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Renato Góes fala sobre a verdadeira razão que o levou a sair da nova novela das 7 e comenta sobre o filme Legalize Já

Em meio à divulgação do longa Legalize Já, que conta a história da banda Planet Hemp, que tinha Marcelo D2 como líder, Renato analisa atual situação do país

Publicado em 11 de outubro de 2017 | Por Ana Clara Xavier

A nova novela das sete, Deus Salve O Rei, tem estreia prevista para o dia 9 de janeiro e terá uma narrativa que se passa na época medieval, escrita por Daniel Adjafre.  A história conta com a presença de Bruna Marquezine atuando como sua primeira grande vilã. Além disso, Marina Ruy Barbosa, Tatá Werneck e Johnny Massaro também fazem parte da novela. As gravações já começaram, mas devido alguns problemas internos algumas cenas foram jogadas fora. Isto porque, no primeiro dia das filmagens, Renato Góes foi tirado do elenco por decisão da emissora. O ator havia sido escalado para o papel principal da trama dirigida por Fabrício Mamberti.  “Saiu a notícia do que tinha acontecido e as pessoas começaram a falar sobre brigas com diretores e algo parecido. As coisas lá dentro foram claras para mim, estou na Globo há 11 anos e as mudanças sempre são positivas e em benefício do grupo. Vai ser assim que continuará ocorrendo”, garantiu o ator.

Renato confirmou que recebeu a decisão da emissora logo no primeiro dia de filmagens. Mesmo assim ele já havia gravado algumas cenas e se preparava para umas férias rápidas antes de focar unicamente na trama. “Cheguei a gravar algumas cenas, mas a notícia veio logo no primeiro dia. Estava saindo do set para mais umas férias. Me chamaram para falar sobre o assunto. Falaram que eu havia emendado três protagonistas e este seria o quarto, sendo assim, destacaram a importância de descansar e já conversamos sobre próximos projetos. Por isso acharam que seria melhor que eu saísse. É uma estratégia minha e da casa. Foram escolhas artísticas”, informou o ator. Rômulo Estrela assumiu o posto de protagonista ao lado de Marina Ruy Barbosa. Apesar de saber que foi uma estratégia da Globo, o ator lamentou ter se afastado do personagem: “Fiquei triste porque é fogo, né? Claro que sei que vai ser melhor para mim, estas escolhas nunca vão ser para prejudicar o ator. No entanto, eu já estava mergulhado no personagem, logo, sinto saudades”.

(Foto: Ruano Carneiro/R2)

Renato Góes fará Marcelo D2 (Foto: Ruano Carneiro/R2)

Entre o protagonismo na novela Velho Chico e a série Os Dias Eram Assim, o ator se dedicou a ser o personagem principal do filme Legalize Já, no ano passado. Na semana passada, ele festejou a estreia do filme onde faz o cantor Marcelo D2. Durante o laboratório, Renato teve a experiência de vender em um camelódromo e andar pelo bairro onde o artista nasceu. O longa traz a história da banda Planet Hemp formada pelo cantor e pelo amigo Skunk, nos anos 90. Como o ator era um adolescente nesta época, venerava o conjunto e destacou a importância social que eles representaram na sua vida. “O adolescente tinha que identificar o que servia na sua vida e o que eu identifiquei era a ideia de quebra de paradigmas. Era necessário vencer barreiras sobre assuntos que havia a dificuldade de conversar e como rebater os contrapontos. Fizeram parte da minha infância, musicalmente e intelectualmente”, contou.

O enredo do filme remete a diversas polêmicas, principalmente, porque Marcelo D2 sempre levantou bandeira muito questionadas pela população conservadora. Renato destacou a importância de divulgar esta narrativa justamente em um momento repleto de crises políticas e sociais. “Estamos gritando pela liberdade, pedindo volta a um tempo que se podia falar. Há alguns anos, não estávamos no caminho certo, mas acho que podíamos mais do que agora. Atualmente, estamos sendo censurado pelas nossas vontades. O nosso legalize já é no sentido de abrir os olhos e sairmos do buraco retrógrado”, criticou.

Marcelo D2 ao lado de Ícaro Silva que faz o Skunk no filme (Foto: Ruano Carneiro/R2)

Simultaneamente a esta crítica, o título remete a luta a favor da legalização da maconha, apesar desta não ser a intenção da equipe. Segundo Renato, no Brasil que existe hoje, não existe espaço para discutir se concordamos ou não com a venda de drogas. “Nunca parei para pensar se concordo ou não com a legalização. Sei que alguns países usam para fins medicinais e ela pode significar um espaço na indústria, no entanto, acho que estamos tão atrasados em inúmeras questões. Com base na forma como Brasil discute arte, como vamos fazer para discutir a legalidade das drogas? Se não temos cabeça para defender algo óbvio e simples, não tem como discutirmos algo que é um paradoxo. Quando formos capazes de discutir qualquer tipo de coisa, ai sim estaremos prontos para falar sobre legalização”, lamentou o ator.

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