Cinema & TV

Tatá Werneck é a primeira mulher a comandar um late night na TV brasileira por assinatura

Dia 10 de abril estreia ‘Lady Night’ no Multishow. No programa, convidados ilustres como Claudia Leite, Anitta e Maria Gadú são os verdadeiros protagonistas desse show de humor

Publicado em 5 de abril de 2017 | Por Ana Clara Xavier

(Foto: Gianne Carvalho)

“Se houvesse um incêndio na Globo, estávamos ferrados”, brincou o comediante Marco Gonçalves que faz parte da equipe de humoristas do talk show ‘Lady Night’ com a apresentadora e atriz Tatá Werneck e o humorista Daniel Furlan. Marco explicou que a equipe de bombeiros da emissora se concentrava nas coxias para ver uma prévia do programa que vai estrear dia 10 de abril no Multishow. O show será o primeiro late night comandado por uma mulher na tv brasileira por assinatura. Além do espírito irreverente de Tatá, a programação conta com vários quadros inusitados como ‘batalhas de rimas’ e ‘entrevista com o meu pai’. Alguns episódios recebem esquetes teatrais para fazer o público chorar de rir. Diferentemente de outros programas do canal, este foi feito nos estúdios Globo o que contribuiu para um aumento na qualidade audiovisual.

“A Tatá só foi se aprimorando como apresentadora. Ela se dedicou muito nesse projeto, desde o começo até agora na edição. Comparado com outros talk show, é bom ver como os convidados se divertem. Ela consegue extrair respostas e reações muito puras. A Tatá Werneck é um grande diferencial”, afirmou a diretora geral do programa Elisabetta Zenatti.

A apresentadora Tatá Werneck beija seu pai Alberto Arguelhes (Foto: Ana Clara Xavier)

Durante toda a temporada, o público vai poder conhecer o pai da apresentadora, Alberto Arguelhes. Ele já apareceu outras vezes na telinha em ‘O estranho show de Renatinho’ e não podia ficar de fora. “A Tatá com três anos já demonstrava essa espontaneidade. A gente demorou para entender que tínhamos uma alma de artista em casa. Sempre fui muito tímido e, participando do Lady Night, eu usava muito o improviso. Foi bem complicado, mas tive que me acostumar”, destaca Alberto ao que Tatá rebate: “O meu pai consegue me deixar muito inibida. Ele é super coruja. Quando me olha, parece que está acontecendo um atentado ao meu redor (risos). Assistiu todas as minhas peças, todas as seções. Uma vez pedi para ele não ir e, no final, disse que tinha gostado muito. Perguntei ‘como você sabe? ’ e o Alberto respondeu que estava escutando atrás da porta”.

A grande dificuldade na hora da roteirização era a busca pelo diferente. Pensando nisso, o talk show possui monólogos exclusivos da apresentadora e músicas criadas exclusivamente para cada convidado. “Mas vimos também que precisaríamos deixar os elementos clichês desse tipo de televisão porque realmente funcionam”, explicou Tatá.

(Foto: Gianne Carvalho)

“Muita coisa era decidida em cima da hora e esse era o propósito. Pensando nisso, não gravávamos quadro a quadro com interrupções. Era como se fosse uma grande peça de teatro. A Tatá, quando começa a entrevista, vai disparando novidades. Tentávamos fazer tudo antes no roteiro, mas o programa final tinha vários imprevistos diferentes. Claro que a gente refazia algumas coisas. Mas 90% do programa foi ao vivo”, contou o diretor Rogerio Farah.

Para o diretor artístico Pedro Antonio era muito importante que os entrevistados fossem destacados. A ideia era conversar com convidado de forma natural para conhece-lo melhor e, ao mesmo tempo, inserir situações de humor. Tatá chegou a fazer aulas de sapateado para dançar com um convidado. “A gente criou coragem de perguntar coisas, que as pessoas geralmente não têm a audácia. Criamos um ambiente de tanta intimidade que quando vimos a Sandy estava falando de depilação. Em tudo pela audiência a pessoa saia de lá direto para a terapia. (risos) Aqui, a gente queria que todos se sentissem à vontade. Além disso, queríamos conhecer a história dos nossos personagens e não simplesmente fazer piada. Ficamos muito surpresos em alguns momentos. O Catra, por exemplo, fez a gente chorar ao contar a relação que ele tem com o pai adotivo. Foi algo tão genuíno e latente”, contou a apresentadora.

Diretores, roteiristas e equipe de humoristas do “Lady Night” se reunem na coletiva de imprensa para divulgar o programa (Foto: Ana Clara Xavier)

Em mais de um mês de gravação, Tatá recepcionou mais de vinte e cinco convidados. Entre eles a atriz Bruna Marquezine, o padre Fábio de Melo e a cantora Sandy. “Eu sou muito fã de todos os convidados. Mas eu sempre fui fã da Sandy, daquelas de perseguir o carro. Então, quando eu a vi ali me dando uma entrevista foi legal. Chorei muito antes de começar. Ela me deu um convite vip vitalício que significa que eu posso ir em qualquer show que eu quiser para sempre o que me relembrou quando eu era mais nova, pedido dinheiro aos meus pais para ir a um único concerto (risos). Foi a entrevista que mais me marcou”, confessou.

