezerra, Gilberto Pereira, Iet Pleiter, Kallil Nepomuceno, Marcelo Quadros, Mareu, Nitschke, Mariangela Bindi & Ingrid Guimarães, Mário Queiroz, Severina Brown, por Ayres Jr.: Uzuariu, por J. Cabral: Zirion, por Josenias Jr.: (Zirion). Entre Novos Talentos estavam Anastácio Jr., André e Rafa Castro, Andréa Lima Cordeiro, Beth Malveira, Cristina Feitosa, Fernanda Farias, Lindebergue Fernandes, Mark Greiner, Valeska Zuim & Nelymar e Vitor Amaral.
2002 – As palavras-chave foram “Artesanato e Tecnologia” e aprofundou uma discussão que se tornaria central para a moda brasileira: a coexistência entre o saber manual das comunidades cearenses e a modernização tecnológica da indústria da moda. O tema funcionou como uma plataforma crítica sobre os rumos da criação de moda no Brasil, especialmente em um estado cuja economia estava profundamente ligada à cadeia têxtil e de confecção.
Nas passarelas, materiais naturais, superfícies têxteis manipuladas manualmente e processos híbridos entre manufatura e tecnologia. Rendas reinterpretadas em recortes, aplicações feitas à mão dialogando com tecidos tecnológicos, bordados combinados a estruturas industriais e o uso experimental de fibras e texturas marcaram visualmente aquela edição. O artesanal deixava de ser visto como oposição ao moderno; ao contrário, passava a ser compreendido como tecnologia ancestral. E o Dragão se tornava propulsor do handmade no mundo, gerando impacto positivo para o socioeconômico, como eu mesma pude testemunhar em tantas edições ao longo dos anos.

Perpétua Martins (2002)
A edição reuniu na passarela Ascânio Wanderley, Carlos Capucho, Rutta por Cris & Roberta Arruda, Dona Florinda, Evandro Nichetti, Iet Pleiter, J. Cabral, Jotta Syballena, Jun Nakao, Kallil Nepomuceno, King, Lindebergue Fernandes, Marcelo Quadros, Mario Queiroz, Perpétua Martins, Santana Textiles, Severina Brown por Ayres Jr. e Zirion por Josenias Jr. No Concurso dos Novos Talentos, desfilaram Beth Malveira, Cristina Feitosa, Emanuel Moreno, Gecilma, Joseane Duarte & Lilian, Manuel Bessa, Mark Greiner, Vitor Amaral, Wagner Brito e Weider Silvério.
2003 – A “Tecnoarte” permeando as ações do hub criativo onde tecnologia, arte, design e identidade nordestina se cruzavam. A edição propôs lançar luz sobre impactos da tecnologia daquele período, marcada pela aceleração digital, pela popularização da internet, transformações da comunicação visual e pelo fascínio estético em torno do futuro. Ela envolvia também o entendimento da própria moda como arte, performance, artesanato, design e espetáculo.
O Ceará já ocupava posição relevante na indústria têxtil brasileira, especialmente nos segmentos de confecção, denim, malharia e moda-praia. No entanto, sua potência não estava apenas na produção industrial em larga escala, mas, também, na formação de um ecossistema criativo que transformava referências regionais em proposições autorais de alcance nacional.
Nomes cearenses que haviam ajudado a construir o evento desde as primeiras edições dividiam as passarelas com convidados de outros estados — e o diálogo que nascia desse encontro era, invariavelmente, interessante. Essa, aliás, sempre me pareceu uma das grandes inteligências do DFB. Ao longo dos anos, ele já se afirmava como um evento de alcance nacional, mas profundamente atravessado por uma identidade regional. Não é um detalhe: é uma construção rara e muito mais complexa para estar sob os holofotes durante décadas.

Otávio Menezes (DFB – 2003)
O Dragão Fashion de 2003 reuniu os seguintes criadores: André e Rafael Castro, Carlos Capucho, Carlos Peters, Ex-Madame por Ronaldo Silvestre, Gustavo Silvestre, Iet Pleijter, Jotta Syballena, Juliana Galeão, Léo Mendonça, Melca Janebro, Lindebergue Fernandes, Marcelo Quadros, Manuel Bessa, Marcusson, Mário Queiroz, Moshe, Otávio Menezes, Ricardo San Martin, Rutta por Cris e Roberta Arruda, Thais Costa, Urânio e Walério Araújo.
No concurso de Novos Talentos, participaram Antônio Adauto, Fábio Caracas, Francisco Matias, Juliana Linard, Larissa, Lúcio Áureo César, Márcia Fernog, Maria de Lurdes, Rachel Silva, Emanuel Cavalcante, Cândida Lopes, Juliana Colares, Lana Arraes, Mark Greiner, Tainá Nunes e Vitor Amaral.
2005 – Com “Espírito de Dragão”, o evento assinou posição como uma das principais plataformas de moda autoral do país. O dragão, nesse contexto, não atua apenas como metáfora identitária, mas como eixo conceitual que articula energia criativa, continuidade histórica e pulsão de invenção.
Como frisado, à época, o Dragão Fashion já não trabalhava apenas com a apresentação de coleções, mas com experiências imersivas de moda. A passarela era compreendida como espaço de narrativa visual, aproximando-se da linguagem da performance, da instalação artística e espetáculo multimídia.
Relevância, Consistência, Constância, Ousadia e Garra. Cinco palavras que definem o ladrilhar do DFB. Porque levantar o DFB consiste em estabelecer metas sempre maiores e fazer de tudo para superá-las. E evoluir consiste em manter-se em movimento. O evento sempre tratou os novos talentos e designers de micro e pequeno porte, como grandes players. Como Claudio Silveira sempre frisou: “Grandes oportunidades requerem, também, grandes responsabilidades”.

