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Seu Jorge e Selton Mello voltam a atuar juntos no filme SOUNDTRACK que chega hoje aos cinemas com atores nacionais e internacionais

Depois de trabalharem juntos em Tarantino's Mind, Seu Jorge e Selton Mello atuam em SOUNDTRACK com uma fotografia diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil. A história se passa no Ártico, mas foi filmada no Rio de Janeiro

Publicado em 6 de julho de 2017 | Por Ana Clara Xavier

Poucas pessoas se aventuram a passear pelo Ártico, mas atire a primeira pedra quem não tem curiosidade de conhecer um pouquinho mais deste universo. Selton Mello e Seu Jorge tiveram a oportunidade de conhecer um pouquinho mais do frio polar sem sair do Rio de Janeiro. No filme ‘SOUNDTRACK’, os brasileiros terão a oportunidade de ver uma fotografia diferente das que estamos acostumados no cinema nacional. O roteiro da dupla Manitou Felipe e Bernardo Dutra, conhecidos pelo codinome 300ml, se passa em uma estação de pesquisa no Ártico que reúne cientistas de vários lugares do mundo. Os estudiosos começam a questionar seu valor com a chegada de um fotógrafo que pretendia capturar os momentos de sua aventura no gelo. Apesar de se passar neste contexto geográfico, as gravações foram feitas em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, devido à crise. “No início, nossa proposta era ir para a Islândia mesmo, no entanto, a situação econômica se agravou no Brasil fazendo com que o nosso orçamento enxugasse, porque o dólar disparou. Acabamos arrumando um jeito de fazer e o resultado final foi valioso. Inicialmente, gravar no Rio foi um desafio, mas ter gravado aqui mostrou o quanto a equipe cinematográfica brasileira tem qualidade devido aos efeitos utilizados durante as filmagens e na pós-produção. Os caras são geniais. Para mim, particularmente, foi até melhor filmar aqui por não estar adaptado ao frio e neve”, comentou Seu Jorge que atua como um dos cientistas da base de pesquisa. Durante as gravações, foram mais de três toneladas de flocos brancos sintéticos para cobrir o chão.

O fato de ser passar no Ártico aguçou a curiosidade dos dois atores brasileiros e fez com que a vontade de fazer um bom papel aumentasse. A ideia era levar os espectadores a um lugar que não convivem. Além de investir em efeitos cinematográficos, para que a produção fosse verídica era preciso que os atores se transportassem para aquele ambiente. “Você tem que imaginar que está naquele lugar de neve e gelo, então foi muito legal poder exercitar este meu lado. Essa é uma das melhores coisas da minha profissão. Passamos o dia dentro do estúdio, sem ver a luz do sol, mas mesmo assim não tivemos a sensação de estarmos trancado em uma caixa devido ao tamanho do lugar onde gravamos. O filme tinha uma proposta de relação muito íntima entre os personagens e esse enclausuramento acabou facilitando nossa proximidade”, informou Selton que faz o artista cujas fotos são de Oskar Metsavaht.

Além da proposta instigante de cenário, o longa foi filmado em inglês com alguns breves verbetes usados em português nas conversas de Seu Jorge e Selton. A maioria do elenco, na verdade, não era brasileira. Entre os atores estão o britânico Ralph Ineson que vive um especialista em aquecimento global, o dinamarquês Thomas Chaanhing que faz um biólogo chinês e sueco Lukas Loughran que atua como um pesquisador dinamarquês. “São ótimos atores, especialmente, o Ralph. Maravilhoso ator britânico que fez minha passagem neste filme ser ainda mais entusiasmante”, afirmou Selton. Apesar de ser em outra língua, Seu Jorge contou que isto não foi um problema para ele como ator. “Existia uma diferença cultural e linguística grande entre nós, mas não foi difícil fazer um filme em outra língua. Na verdade, foi tão natural que só lemos o roteiro todos juntos uma vez”, informou Seu Jorge durante a estreia que rolou ontem no Kinoplex Shopping Leblon.

Selton Mello na estreia de Soundtrack (Foto: AgNews/Anderson Borde)

O roteiro foi um dos elementos que mais incentivou os atores a fazer o filme. Com a chegada do fotógrafo Cris, o papel das artes e da ciência começam a ser questionados já que o mesmo acredita que seu trabalho é inferior ao dos pesquisadores. “O longa é uma grande homenagem às artes e às ciências. Um julga o trabalho do outro, mas, ao longo da trama, começam a ver beleza no que o outro faz. Acaba trazendo uma ideia de tolerância”, sugeriu Selton.

A atriz de Novo Mundo, Agatha Moreira, foi conferir o filme (Foto: AgNews Anderson Borde)

Seu Jorge considera, assim como o colega de elenco, que a mensagem passada no roteiro é muito instigante e necessária. “Todos os personagens contribuem, de certa forma, para mostrar o que queremos passar. Falamos da ética que acreditamos ser uma fonte de preservação da pessoa e do mundo ao redor. Fé, religião, ciência e arte se misturam para ser discutido o papel de cada uma e o que influencia nas pessoas”, incentivou Seu Jorge.

Seu Jorge no tapete vermelho de Soundtrack(Foto: AgNews Anderson Borde)

Apesar de questionar a ética, o ator não vê uma relação direta do filme com a corrupção no país. No entanto, Seu Jorge soltou o verbo e criticou a estrutura política atual. “O lado ocidental do mundo tem buscado um posicionamento voltado para extrema direita. Acho importante que a gente, neste contexto, lute pela democracia que está virando uma piada. Em países muito populosos é muito difícil fazer com que esta forma de governo perdure”, sinalizou. O Brasil é um dos maiores países do mundo e, segundo Seu Joge, é preciso reavaliar a forma que estamos gerindo o país. “O Brasil precisa explorar direito os seus recursos e possibilidades. Somos um país continental com 200 milhões de pessoas que fazem parte de uma massa trabalhadora muito grande. Não é aceitável que estejamos nesta situação, não aceito a negligencia sobre a educação. Temos tantas particularidades interessantes que sinto que o mundo inteiro está torcendo pela gente. Há corrupção na África, na Itália e em vários outros países”, criticou o ator que está morando, atualmente, em Los Angeles.

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