*por Vítor Antunes
Ao anunciar um show da banda em 1997, o Jornal do Brasil foi preciso: aquela banda de pop-rock do hit “Coisa de Maluco” que as rádios executavam exaustivamente. O grupo foi parar até nas palavras cruzadas de um jornal de Caxias do Sul (RS). Em Santos, ficou no 17º lugar entre as 20 mais tocadas na Rádio Tribuna — à frente, inclusive, de Céline Dion com “Because You Loved Me” e do Cidade Negra com o sucesso “O Erê”. Houve semanas em que chegaram antes da arrebatadora “Milla”, de Netinho. A banda que monopolizou as paradas das rádios era a Fincabaute — aportuguesamento de “think about” — com a animada e bem-humorada “Coisa de Maluco”, que falava de coisas incríveis de tão especiais, e que por isso mesmo seriam “coisa de maluco” — o que os jovens de hoje diriam ser “papo de undaiá”. A música fez tanto sucesso que atravessou 1997, chegou a 1998 e ainda ganhou uma versão especial para a Copa do Mundo da França.
Para 2026, os “malucos” estão de volta. A Banda Fincabaute chega com tudo: músicas inéditas, regravações dos sucessos antigos com novos arranjos, releituras de grandes artistas dos anos 1980 e 1990 e um show prometidamente vibrante. “A ideia é ir pra estrada e fazer muitos shows”, diz Marcelo Ramos, o Marcelão, líder e vocalista da banda — e único integrante presente desde a formação original.
“Coisa de Maluco” acabou sendo o único grande hit nacional da Fincabaute. A banda não conseguiu emplacar outros nos anos seguintes, tornando-se, assim, uma clássica one hit wonder — com apenas um grande sucesso. Segundo Marcelão, “a banda seguiu fazendo shows e tentando novos hits, como ‘Eu Também Quero Ficar Rico’, que tocou bastante no Sul do País, mas, por falta de divulgação da gravadora na época, não virou nacional”.
O próprio vocalista, Marcelo Ramos, reconhece o desafio: “Fazer um hit depois de ‘Coisa de Maluco’ realmente não foi fácil. Mas tivemos muitas músicas legais lançadas na época — acredito que faltou apoio da gravadora para divulgar. Para 2026, temos cinco novas músicas para lançar e um empresário novo para ajudar na divulgação. Estou certo de que o público vai gostar muito”. Além de Marcelão, a banda está atualmente formada por Fernando Lima (guitarra), Erivaldo Maurício (teclado), Alexandre Adão (baixo) e Anderson Vieira (bateria).

Show do Fincabaute em maio/26 (Foto: Divulgação)
COPA, SUCESSOS E EFEMERIDADE
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, é inevitável lembrar que “Coisa de Maluco” já teve sua versão copeira — e com história. Marcelão relembra com carinho: “Essa versão foi um pedido do grande André Werneck, que na época trabalhava na Som Livre e estava fazendo uma coletânea de músicas para a Copa. Então fizemos uma versão e acrescentamos bateria de escola de samba — na época, gravada por integrantes da bateria da Mangueira.”
Passadas quase três décadas, o líder da Fincabaute observa o novo cenário musical com olhos atentos — e uma pitada de nostalgia. Para Marcelão, os hits de hoje são ainda mais efêmeros do que naquela época, e a culpa, em grande parte, é do streaming:
Atualmente os hits são muito passageiros, porque a quantidade de conteúdo em streaming é absurda. Compor e gravar uma música hoje virou brincadeira até para quem não é músico — com ajuda da inteligência artificial. Mas ainda acreditamos em fazer músicas para ficarem na história, como foi ‘Coisa de Maluco – Marcelo Ramos
A letra da canção, é verdade, carregava piadas que hoje poderiam ser questionadas pelo politicamente correto. Mas Marcelão não tem dúvidas de que a música faria o mesmo sucesso em 2026 — e sem encontrar resistência do público. “Com tanta notícia triste rolando por aí, compor canções bem-humoradas ajuda o brasileiro a sorrir um pouco, mesmo que por um momento. O objetivo da banda é levar alegria a todos os brasileiros”, afirma.
Quase trinta anos depois, a Fincabaute prova que “coisa de maluco” pode ter prazo de validade longo. Numa era em que músicas nascem e morrem no ciclo de um feed, a banda aposta na estrada, em cinco músicas novas e na força de um hit que resistiu ao tempo — às paradas, às copas e às palavras cruzadas do interior gaúcho. Se em 1997 o Jornal do Brasil já sabia quem eles eram, em 2026 o público vai ter a chance de redescobrir. E, quem sabe, confirmar que certas coisas — boas de verdade — só podem mesmo ser “coisa de maluco”.
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