No entanto, o momento de entrevistar o padre Fábio de Melo foi complicado. A equipe precisou vetar algumas propostas de quadros por ele ser um membro da igreja. “Precisávamos nos lembrar que ele é um padre com uma linguagem bastante acessível. Eu sou muito religiosa e muito amiga do padre Omar, por exemplo. Pensei em chamar os dois e fazer uma disputa de padres, um rap de salmos”, brincou a apresentadora. A exposição poderia ofender o religioso. “No entanto, o padre disse que gostava muito do pequeno príncipe. Então, o Marco pensou em colocar um ator vestido de deste personagem no quadro. Eu não gostei da ideia, mas foi voto vencido. O olhar do padre vendo aquela cena nunca vou esquecer (risos). Isso virou código. Todas as ideias que achávamos que não iria funcionar a gente dizia ‘isso me cheira a pequeno principe’”.

Tata com Bruna Marquezine em Lady Night (Foto: Gianne Carvalho)

Uma exclusividade desse talk show foi criar músicas autorais para cada convidado. Marco Gonçalves conta que muitos destes estilos de programa produzem paródias para que o público se identifique com o quadro. Mas o ‘Lady night’ resolveu fazer suas próprias canções.

O programa é recheado de improvisos. O roteiro, por exemplo, era enviado a Tatá um dia antes da gravação. A apresentadora gravava uma prévia da sua leitura, pois nesse momento várias frases e elementos novos eram inseridos por ela. No dia seguinte, um membro da equipe transcrevia este novo guia oficial do episódio. A proposta era que o produto final fosse sempre atualizado e com as ideias de todos. “A gente fazia as músicas, por exemplo, antes da pessoa chegar. Eu almoçava enquanto iamos criando. Eu, Marco e o músico da banda Dudu Oliveira. Elas foram feitas com a benção de Deus (risos). Mas não acho que isso prejudicou a qualidade. No final, a gente sempre ficava com uma parte na cabeça”, confessou Tatá.

Marco Gonçalves, Tatá Werneck e Daniel Furlan compõe o time de humoristas do programa (Foto: Ana Clara Xavier)

A espontaneidade não parou por ai. Em cada um dos vinte e cinco episódios, a apresentadora começava de várias formas diferentes. Uma delas foi o dia que seu pai compôs uma música para ela com o intuito de deixá-la envergonhada. “Tive que criar e decorar a música em dez minutos”, confessou Alberto e logo complementa. “Era mais ou menos assim: O lady night tá começando/ O lady night tá chegando/ O lady night tá startando/ E tá chegando pra mostrar/ Vem pra cá Tatá Werneck / Porque aqui é o seu lugar! ”.

Ainda não chegou o dia da estreia, mas a segunda temporada já está garantida na grade da emissora. “Acredito que esse vai ser um programa que a Tatá Werneck vai fazer por um longo período da vida, porque ela foi colocada no lugar que deve estar. É uma mente brilhante do humor, uma unanimidade. É uma coisa até difícil achar”, afirmou Pedro Antonio.

Foi o primeiro projeto, desde 2013, que a atriz e apresentadora conseguiu se dedicar exclusivamente. Em ‘Tudo pela audiência’, por exemplo, Tatá estava gravando uma novela na Globo também, o que impossibilitava a atriz de focar apenas no programa. “Em ‘Lady Night’ queria participar de tudo. Até porque acho que eu entendo mais fazendo do que lendo”, explicou.

Tatá Werneck, que começou sua carreira na MTV, se encontrou, de fato, como apresentadora, no Multishow. Depois de tantos programas no canal, diz se sentir parte dele. “Eu me sinto inserida no canal. Acho que em poucas vezes um fiquei tão feliz fazendo algo. O multishow deu todo o suporte. Me senti uma estrela”, contou.

Apesar de ser a primeira apresentadora de talk show, Tatá não considera esse fato tão importante. “No início, sofria muito preconceito por ser a única mulher fazendo rimas no programa da MTV. Sempre queriam me colocar de saia. Eu colocava uma calça larga e me metia no meio dos caras. Meu olhar feminino tem também uma parte masculina. Não quero me colocar como a primeira mulher que entrevista. Apenas como uma entrevistadora. Posso não ter uma forma convencional, mas é o jeito que eu consegui e não fui presa ainda há trinta e três anos”, brincou. Ao ver o cenário pronto, ficou emocionada pelo cuidado da produção em fazer algo que fosse muito parecido com ela. Coisas de Tatá.

(Foto: Ana Clara Xavier)

 

Pesquisas relacionadas

close-link