Riccardo San Martini (DFB 2005)
A edição contou com Cândida Lopes, Carlos Peters, Desconexo, Dino Alves, Fernanda Farias, João Queiroz, Gustavo Silvestre, Juliana Linard, Kel, King 55, Lindebergue Fernandes, Lúcio Áureo César, Manuel Bessa, Marcelo Quadros, Marcusson, Mario Queiroz, Mark Greiner, Melca Janebro, Neon, Otávio Menezes, Otávio Sampaio e Roney George, Riccardo San Martini, Sol Azulay, Urânio, Weider Silvério e Wilson Ranieri.
2006 – A edição propôs como eixo central o tema “Nobre Arte Popular”. Mais do que uma homenagem à cultura da autoralidade, o evento construiu uma profunda reflexão sobre a verdade e ter a capacidade para comunicar isso como poderosa ferramenta para fazer um nome sobressair-se aos demais. “O que posso arriscar é que saber comunicar sua própria verdade é uma maneira infalível de você atingir suas metas”. disse Claudio Silveira durante uma longa entrevista. O Dragão Fashion antecipava debates fundamentais para a moda brasileira do século 21.
“Nobre Arte Popular” operava como uma formulação de caráter político e estético que reposiciona hierarquias consolidadas no campo da moda e da cultura visual. Ao reivindicar centralidade para saberes historicamente situados em regimes de menor prestígio institucional — frequentemente classificados sob categorias como artesanato, cultura popular ou produção manual — o tema do Dragão Fashion reconhecia o campo de legitimidade das técnicas, densidade cultural e a sofisticação processual presentes em sistemas de produção baseados na transmissão intergeracional.
Os desfiles continuavam evidenciavam uma forte presença das rendas, aplicações em couro, tramas têxteis artesanais e superfícies construídas manualmente. Muitos criadores trabalhavam a desconstrução dos códigos estereotipados do sertão e da cultura nordestina, afastando-se dos clichês folclóricos e aproximando-se de uma leitura contemporânea da identidade regional.

Preta Gil para Empório Oriente (DFB-2006)
O Dragão Fashion 2006, teve a presença dos estilistas André e Rafa Castro, Andréa Cerqueira, Cândida Lopes, Empório Oriente, Fernanda Farias, Fernanda Franco, Gilvânia Monique, Gustavo Silvestre, Ivanildo Nunes, Jefferson de Assis, João Queiroz, Kel, King 55, Lindebergue Fernandes, Marcelo Quadros, Marcusson, Mario Queiroz, Mark Greiner, Martins Paulo, Melca Janebro, Moda.com, Natália e Larissa, Neon, Otávio Sampaio e Roney George, P’tit, Ricardo Freitas de Lima, Riccardo San Martin, Robia, Rodrigo Soares, Rommanel, Vallé Jeans e Wilson Ranieri.
2007 – “Todos os Nós da Moda Brasileira Popular” pode ser compreendido como uma operação conceitual que amplia o “fazer moda” para uma lógica de construção coletiva. Propõe uma leitura entendida como processo relacional, atravessado por interdependências sociais, culturais e produtivas.
A noção de “nós” pode ser interpretada, ao mesmo tempo, uma gramática material e uma gramática social. No plano material, remete às articulações do próprio têxtil — junções, amarrações e pontos de ligação que tornam possível a constituição do tecido como forma contínua. No plano simbólico, desloca-se para a ideia de coletividade, sugerindo que a moda brasileira se constrói a partir de múltiplas vozes e temporalidades que se entrecruzam.

Mark Greiner (2007)
Apresentaram suas coleções: Anastácio Jr. | Ayres Jr.; André e Rafa Castro; Cândida Lopes | C&A; Empório Oriente; Gilvânia Monique; Gustavo Silvestre; João Pimenta | Joiola; King 55 | Larissa e Natália; Lindebergue Fernandes; Marcelo Quadros; Marcusson; Maria Valentina; Mario Queiroz; Mauy | Melca Janebro; Melk Zda | Menta Café; Reserva Handara; Riccardo San Martin; Robia | Samuel Cirnansck; Toli | Walério Araújo; Weider Silveiro; Wilson Ranieri; Novos Talentos; Cristiane Gomes; Gisela Pegado; Isaac Monteiro & Monique Barreto; Iury Costa; Márcia Marcondes & Rejane Mara; Martins Paulo; Tarcísio Brito.
2008 – Uma das plataformas mais importantes da moda autoral brasileira teve como mote naquele ano “Dragão em Todas as Artes”. O tema permitia pensar o artsy de cada peça desfilada dialogando diretamente com outras expressões artísticas e culturais. Essa abordagem evidencia a moda como prática atravessada por intersecções com diferentes linguagens artísticas, deslocando o vestuário de sua função estritamente utilitária, constituindo uma rede de relações entre moda, artes visuais e cultura performativa.
Nesse cenário, a proposta também pode ser lida como um manifesto diante da crescente padronização dos repertórios visuais no contexto da globalização da moda no início dos anos 2000. Em contraste com a uniformização de tendências, o evento reafirma a importância da diversidade estruturante da moda autoral contemporânea. Trata-se de um processo que exalta a pluralidade, rompe paradigmas, conectando conhecimentos e experiências.

Samuel Cirnansck (2008)
O DFB 2008 reuniu nomes como Andrés Baño, Bransk por Mario Queiroz, Gilvânia Monique, Gustavo Silvestre, JEF, João Pimenta, Joiola, King 55, Larissa Fontenele + Natália Viana, Lindebergue Fernandes, Mar del Castro, Marcusson, Mario Queiroz, Mark Greiner, Mauy por Cristiane Arruda, Melk ZDA, Piorski, Reserva Handara, Ronaldo Silvestre, Rosa Chá, Samuel Cirnansck, Tarcísio Almeida, Walério Araújo, Weider Silveiro e Wilson Ranieri.
2009 – “Dragão de Ouro- 10 Anos”. Mais do que uma comemoração cronológica, o conceito da edição funcionou como o amadurecimento de um dos mais importantes eventos de moda do Brasil. A presença do “ouro” tal qual uma metáfora de trajetória, reconhecimento e continuidade, articulando simultaneamente memória institucional, transformação criativa e projeção de futuro.
Ao completar 10 anos de história, o Dragão Fashion evidencia a constituição de um campo autoral que articula produção estética, circulação de saberes e formação de redes criativas. Essa atmosfera ampliou a carga emocional e identitária dos desfiles. Muitos estilistas criaram coleções dialogando com arquivos pessoais, referências históricas do próprio evento e elementos que ajudaram a construir o DFB durante seus primeiros anos.
O Dragão Fashion ganhava espaço definitivo dentro da historiografia da moda nacional. Nesse processo, afirmou sua relevância não apenas como vitrine de coleções, mas um ecossistema criativo com valor humano, autoral e cultural ao longo de uma década.

