Pedro Lamin fala sobre personagem polêmico que se autoflagela em Sob Pressão e da relação com seu par romântica Marjorie Estiano na nova série da Globo


O ator tem apenas 28 anos e descobriu sua vocação com 21, quando assistiu pela primeira vez uma peça de teatro

Segundo o dicionário, mutilar é o ato ou efeito de cortar, destruir uma parte. Não existem estatísticas oficiais sobre o número de brasileiros que o fazem, mas, de acordo com a reportagem do Fantástico, do ano passado, cerca de 20% dos jovens sofrem deste tipo de distúrbio causado por inúmeros problemas psicológicos como ansiedade, bipolaridade e depressão. Pedro Lamin se dedicou à pesquisa destes casos e doenças para compor o seu personagem na nova série da Globo, Sob Pressão. O programa que estreou no dia 25 de julho, mostra um pouco da realidade da saúde pública no país e os desafios que os médicos passam todos os dias. Na trama, o papel de Pedro é de um paciente do hospital que se mutila constantemente e é atendido por Carolina, interpretada por Marjorie Estiano. A doutora se identifica com Téo por sofrer do mesmo problema e ambos acabam se relacionando. “Precisei entender essas pessoas e saber que o autoflagelo também pode ser uma forma de comunicação, pois podem se machucar para tentar aliviar as dores internas. Quando recebi o roteiro, não havia uma especificação do por que o meu personagem tinha esse comportamento, ele já chega machucado no hospital para avaliação dos médicos. Por isso, precisei investigar sobre vários transtornos diferentes e, assim, buscar razões dentro de mim para que isso acontecesse. Assisti filmes e séries sobre o tema, li artigos e conversei com amigo. Foi o personagem mais difícil que já fiz e muito gostoso, ao mesmo tempo”, explicou Pedro.

Pedro precisou entender o que se passava na mente e no coração de pessoas que sofrem este distúrbio (Foto: Thiago de Lucena)

O autoflagelo é um distúrbio pouco comentado pelas pessoas nas redes sociais ou nos canais de TV, no entanto não significa que não exista. Os pacientes que sofrem deste problema não têm a intenção de se suicidar, apenas de aliviar parte da dor que estão sentindo. Uma lâmina de barbear, facas, tesouras ou mordidas, tudo isto significa um meio de escape. No entanto, estudiosos deixam claro que tais machucados não são uma forma de chamar atenção, apenas uma simples forma de controlar as emoções. “Acho que existe um preconceito enorme por ser complicado de entender a cabeça dessas pessoas. Grande parte questiona a automutilação e acaba não ajudando, até porque o público que sofre deste problema, em sua maioria, é adolescente. É importante entender como eles pensam e o que vivem nas escolas. A galera está mais preocupada em ver uma causa só, em vez de buscar nas camadas de cada um. As instituições e pais precisam prestar atenção em como agem, é preciso uma assistência com mais cautela e delicadeza. Como cidadãos, temos que lutar pelos nossos direitos”, afirmou Pedro que acredita ser necessário mais atuação do estado nesses casos.

Seu par romântico será vivido por Marjorie Estiano (Foto: Thiago de Lucena)

Além de Pedro, Marjorie Estiano também vive um personagem que se autoflagela constantemente. A atriz ficou um tempo longe de papéis principais nas telinhas, com rápidas aparições em Império, por exemplo. Desde o ano passado, ela teve maior destaque na série Justiça e, agora, em Sob Pressão. É a segunda vez que a mesma contracena com seu par romântico. “Fiz Justiça com a Marjorie. Ela é muito inteligente, intuitiva, estudiosa e generosa. Não temos muito contato fora das gravações, infelizmente, mas sei que é uma pessoa muito legal e está sendo um prazer trabalhar com ela”, contou o ator.

Além dos inúmeros estudos para construir um personagem tão complexo como o Téo, Pedro decidiu se dedicar aos esportes para melhorar o físico para as filmagens, já finalizadas. “Ao ler o roteiro, senti que ele era vaidoso e acabou sendo uma escolha minha ter um corpo melhor. Sempre mantive a rotina de me exercitar, corro no mínimo três vezes por semana. Sinto que necessito praticar alguma coisa. Para o personagem, fui a uma nutricionista que fez uma dieta para me ajudar a me alimentar melhor. Esta foi a única mudança que tive na minha rotina alimentar e que acabou ficando depois que acabaram as gravações”, informou. Antes de se tornar um ator, o rapaz foi por muito tempo jogador de futebol em Petrópolis e acabou mantendo a paixão pelo exercício. Atualmente, treinar ainda é muito importante para ele que se dedica a aulas de Crossfit e meditação.

Justiça e Sob Pressão não foram as primeiras aparições do rapaz nas telinhas. O mesmo atuou na série do Fantástico baseada no livro infanto-juvenil Não Se Apega Não, da autora Isabela Freitas. O público também pode encontrar a atuação de Pedro na novela Sete Vidas, também da rede Globo. Devido a versatilidade de programas, o ator falou um pouco sobre a facilidade que vê em atuar em séries. “ Cada um tem a sua função o que acaba sendo mais fácil de trabalhar”, explicou.

O rapaz já fez um filme que estreou em Nova York (Foto: Thiago de Lucena)

Pedro Lamin também trabalhou nas telonas com um de seus filmes tendo sido lançado em Nova York, The Birth Of Legend, em homenagem ao Pelé. “Foi filmado a quatro anos atrás, como figuração. Em um dos momentos, o diretor  me pediu que fizesse uma atuação e contei a ele que sou ator. Acabou me mudando de função e me dando um papel”, relembrou. O curta Shot, no qual o mesmo também atuou, foi indicado pela PUC-Rio ao Festival Internacional de Curtas Universitários. Apesar de uma lista que sugere até mesmo uma carreira internacional, Pedro no momento está mais preocupado em focar na série que acabou de produzir e conferir a reação do público sobre isso. “No momento estou vivendo a série e assistindo para ver se iria passar toda a emoção que achava que seria. Estou satisfeito com o resultado”, contou Pedro.

No teatro, Pedro também marca presença o que é contraditório tendo em vista que, até os 21 anos, ele nunca havia assistido uma peça. Foram os palcos que incentivaram o rapaz a ser quem ele é hoje e por isso o carinho do ator pelo ambiente. “Minha família não tinha o costume de ir ao teatro então acabei não frequentando. Fui morar com um ator, a peça dele estava em cartaz e resolvi conferir. Me emocionei e tive uma sensação incrível. Entendi que queria passar aqueles sentimentos nas pessoas, porque percebi o quanto era importante para a cultura”, lembrou. Desde então, sete anos depois, o galã tem se dedicado aos estudos no ramo tendo começado os estudos no Curso de Formação NuEspaço, em 2012, e a formação com a atriz Miwa Ynagizawa e o preparador de atores Sérgio Penna.