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“Os Dias Eram Assim” tem festa de lançamento com exposição fotográfica no CCBB e resgate da memória nacional

A supersérie será exibida na faixa das 23h e abordará um dos períodos mais violentos e sombrios da história desse país de forma realista.

Publicado em 7 de abril de 2017 | Por Rodrigo Cohen

Parece que vem mais sucesso por aí! Nessa semana rolou  o lançamento da nova supersérie da Rede Globo chamada “Os Dias Eram Assim”. Ocupando a faixa das 23h, a trama vai abordar o período entre 1970 e 1984 mostrando a época da ditadura militar. A festa ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, em meio a uma exposição fotográfica com imagens históricas sobre os conturbados tempos que serão apresentados. Entre os presentes estavam Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Maria Casadevall, Marcos Palmeira, Letícia Spiller, Caio Blat, Antonio Calloni e Susana Vieira.

O enredo se desenvolve a partir da história de amor de Alice (Sophie Charlotte), uma jovem filha de pais conservadores e apoiadores do regime militar, e Renato (Renato Góes), jovem médico que se descobre tendo que fugir da perseguição para evitar um destino trágico. Aproveitando o horário de exibição, “Os Dias Eram Assim” não vai poupar os espectadores de enfrentarem visualmente as torturas e violências que a população passava durante um dos piores e mais críticos momentos da história do país.

Vestindo seu macacão Hugo Boss e com acessórios Gucci, Sophie falou um pouco do que a Alice representa: “Ela é uma menina que aponta para o futuro. O exemplo dela é a Leila Diniz. Ela quer se libertar, ela quer romper com certos padrões, mas ela ainda é uma garota de 18 anos na década de 70 de uma família conservadora. Então, ela ainda não consegue lidar com tudo isso, principalmente pela velocidade dos acontecimentos. Muita coisa atravessa o caminho de libertação dela e dura mais de uma década para essa trajetória. É a história de uma mulher que tenta se libertar, se reinventar e se empoderar.”

Mas muitas histórias de amor tem seu caminho conturbado. Depois de ser exilado, Renato conhecerá Rimena (Maria Casadevall) no Chile e juntos formarão uma família. Sendo o outro elo feminino desse triângulo amoroso que está criado, Maria encarna uma envolvente e apaixonante mulher. “Ela é apaixonada pela vida no geral. Ela se apaixona pelo Renato e ele por ela, mas no início ele ainda reprime muito esse sentimento já que deixou um amor aqui no Brasil. Depois de algumas mentiras e planos tramados para que ele e a Alice sejam separados, ele acaba sendo obrigado a desistir desse amor e se abre para a Rimena. Eles tem muita afinidade. Os dois são médicos e percorrem o mundo em missões humanitárias”, explicou.

Voltando ao Brasil e à resistência política, Caio Blat viverá um dos mais radicais revoltados com a situação do país: “Ele se chama Túlio e é um ativista político que está partindo para ações mais violentas e armadas. Ele arrasta o personagem do Gabriel Leone para uma ação dessas onde ele arremessa uma bomba dentro de uma empresa e acaba sendo preso e torturado. Isso vai gerar consequências para o personagem do Gabriel durante os outros 100 episódios. É tudo muito rápido e muito intenso. Esse horário nós podemos trabalhar de forma realista e mostrar como realmente foi a história. A cenografia e a maquiagem estão ajudando muito”, completou.

A atriz Susana Vieira, no ar atualmente na reprise de “Senhora do Destino”, comentou sobre o desafio de criar um novo personagem enquanto um dos mais marcantes da sua carreira está sendo reexibido: “É um exercício muito bom, muito importante e muito difícil. Eu só estou achando fácil porque os diretores são inacreditáveis e eles estão tirando a dificuldade. Era uma mulher chique, usava a bolsa de uma forma diferente. Eu e Natália (do Vale) ficamos horrorizadas quando vimos as roupas. A dificuldade continua. Eu ainda não estou perfeita, eu costumo ficar perfeita em um mês ou dois meses de novela. Se fosse uma vilã atual, era uma coisa, mas sendo de época eu não posso falar alto e nem gesticular. Quase que eu falei ‘Chama outra atriz’”, brincou.


A grande personificação da ditadura vem na figura de Arnaldo (Antonio Calloni), o pai de Alice. Em contrapartida, Marcos Palmeira vive o irmão de Calloni e apresenta uma postura completamente oposta. “Ele é o bonzinho, é o ético. Ele não consegue admitir a ditadura, não consegue entender aquela situação”, afirmou Palmeira. Já Letícia Spiller viverá Monique, casada com o personagem de Marcos: “A Monique sofre as consequências desse sistema dentro das proporções dela. Ela é uma vanguardista, não é uma mulher boba, não concorda com a ditadura, não concorda com o irmão do marido dela. Ela não tem nada a ver com aquilo. Ela representa a sociedade civil que não ia para a rua, mas não concordava com o regime.”

“Fazer um trabalho desses é quase como um namoro. Leva um tempo para nascer, tem que deixar o coração bater e vai encontrando algumas surpresas boas. A gente está fazendo um trabalho que fala sobre o ser humano. É sobre desejos, conquistas, liberdade. É tudo o que nós somos, nada mais do que isso. ‘Os Dias Eram Assim’ reflete isso. É um nome simples, mas que me inspira muito. Os atores e atrizes são as minhas inspirações diárias. Eu penso em uma coisa e eles me entregam outra. É muito rico. É um trabalho que a gente vai aprendendo o tempo inteiro” afirmou o diretor geral CarlosAraújo.

Assinada por Alessandra Poggi e Angela Chaves,‘Os Dias Eram Assim’ está marcada para estrear no dia 17 de abril de 2017 e servirá como forma do brasileiro lembrar um dos mais sombrios momentos da história desse país. Para quem ficou ansioso, a exposição no CCBB estará disponível até o dia da estreia da supersérie, das 9h às 21h e também conta com uma sala de cinema chamada “Cine Brasil” onde serão exibidos diariamente obras clássicas da televisão brasileira como o primeiro capítulo de “Dancing Days” e “Guerra dos Sexos”.

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