Lindebergue Fernandes (2009)
Celebrando O “Dragão de Ouro”, o evento reuniu André e Rafaela Castro, Andrés Baño, Gilvânia Monique, Gustavo Silvestre, Handara, Iury Costa, João Pimenta, Jolie! Jolie!, King 55, Lindebergue Fernandes, Madame Surtô, Mark Greiner, Mario Queiroz, Melca Janebro, Melk ZDA, Osmoze, Piorski, Roberta Arruda, Ronaldo Silvestre, Samuel Cirnansck, Sis Couture por Natália e Larissa, Tarcísio Almeida, Walério Araujo e Weider Silveiro.
2010 – O evento ratificou as origens de seu nome e elegeu como tema: “Dragão do Mar”. O título evocava diretamente a figura histórica de Francisco José do Nascimento, jangadeiro conhecido como Dragão do Mar ou ‘Chico da Matilde’, personagem cearense associado à luta abolicionista no século XIX, transformando a edição em um espaço de reflexão sobre liberdade. “Chico da Matilde’ ganhou projeção nacional em 1881 ao liderar greves históricas em Fortaleza, recusando-se a embarcar escravizados que seriam vendidos para o Sudeste do país.
No Ceará, a presença do mar ultrapassa os limites da paisagem e integra o imaginário cultural do estado. O litoral, com suas atividades ligadas à pesca, ao artesanato, ao comércio e ao turismo, contribuiu para a formação de repertórios visuais, materiais e simbólicos que atravessam diferentes manifestações culturais. As cores, texturas, modos de fazer e narrativas associados ao universo marítimo permanecem presentes na produção artística e criativa contemporânea. Assim, o Atlântico surge não apenas como referência geográfica, mas como uma fonte contínua de inspiração para a construção de identidades e expressões culturais.

Mark Greiner (2010)
O DFB reuniu estilistas e marcas como “Conexão Solidária” por André e Rafa Castro, Dona Florinda, Francisco Matias, Gilvânia Monique, Gustavo Silvestre, Handara, Iury Costa, Ivanildo Nunes, João Pimenta, Jolie! Jolie! por Andréa Cerqueira, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Lino Villaventura, Madame Surtô, Mar del Castro, Marcusson, Mark Greiner, Mário Queiroz, Melk ZDA, Piorski, Ronaldo Silvestre, Sá Maria, Sis Couture, Skyler, Tarcísio Almeida, Thaís Gusmão, Vitorino Campos, Walério Araújo e Weider Silveiro. O Concurso dos Novos contou ainda com a participação do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (SP), Faculdade Católica do Ceará (CE), Fadesne (CE), UFC, UFGO, UFMG, Universidade Estácio de Sá (RJ) e Universidade Vale do Acaraú (CE).
2011 – “Artesanias – Identidades na Moda” representou não apenas atividade econômica, mas instrumento de sobrevivência, memória familiar e organização comunitária. Uma das imagens mais incríveis na passarela foi a produção do desfile dos alunos da Faculdade Católica do Ceará, no Concurso dos Novos. A palhinha das cadeiras usadas desde o Brasil Colônia – tornava os móveis mais frescos diante do calor do país tropical – foram utilizadas como roupa. Estas cadeiras de palhinha são até hoje ícone cultural, nas quais artesãos empalhadores mantêm vivas as tradicionais tramas manuais em móveis de madeira.
Uma atmosfera que reposiciona o olhar sobre o fazer. O artesanal aparece em cena como presença ativa, organizando tempo, valor e acabamento. Em vez de buscar uniformidade, as peças são protagonistas de deslocamento, uma mudança de ritmo. O que normalmente é acelerado para se tornar tendência aqui se sustenta em atemporalidade, mais próxima da permanência do que da urgência.

Concurso dos Novos Faculdade Católica do Ceará (2011)
Compunham o line up, Alysson Aragão, Athos por Léo Macedo, Conexão Solidária por Lindebergue Fernandes, Delfrance Ribeiro, Didara por Goya Lopes, Dona Florinda, Francisco Matias, Helen Rödel, Iury Costa, Ivanildo Nunes, João Sobarr, Joiola, Jonathan Gurgel, Kallil Nepomuceno, Lázaro de Souza, Lino Villaventura, Mar del Castro, Márcia Ganem, Marcusson, Mark Greiner, Melk ZDA, Piorski, Riachuelo, Rommanel, Ronaldo Silvestre, Sá Maria, Sis Couture, Skyler, Tchibi, Vitorino Campos, Walério Araújo e Weider Silveiro. O Concurso dos Novos contou ainda com a participação da CEUNSP, Faculdade Católica do Ceará, Fanor (CE), Novafapi, UFC, UFMG, UFPI e Unipar.
2012 – Ao adotar como mote “Consciência Criativa”, particularmente da produção autoral, o que vimos são processos criativos fundamentados em reflexão crítica, sustentabilidade, transformando o processo criativo em uma forma de produção de conhecimento. O Dragão Fashion transformou-se em plataforma de reflexão sobre os modos de produzir, consumir e compreender a moda.
O mestre Jum Nakao levou para o evento uma passarela experimento. Em 2012, no DFB, ele realizou um projeto incrível ao desenvolver uma coleção completa em tempo real, tal qual um reality show, durante os cinco dias do evento, diante do público. Pela primeira vez na história de uma semana de moda, uma coleção nasceria e cresceria ao vivo — sem rede, sem ensaio, sem margem para o erro invisível.
O projeto foi batizado “A Hora do Brasil”. Vinte participantes — artistas, designers e estudantes selecionados pelo Senac Ceará, das mais diversas vertentes da moda — trabalharam em uma sala instalada dentro do próprio evento, visível a qualquer um que quisesse parar e olhar. E havia transmissão em tempo real pela internet para quem não estava lá. Tudo era processo.

