*por Vítor Antunes
Diversidade e multiplicidade são palavras que são sinônimos do trabalho de Marília Toledo. Ela é o nome por trás de ao menos duas montagens que encenam figuras libertárias da cultura brasileira. Gal Costa (1945-2022) e Ney Matogrosso. A primeira, em “Gal, o Musical”; o segundo, em “Ney Matogrosso, Homem com H”. Em um meio ainda majoritariamente masculino, Toledo se afirma como uma das poucas autoras a ocupar esse espaço, onde o machismo e a misoginia seguem como ruído de fundo constante. Ela não contorna o assunto. “O machismo e a misoginia são evidentes. Eu não conheço nenhuma mulher que nunca tenha passado por um episódio de machismo e misoginia em qualquer mercado. Não é só no mercado de audiovisual ou de teatro, de artes cênicas. É generalizado”.
A gente vive, sim, num país, numa sociedade extremamente patriarcal, e isso está explícito de diversas maneiras, então a gente lida com isso e combate isso cotidianamente – Marília Toledo
Esse embate atravessa “Gal, o Musical“, que se ancora em uma leitura assumidamente feminista da artista. “É uma peça com uma abordagem bastante feminista e feminina pelo fato de a gente tratar do inconsciente da Gal Costa. Então, de diversas maneiras, a gente aborda o fato de quanto, para as mulheres, o mundo patriarcal é mais complicado. O mundo exige mais das mulheres do que dos homens. Então, a gente fala bastante disso e fala como a Gal foi fundamental para romper padrões e ser uma bandeira de uma mulher bastante livre na maneira de se vestir, de se comportar em cena, no palco e na própria vida”.
Em cartaz até 10 de maio, o espetáculo aposta na emoção como eixo. “Acho que o público pode esperar bastante emoção no musical da Gal. As pessoas se emocionam muito pela maneira como a gente contou a história, pela maneira como tanto a Walérie Gondim como a Bárbara Férre estão conduzindo a interpretação da personagem, músicas icônicas, músicas não tão conhecidas, que ajudam muito a gente a contar essa história. A principal reação tem sido emoção”.

Marília Toledo é o nome por trás de diversos projetos teatrais (Foto: Caio Galucci)
Atualmente, Marília Toledo mantém duas frentes abertas. Em São Paulo, segue com “Ney Matogrosso, Homem com H”, do qual é uma das autoras e diretoras. No Rio, assina “O Adorável Trapalhão”, sobre Renato Aragão. Ao falar dos critérios de escolha, a lógica mistura afinidade e circunstância. “O Ney Matogrosso, Homem com H e Gal Costa eu escolhi por afinidade com essas personalidades. O Ney e a Gal por uma afinidade artística e de repertório musical. No caso do Renato Aragão, foi um convite. O Rafael Aragão me convidou para escrever esse musical do Renato Aragão, então foi um grande prazer. E também entra nessa mesma abordagem que eu falei do Silvio Santos. Renato também teve uma importância muito gigantesca para a formação da comunicação, da cultura do nosso país. Então, esses dois primeiros eu escolhi e Renato fui convidada”.
A partir do momento que você adapta uma autobiografia, é a visão da pessoa sobre ela mesma e, sem dúvida, trabalhar com a doutrina da Universal tem seus desafios, mas, profissionalmente, pra mim, foi muito interessante fazer um filme gigante que foi filmado não só no Brasil, mas em Israel e na África do Sul – Marília Toledo
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