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Em Carnaval consciente, CandyBox celebra a diversidade e traz mensagem de combate à depressão no primeiro camarote gay da Sapucaí: “Todos têm seu valor”, disse sócia

Além do engajamento, a noite de ontem foi marcada pela estreia do CandyBloco na Sapucaí. A novidade, que é fruto do camarote, foi criada há quatro meses e já havia reunido milhares de foliões nos pilotis do MAM. "Esta sexta-feira é uma celebração do que nós construímos nesses quatro meses”, disse Beni Falcone, vocalista do bloco"

Publicado em 10 de Fevereiro de 2018 | Por Julia Pimentel

Carnaval é um agito, Ao mesmo tempo temos cores, músicas, ritmos, danças, performances e muito alegria. Ontem, foi dia de darmos o start nessa loucura que tanto esperamos no melhor camarote da Sapucaí. O primeiro dia de desfiles da Série A do Rio de Janeiro foi acompanhado de dentro do CandyBox pelo site HT e por foliões de todo o Brasil e do mundo. Inclusive, foram os convidados estrangeiros os que mais comentaram e destacaram esta riqueza que é o Carnaval brasileiro. “Isso é muito divertido, louco e quente. Muito quente. Eu nunca vi algo parecido. Aqui temos música alta, muita gente pulando e uma temperatura inacreditável. Você não está com muito calor?”, questionou a chinesa Chaint na frisa do CandyBox.

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Ontem foi dia de CandyBox no start do Carnaval carioca (Foto: Julia Pimentel)

A verdade é que para nós o calor é apenas mais um adereço das fantasias da folia. E ontem foi dia de investir nos detalhes. Por mais um ano, a purpurina tem sido elemento quase obrigatório nas produções de Carnaval e no CandyBox não foi diferente. Seja em versões discreta ou em outras mais poderosas, o camarote da diversidade também foi palco para super maquiagens, como a da DJ Lela Gomes, que abriu os trabalhos na pista mais agitada da avenida. “Normalmente, nas ruas, eu ando igual trapo. Porém, quando eu vou tocar gosto de estar mais arrumadinha porque estamos levando alegria para a galera. Querendo ou não, todos param para olhar para a gente. Mas não é fácil estar assim. Estou indo embora mais cedo para conseguir tirar todo esse glitter e viajar para Salvador sem resquícios de hoje”, contou a DJ que buscou levar esse brilho também para a pista de dança. “Eu gosto muito e tocar músicas das drags, principalmente no CandyBox, porque é um camarote gay. Para nós que somos homossexuais, é importante e eu acho que esse momento da festa foi um aquecimento mais militante”, defendeu.

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Além de abrir a pista do CandyBox, Lela Gomes brilhou – literalmente – com sua produção ontem no camarote (Foto: Julia Pimentel)

Até porque o CandyBox é hoje um camarote da diversidade em todos os sentidos, inclusive dentro da comunidade LGBTQI. Entre música brasileira, reggaeton e eletrônico, o samba em sua mais pura essência também foi celebrado na noite passada. E em grande estilo, diga-se de passagem. O CandyBox deste ano foi ainda mais especial com a apresentação do CandyBloco fechando o dia de folia. “Eu considero essa noite como a do nascimento oficial do CandyBloco. Nós estamos desde outubro fazendo ensaios entre amigos e amigos de amigos e a resposta tem sido muito positiva. No último deles, reunimos uma multidão nos pilotis do MAM. Então, esta sexta-feira é uma celebração do que nós construímos nesses quatro meses”, disse Beni Falcone, vocalista do bloco.

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O CandyBox deste ano também foi marcado pela estreia do bloco comandado por Beni Falcone na Sapucaí (Foto: Julia Pimentel)

No entanto, se o bloco é uma construção de quatro meses nos bastidores do CandyBox, o camarote é um diamante que está sendo lapidado há anos. A cada Carnaval, este é um espaço que se consolida como território da alegria sem preconceito e, cada vez mais, com engajamento. Em 2018, o CandyBloco se vestiu de amor para destacar uma campanha na luta contra a depressão e estampou a camisa “Ninguém Substitui Você” como o lema do dia. “Todo ano a gente apoia uma causa e esta frase representa muita coisa. Atrás de “Ninguém substitui você” temos o combate à depressão e a valorização dos likes. Ninguém vale uma curtida a mais ou a menos na internet. As pessoas são seres humanos, todos têm seu valor e, por isso, são insubstituíveis”, comentou Marcela Souza, uma das sócias do CandyBox.

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As camisas deste ano do CandyBox estampavam a frase “Ninguém substitui você” (Foto: Julia Pimentel)

E este tempero colocado na receita do camarote é sentido por quem curte a festa. Em seu primeiro Carnaval em solo carioca, João Neto, de Recife, destacou o bem-estar coletivo dentro do CandyBox. “Eu acho que nós precisamos de muito mais espaços como esse. Aqui é um evento que abraça a diversidade, tem uma super estrutura e eu amei. Já me falavam que era muito bom e agora estou comprovando tudo isso”, disse o folião que já deu adeus ao frevo do Nordeste. “Eu deixei Olinda para vir para cá e estou adorando a festa. Já quero mais e ano que vem estou de volta”, contou.

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O camarote reuniu milhares de pessoas do Brasil e do mundo em mais um Carnaval de Sucesso (Foto: Julia Pimentel)

Outro ponto que também foi destacado neste clima proporcionado pelo CandyBox foi em relação às mulheres. Ontem, o camarote dedicado à comunidade LGBTQI era dominado pelo público masculino com outro tipo de comportamento. “Em festas hétero, os caras ficam puxando a gente e isso é muito desagradável. Aqui estou com o meu namorado e está ótimo, não tive problemas e isso é muito bom. Me sinto melhor”, relatou Marina Pires em sua primeira experiência no CandyBox. Com tantos motivos positivos, difícil seria não ser um sucesso. Vamos que hoje começa o Folia Tropical!

Serviço: FOLIA TROPICAL 2018
– Localizado no setor 6, no meio da avenida com 2 mil m² divididos em Frisa, Espaço Beleza, Espaço Zen, Boate, Lounge.
– Open Bar ( Vodka Absolut, Wisky Chivas 12 anos, Gin Beefather, Espumante, Cerveja Amstel, Red Bull, Drinks variados, Aperol, Cachaça )
– Open Food ( buffet Laguiole com comida o tempo todo, jantar e café da manhã)
– Transfer de ida e volta saindo da lagoa do Clube Monte Libano.
– Shows:
Domingo – Alexandre Pires
Segunda – Maria Rita
Campeãs – Zeca Pagodinho e Alcione

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