Jum Nakao (2012)
O DFB 2012 reuniu nomes como Chicca Lualdi, Clair, Danielly Narimato, Delfrance Ribeiro, Doiselles, João Sobarr, Kza do Dragão, Handara, Ivanildo Nunes, Kallil Nepomuceno, Leit Motiv, Lindebergue Fernandes, Lino Villaventura, Mar del Castro, Marcia Ganem, Marcusson, Mario Queiroz, Mark Greiner, Melk ZDA, Reality Project com Jum Nakao, Riachuelo, Ronaldo Silvestre, Sá Maria, Sis Couture, Skyler e Vivi Huhn. O Concurso dos Novos contou ainda com a participação da Faculdade Católica do Ceará, Faculdade Santa Marcelina (SP), FIC (CE), Fadesne (CE), UFC, UFG (GO) e UFPI.
2013 – A frase-tema “Onde há fumaça, há fogo” quando aplicada à moda, especialmente à moda autoral, representa uma metáfora poderosa. A “fumaça” pode ser compreendida como os sinais visíveis de transformações que estão ocorrendo na sociedade: mudanças de comportamento e novas formas de consumo, sustentabilidade, entre outros temas. O “fogo”, por sua vez, representa as forças estruturais que originam essas manifestações: desejos coletivos, rupturas culturais, crises econômicas ou transformações políticas.
A indústria da moda é a segunda que mais polui o meio ambiente, ficando atrás apenas do setor petroleiro. Nossa responsabilidade aumenta exponencialmente. O Brasil ainda não tem uma política concreta para a questão do resíduo têxtil. Precisamos com urgência de políticas públicas, pois são elas que geram leis e fazem com que a sociedade comece a agir de forma mais ética. A roupa usada pode ganhar um descarte funcional, que possibilite novas possibilidades estéticas e sustentáveis.
O profissional da moda é treinado para observar a “fumaça”, isto é, os indícios aparentemente dispersos presentes nas ruas, nas redes sociais, nas manifestações artísticas, nos hábitos de consumo e nos comportamentos cotidianos. Seu papel consiste em identificar quais desses sinais possuem potencial para se transformar em movimentos mais amplos e duradouros. Nesse sentido, a moda atua como um sistema de leitura e interpretação do presente.
Em um período no qual a indústria da moda brasileira enfrentava o avanço acelerado do fast fashion internacional e a padronização estética provocada pela globalização do consumo, o DFB posicionava-se como um território de resistência como sempre.

Pedro Caldas (2013)
No Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, estiveram na passarela Aládio Marques, Alix Pinho, Alysson Aragão, Blue Man, By Beto, Clair, Doisselles, Ivanildo Nunes, Jadson Raniere, Jefferson Ribeiro, Kallil Nepomuceno, Leit Motiv, Lindebergue Fernandes, Lino Villaventura, Mar del Castro, Márcia Ganem, Marcusson, Mark Greiner, Mário Queiroz, Nuno Gama, Pedro Caldas, PS Store, Rapha Beach Culture, Riachuelo, Ronaldo Silvestre e Weider Silveiro. A programação também contou com o Concurso dos Novos, envolvendo instituições como Centro Universitário de Belo Horizonte (MG), Estácio FIC (CE), Faculdade Ateneu (CE), Faculdade Católica do Ceará, Faculdade Santa Marcelina (SP), Fanor (CE), Fameg (PE) e Feevale (RS).
2014 – A escolha do tema “A moda move o mundo” dialogava diretamente com a afirmação sobre o papel da moda enquanto fenômeno cultural, econômico, social, capaz de influenciar comportamentos, produzir significados, impulsionar economias e transformar modos de vida. O sistema da moda atravessava um período de intensa aceleração digital, fortalecimento das redes sociais, ampliação do fast fashion.
A moda movimenta cadeias produtivas complexas que envolvem agricultura, indústria têxtil, artesanato, design, comércio, comunicação, tecnologia e economia criativa. Milhões de pessoas em todo o mundo dependem direta ou indiretamente das atividades relacionadas à moda. Assim, afirmar que a moda move o mundo significa reconhecer sua capacidade de gerar trabalho, renda, inovação e desenvolvimento regional.
O próprio conceito de “movimento” atravessava visualmente muitas coleções apresentadas na edição. Franjas, tecidos fluidos, transparências, volumes arquitetônicos e silhuetas orgânicas apareciam como metáforas corporais para deslocamento, transformação e velocidade contemporânea.
Ao longo da história, a moda foi responsável pela circulação de referências entre povos, territórios e épocas. Tecidos, técnicas, ornamentos e estilos viajaram por rotas comerciais, processos migratórios e intercâmbios culturais, contribuindo para a formação de identidades híbridas e para a construção de patrimônios estéticos compartilhados.
O que vimos no DFB? A moda move o mundo porque conecta pessoas, ideias, memórias, afetos, lugares, práticas sustentáveis e formas de compreender a própria sociedade.

Concurso dos Novos UFC (2014)
O evento contou com marcas e estilistas como Água de Coco por Liana Thomaz, Aládio Marques, Alix Pinho, Alysson Aragão + Suzane Farias, Carol Barreto, David Lee, Dois por Weider Silveiro + Jadson Raniere, Eliana Alcântara, Florinda, Gisela Franck, Ivan Aguilar, Ivanildo Nunes + Cláudio Quinderé, Jeferson Ribeiro, João Sobarr, Jonathan Scarpari, Jussara Regás, Kalil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Lino Villaventura, Lizzi, Make B, Mar del Castro + Jomara Cid, Maria Philomeno, Mark Greiner + Roberto Dias, Mario Queiroz, Nico Didonna, Nuno Gama, Ocksä, RCHLO, Rebeca Sampaio, Ronaldo Silvestre, Viori e Vitorino Campos. A edição também promoveu o Concurso dos Novos, com participação do Centro Universitário Dinâmico das Cataratas (PR), Faculdade Santa Marcelina (SP) e Instituto de Desenvolvimento, Educação e Cultura (IDEC).
2015 – Quando li a respeito do macrotema do DFB 2015, “Mãos à obra, mãos à moda”, e o objetivo de incentivar a criação a partir da ênfase às artesanias pelas mentes inovadoras da moda autoral, me lembrei de como este tema é propício tanto pelo aspecto da qualidade do que vem sendo produzido Brasil afora como pelos tempos de economia oscilante. As mãos tornam-se metáfora da autoria. Elas representam o gesto criador que imprime singularidade à peça, diferenciando-a dos processos padronizados da produção massificada. Assim, a criação acontece em um diálogo constante entre raciocínio, sensibilidade e experimentação.
A frase encontra ressonância na valorização dos artesãos, bordadeiras, rendeiras, tecelões, mestres da cultura popular e comunidades produtivas que transformam conhecimentos transmitidos entre gerações em inovação estética. Nesse sentido, as mãos representam tanto a continuidade das tradições quanto a capacidade de reinventá-las para dialogar com a contemporaneidade.
A edição foi realizada no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza. O espaço à beira-mar foi fascinante e proporcionou uma grande experiência sobre mobilidade cultural e economia criativa. Enquanto o mercado internacional promovia velocidade, descartabilidade e padronização estética, o DFB defendia permanência, singularidade e as mãos que tecem a moda autoral e suas narrativas.

Ivanildo Nunes (2015)
O DFB 2015 contou com nomes como Comunidade Moda, Aládio Marques, Almerinda Maria, Andre Sampaio, ASAP, Bikiny Society, Cris Crawford, Gisela Franck, Ivanildo Nunes, Jadson Raniere, Jeferson Ribeiro, João Paulo Guedes, Lenita Negrão, Lindebergue Fernandes, Lizzi, Melk Z-Da, Paulo Martins, Rebeca Sampaio, Riccardo San Martini, Ronaldo Silvestre, Wagner Kallieno, Weider Silveiro, Lino Villaventura, Riachuelo e Vitorino Campos. A edição também promoveu o Concurso dos Novos, com participação do Centro Universitário Estácio do Ceará (CE), Faculdade Ateneu (CE), Faculdade Santa Marcelina (SP), IED | Istituto Europeo di Design (SP), UDC | Centro Universitário Dinâmico das Cataratas (PR), UEL | Universidade Estadual de Londrina (PR), UFC | Universidade Federal do Ceará (CE) e UNAMA | Universidade da Amazônia (PA).
2016 – “Sangue Latino”. Esta edição representou um dos capítulos simbólicos da consolidação da moda autoral brasileira enquanto força cultural latino-americana, transformando a passarela em um território de pertencimento continental. “Sangue Latino” pode ser interpretado como a celebração da diversidade cultural, da ancestralidade híbrida e da potência criativa dos territórios latino-americanos.
Para a moda autoral, o tema representa a compreensão de que a verdadeira inovação não nasce do apagamento das origens, mas da capacidade de reinterpretá-las criticamente. O sangue, nesse sentido, não é apenas herança; é movimento, memória, resistência e criação. É a força simbólica que conecta passado, presente e futuro na construção de uma moda profundamente enraizada em sua cultura e, ao mesmo tempo, aberta ao mundo.
Durante décadas, os sistemas internacionais da moda concentraram legitimidade estética em centros como Paris, Milão, Londres e Nova York. A valorização do sangue latino representa, nesse sentido, a reivindicação de outras narrativas de moda, capazes de produzir inovação a partir de contextos locais, saberes populares e identidades periféricas. Não se trata de reproduzir modelos externos, mas de construir linguagens próprias a partir das singularidades culturais da América Latina. O sangue sugere intensidade, afeto, paixão, memória e experiência humana.
A edição destacou especialmente a Colômbia como país convidado, reconhecendo sua consolidada indústria têxtil e sua relevância econômica dentro do setor fashion latino-americano. A presença da marca colombiana Lenerd e da exposição “Artesanías de Colombia” simbolizou intercâmbio. O DFB aproximava Brasil e Colômbia através de uma linguagem comum: o handmade latino-americano como diferencial criativo frente à padronização industrial global.
O DFB promoveu o 1º Seminário Latino-americano da Moda, Cultura e Desenvolvimento com convidados do Brasil e de “países-irmãos” para discutir os rumos da indústria têxtil e do DNA tão peculiar e rico do nosso continente latino. O dragão alçou grandes voos.

Weider Silvero (2016)
O DFB 2016 teve nomes como Almerinda Maria, André Sampaio, Babado Coletivo, Bikiny Society, David Lee, Doisélles, Gil Braga, Gisela Franck, Hemanuel Victor, Iury Costa, Ivanildo Nunes, Jeferson Ribeiro, João Paulo Guedes, Kallil Nepomuceno, Lenerd, Lindebergue Fernandes, Lizz, Mark Greiner, Pena Conceito, Rebeca Sampaio, Rio de Jas, Ronaldo Silvestre e Weider Silveiro. A edição também contou com o Concurso dos Novos, reunindo participantes do Centro Universitário Senac Santo Amaro (SP), IDECC (CE), IESB (DF), UFC (CE), UNAMA (PA), Unifor (CE) e Universidade Estadual de Maringá (PR).
2017 – O DFB atingiu a maioridade simbólica de sua trajetória. Ao completar 18 anos, o evento realizado em Fortaleza, no Ceará, não apenas celebrou sua permanência como um dos mais importantes encontros criativos da América Latina, mas também redefiniu o próprio entendimento de semana de moda no Brasil: transformou-se oficialmente em “DFB Festival”, assumindo uma vocação multidisciplinar que articulava moda, música, gastronomia, formação, arte e economia criativa em um mesmo território cultural.
O evento foi embalado pelo conceito “Viva a Festa”, na edição que celebra os 18 anos de evento idealizado e produzido por Claudio Silveira e Helena Vieira Gualberto Silveira e o time de ouro. No primeiro dia, o DFB foi das informações valiosas de Alexandre Herchcovitch, que debateu, entre outros temas, a moda upcycling e atenta às questões sustentáveis, à renda delicada de Almerinda Maria, passando, claro, pelo handmade e criatividade cearense.

O DFB 2017 reuniu nomes como Aládio Marques, Almerinda Maria, André Sampaio, Babado Coletivo, Bikiny Society, Caio Nascimento, Concurso Ceará Moda Contemporânea, David Lee, Iury Costa, Ivanildo Nunes, Jeferson Ribeiro, João Paulo Guedes, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Lúcio Áureo, Mary Andrade, Melk Z-Da, Rendá, Ricciardo Gomes, Ronaldo Silvestre, Saldanha, Villô Ateliê, Wagner Kallieno e Weider Silveiro. A programação também contou com o Concurso dos Novos, reunindo participantes da Estácio FIC (CE), Centro Universitário de João Pessoa (PB), ETEC Carlos de Campos (SP), Faculdade Ateneu (CE), Faculdade Santa Marcelina (SP), Faculdade de Tecnologia Senai Antoine Skaf (SP), UFMG (MG) e Unifor (CE).
2018 – “Olhar 360 graus” proposto para a edição permitiu observar in totum a realidade através de todas as camadas, abrangendo os sentidos e as direções sob um prisma descentralizado da moda brasileira. O “Olhar 360 Graus” simbolizava justamente essa necessidade de enxergar a moda para além da roupa: como experiência econômica, dispositivo político, patrimônio imaterial e instrumento de transformação coletiva. Um panorama rico da diversidade criativa.
É de suma importância o pensamento coletivo, a união, o compartilhar ações que corroboram cada vez mais e, em alta potência, práticas como economia circular, sustentabilidade + consumo consciente, responsabilidade socioambiental, upcycling, ressignificando uma nova produção no âmbito da moda.
A campanha “Manifeste Sua Voz” tornou-se outro elemento central da edição. Desenvolvida a partir de depoimentos de mulheres cearenses atuantes em diferentes campos sociais, a ação abordou temas como empreendedorismo feminino, memória, herança cultural, inclusão e transformação social. Ao transformar Fortaleza em epicentro de uma produção autoral plural, crítica e profundamente conectada às questões sociais do país, o festival reafirmou a potência da moda brasileira quando esta nasce do território, da diversidade cultural e da liberdade criativa.

André Sampaio (2018)
O line up contou com nomes como Almerinda Maria, André Sampaio, Bikiny Society, Bruno Olly, D-Aura, David Lee, Elo.Collab, Fábio Caracas, Flee, Gisela Franck, Hand Lace, Herculano Marques, Iury Costa, Ivanildo Nunes, Ivanovick, João Paulo Guedes, Jonhson Cavalcante, Jeferson Ribeiro, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Rebeca Sampaio, Rendá por Camila Arraes, Riachuelo, Ronaldo Silvestre, Saldanha, Tanden, Wagner Kallieno e Weider Silveiro, refletindo a diversidade estética e regional defendida pelo festival. O tradicional Concurso dos Novos também integrou a programação, reunindo instituições como Estácio FIC (CE), Faculdade Ateneu (CE), Faculdade Santa Marcelina (SP), IFRN Campus Icó (RN), Universidade do Estado de Santa Catarina (SC), UFC (CE) e UFPI (PI).
2019 – O DFB Festival comemorou 20 anos em clima de verão celebrando o sucesso do nosso handmade brasileiríssimo como vitrine internacional. Mais do que uma escolha estética, o conceito da edição foi “Vai dar Praia” . Além de fazer a roda do empreendedorismo e da economia nacional girar, o DFB Festival promove a valorização dos produtos feitos à mão e imprime a identidade do povo brasileiro na moda. É diante desse olhar diferenciado sobre a cultura cearense e o reconhecimento das atividades locais como novas inspirações, que o DFB reuniu os principais nomes da moda autoral.
Ao instalar-se na mega estrutura de 27 mil metros quadrados erguida no Aterro da Praia de Iracema, o DFB Festival 2019 também reafirmava seu compromisso com ações sustentáveis de estímulo à preservação do meio ambiente. Os números foram impressionantes: 36 desfiles, 20 shows, quatro balés, oito palestras, quatro workshops, 14 restaurantes, sete bares e uma feira com foco em economia criativa que reuniu 60 expositores. Uma verdadeira “Cidade Autoral”
A criação da primeira Mostra DFB MoveModa representou outro avanço importante. O projeto reuniu curtas-metragens de moda produzidos em diversos estados brasileiros, estimulando novas linguagens audiovisuais ligadas à moda autoral.
Ao valorizar técnicas manuais, narrativas regionais, sustentabilidade e diversidade de corpos e identidades, o evento mostrou que a moda brasileira encontra sua maior potência precisamente quando dialoga com suas múltiplas raízes culturais.

Água de coco (2019)
A programação contou com desfiles de Água de Coco por Liana Thomaz, Almerinda Maria, Baba, Bruno Olly, Caio Nascimento, Chico Marinho, D’Aura, David Lee, ESC, Flee, Gisela Franck, Homem do Sapato, Jangadeiro Têxtil, Jeferson Ribeiro, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Marju Francisco Matias, Melk Zda, Parko, Rendá por Camila Arraes, Ronaldo Silvestre, Rota Jeri por Claudio Silveira, Saldanha, Senac apresenta Cariri Visceral, Silvânia de Deus, Vitor Cunha e Wagner Kallieno. O tradicional Concurso dos Novos reuniu representantes da Faculdade Santa Marcelina (SP), Fanor (CE), UFPI, Unama (PA), Unifor (CE), UniAteneu (CE), UTFPR (PR) e Universidade Veiga de Almeida (RJ), reforçando o compromisso do festival com a formação e projeção de novos talentos da moda brasileira.
2020 – Com a pandemia do coronavírus, o Brasil e o mundo deram um grande reset e uma série de ressignificações foram realizadas nos mais diversos campos e posturas do ser humano. As lives nos aproximaram mesmo à distância e, assim, proporcionaram muito conhecimento. A edição de 2020 do DFB Festival marcou história na trajetória da moda autoral brasileira. Em meio ao colapso sanitário provocado pela pandemia da Covid-19, o tradicional encontro realizado em Fortaleza transformou-se no DFB DigiFest, uma experiência integralmente digital que reposicionou o papel da moda diante da crise global.
Mais do que uma adaptação emergencial, o evento constituiu uma profunda reflexão sobre os limites do sistema fashion contemporâneo, sobre os novos modos de produção cultural e sobre a sobrevivência da economia criativa em um cenário de isolamento social, retração econômica e transformação comportamental. O que poderia ter virado hiato transformou-se numa das operações de adaptação mais interessantes da moda brasileira naquele período.
A transformação do DFB em DigiFest possuía uma dimensão simbólica importante. O próprio termo DigiFest representava o deslocamento da passarela física para o território digital, evidenciando a necessidade de reinvenção de toda a cadeia criativa.
O evento online também evidenciou o crescimento do audiovisual como linguagem central da moda contemporânea. Sem passarela física, os desfiles passaram a dialogar diretamente com a estética cinematográfica, utilizando enquadramentos intimistas, montagem dinâmica e narrativas visuais mais emocionais. O desfile deixou de ser apenas exibição de roupas para transformar-se em conteúdo digital híbrido entre fashion film, performance e editorial audiovisual.
Paralelamente à programação de moda, o evento ampliou significativamente suas atividades de formação. O tradicional Dragão Pensando Moda transformou-se no “Digital Pensando Moda”, reunindo palestras e workshops gratuitos online. Entre os convidados estavam Alexandre Herchcovitch, Eduardo Motta, Fernanda Simon e Carla Lemos, discutindo os impactos da pandemia sobre sustentabilidade, varejo digital, comportamento e futuro da indústria fashion. O movimento reforçava o papel pedagógico do DFB enquanto plataforma de formação intelectual da moda brasileira.
Em termos quantitativos, o evento alcançou números expressivos para um festival integralmente virtual. O DFB DigiFest impactou mais de 2,1 milhões de pessoas no Instagram, alcançando cerca de 396 mil perfis e mais de 28 mil visualizações no YouTube. Os dados revelam como a digitalização permitiu ampliar o alcance democrático da moda autoral brasileira, rompendo barreiras geográficas anteriormente impostas pelos eventos físicos.
Assim, o DFB DigiFest 2020 consolidou-se como um dos acontecimentos mais importantes da história recente da moda autoral latino-americana. Não apenas por ter migrado para o ambiente digital, mas por ter compreendido que o verdadeiro desafio da pandemia era reconstruir o sentido humano da moda. Fortaleza, mesmo virtualmente, continuou sendo o epicentro de uma criação brasileira profundamente ligada ao território, ao artesanato, à diversidade cultural e à potência transformadora da economia criativa.

Ivanildo Nunes (2020)
O DFB Festival realizou em 2020 uma edição totalmente digital. A programação reuniu desfiles, conteúdos audiovisuais, debates e experiências online com nomes como Almerinda Maria, Baba, Bikiny Society, Bruno Olly, Bruno Queiroz, Gisela Franck, Ivanildo Nunes, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Marina Bitu, Rendá por Camila Arraes, Ronaldo Silvestre, Thereza Montenegro e Vitor Cunha, reforçando a diversidade criativa defendida pelo festival. O tradicional Concurso dos Novos também integrou a edição virtual, com a participação do Centro Universitário FAM (SP), Faculdade Santa Marcelina (SP), IFRN Campus Caicó (RN), Senai (SP), Senai Cetiqt (RJ), Udesc (SC), Uesc (SC), UFCA (CE), Unama (PA), Unicesumar (PR), Unifanor (CE), Universidade Veiga de Almeida (RJ) e UTFPR (PR), mantendo viva a proposta do DFB de incentivar novos talentos e ampliar o diálogo entre moda, inovação e formação acadêmica.
2022 – O DFB Festival imprimiu sua assinatura na História! A multiplataforma da sinergia entre moda autoral, cultura, incluindo capacitação, empreendedorismo, música, gastronomia, realizada na Cidade Cultural erguida em plena Praia de Iracema, em Fortaleza, proporcionou o prazer de nos sentirmos energizados com suas ações disruptivas depois de dois anos de pandemia.
Passamos a conviver em um mundo phygital, no qual a informação está tão rápida, que é importante entender a posição do ser humano em relação ao tempo e ao espaço. Nessa sincronia de passado, presente e futuro, a frase “Ocupe o seu lugar”, que permeou a edição 2022 do DFB, foi perfeita para corroborar todas as iniciativas em prol da cultura de moda no Brasil com o fortalecimento da cadeia de uma ponta a outra.

ENEL apresenta Coleção Energia (2022)
Nesta edição, embora presencial, o DFB Festival também privilegiou o online. O público assistiu entrevistas, prévias e podcasts através de uma TV própria, a DFB TV e o DFBCast. Os desfiles e toda a programação foram transmitidos via YouTube, ao vivo e tiveram um grande alcances. E a estrutura física do festival refletia esse propósito. Foram cerca de 30 mil metros quadrados montados sobre as areias da Praia de Iracema, numa das maiores operações cenográficas da história do DFB.
O complexo incluía duas passarelas gigantes, pavilhões industriais, espaços gastronômicos, áreas pet friendly, arena esportiva, Mercado Criativo, lounges de convivência e um palco de 28 metros de altura construído integralmente com materiais recicláveis e sucata cenográfica pintada em tons arenosos. A monumentalidade da estrutura parecia dizer que a moda brasileira ainda tinha fôlego para construir espetáculo mesmo depois do colapso global da indústria.
O DFB Festival 2022 propôs uma reflexão sobre pertencimento, diversidade, liberdade criativa e protagonismo na moda autoral brasileira. A programação reuniu desfiles e projetos especiais com participações de 100% CE por Claudio Silveira, Alix Pinho, Almerinda Maria Manuel Bessa, Baba, Banana Urbana, Bruno Olly, Catarina Mina + Qair Brasil apresentando Olê Rendeiras, David Lee, Enel Upcycling, Hand Lace, Ivanildo Nunes, Kallil Nepomuceno, Lindebergue Fernandes, Marina Bitu, Rendá, Rio de Jas, Sand Blue, Sau Swim, Senac Richelieu por Ivanildo Nunes, Shérida, Teresa Montenegro, VI Lingerie e Vitor Cunha, reforçando o diálogo entre sustentabilidade, tradição artesanal e inovação estética. O tradicional Concurso dos Novos também integrou a programação, reunindo representantes da FBUni (CE), Faculdade Santa Marcelina (SP), Senac (SE), Unifor (CE), UFC e Universidade Potiguar (RN), reafirmando o compromisso histórico do DFB com a formação de novos talentos da moda brasileira.
2023 – “Movimento” foi a palavra-chave que permeou o DFB Festival, maior encontro da moda autoral da América Latina em conexão com ações multiculturais, contribuindo assim para o desenvolvimento da cultura de moda, incentivo aos novos talentos.
O “movimento” esteve presente de múltiplas formas: nas ações dos expositores; na nossa comunicação e até no formato das passarelas, que agora são orgânicas e se adaptam aos diversos insights, transformando cada desfile em um show único. A edição ocupou uma área climatizada de aproximadamente 10 mil metros quadrados no Centro de Eventos do Ceará, reunindo desfiles, shows, mostras audiovisuais, exposições, gastronomia, empreendedorismo criativo, oficinas e ações formativas. O festival reafirmava, assim, seu caráter de ecossistema cultural integrado, ultrapassando o formato tradicional de semana de moda para transformar-se em espaço de convergência entre diferentes linguagens criativas.
O retorno do Mercado Criativo DFB constituiu uma das ações mais relevantes da edição. O espaço reuniu pequenos empreendedores de moda, design, gastronomia e economia colaborativa, reforçando o compromisso histórico do festival com a descentralização econômica e o fortalecimento de cadeias produtivas locais. Em um cenário nacional ainda marcado por desigualdades estruturais no acesso ao mercado de moda, o DFB continuava atuando como instrumento de democratização produtiva e circulação criativa.
Outro aspecto relevante foi a forte presença da sustentabilidade como prática transversal do festival. Em parceria com iniciativas ambientais, como a EcoEnel, o evento implementou ações de coleta seletiva e reaproveitamento de resíduos. Além disso, diversas coleções trabalharam materiais reciclados, tecidos reaproveitados e processos de baixo impacto ambiental. A sustentabilidade no DFB não aparecia apenas como tendência mercadológica, mas como ética produtiva ligada à sobrevivência do próprio planeta e à valorização de economias locais.

Bruno Olly (2024)
O DFB Festival 2023 contou com participações de 100%CE por Claudio Silveira, Ahazando, Airplane Brasil, Almerinda Maria, Baba, Bruno Olly, Bruno Queiroz, Cléber Lima, Club99, David Lee, Dribbled, Enel Coleção Energia por Almir França, Erica Rosa, Jonhson Alves, Kallil Nepomuceno, Levi Santos, Liana D’Áfrika, Lindebergue Fernandes, Marina Bitu, Norb Brand, Rendá por Camila Arraes, Sanderson Amaral, Sau Swim e Vitor Cunha. O tradicional Concurso dos Novos também integrou a programação, reunindo estudantes e projetos do IFRN, Udesc, UFC, UFCA (CE), UFMG, Unama (PA), UniAteneu (CE) e Unifor (CE), reafirmando o compromisso histórico do DFB com a formação de novos talentos e com o fortalecimento da moda independente brasileira.
2024 – A 25ª edição do DFB Festival marcou “O ano do Dragão”, que, de acordo com a astrologia chinesa representa um período de prosperidade, sucesso, autoaprimoramento, força e resiliênciao O DFB Festival completava 25 anos. E podemos mesmo dizer que, em suas Bodas de Prata, reafirma o que o metal, a prata em si, simboliza em essência: uma renovação constante, mas resistente e durável. É precursor que se chama, amores! É moda visionária e sustentável! É chancela na história!
O festival multiplataforma tem se destacado ao longo dos anos pela sinergia cirúrgica que realiza entre moda, capacitação, empreendedorismo, mostra criativa, jornada de conhecimento, gastronomia e música, impulsionando o fazer coletivo com inovação e um panorama completo do design que ganhou o mundo. Imperdível, como sempre. Vem conferir o que a organização preparou para a edição emblemática!
E, na minha opinião a partir de tudo o que sinto durante o DFB Festival há anos, o backbone, a espinha dorsal do item de luxo, está no feito à mão, no artesanato de alto valor agregado, na marca de origem. Marca de origem: uma expressão mágica, uma chancela que um país como o Brasil, hoje enxergado de forma tão positiva no inconsciente coletivo mundial quando se fala em moda autoral tem toda propriedade para ter. A cada dia a indústria da moda do nosso país tenta deixar de ser refém do alter ego colonizador do europeu e a maximização de potencial das artesanias brasileiras afasta nossa arte de uma armadilha letal, neste movimento progressivo do ambiente local para o internacional. Diferentemente de outros países que vendem seus produtos pela questão custo, nós vendemos os nosso pelas nossas cores, nossa criatividade, nossos traços livres, nossa leveza. Conclusão: representam cada vez mais nosso jeito de ser em um mundo que nos parecia inatingível.

ENEL apresenta Coleção Energia por Almir França (2024)
“O Ano do Dragão” reuniu desfiles e experiências culturais com participações de 100% CE por Claudio Silveira, Almerinda Maria, Baba, Bruno Olly, Catarina Mina, David Lee, Enel Coleção Energia por Almir França, Fruto do Conde, Lindebergue Fernandes, Lino Villaventura, Marina Bitu, Melk Zda e Vitor Cunha, conectando tradição, contemporaneidade e inovação em diferentes linguagens estéticas. O tradicional Concurso dos Novos também integrou a programação, com representantes do Senai Moda (RN), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), UFC, UFCA (CE), UFMG, IFRN, UniAteneu (CE), Unifor (CE), Centro Universitário João Pessoa (Unipê) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), reforçando o compromisso histórico do DFB com a formação acadêmica e a descoberta de novos talentos da moda brasileira.
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