Cinema & TV

No ar em “Os Dias Eram Assim”, Cassia Kis destaca importância de trazer a ditadura militar para o debate contemporâneo: “Como alguém não sabe o que é AI5 e o que tudo aquilo significou?”

No enredo, a supersérie da Globo incorporou a missão de contar ao público o que foi este período e o que ele representa para a história recente do nosso país. Depois da estreia da trama, a emissora divulgou uma pesquisa que apontou que os brasileiros desconheciam os anos de chumbo. "Um absurdo"

Publicado em 11 de agosto de 2017 | Por Julia Pimentel

A ditadura militar no Brasil foi um período assustador, que matou centenas de pessoas e obrigou outras dezenas a deixar seu país por causa de sua ideologia. Não, isso não é óbvio. Na tevê aberta, como forma de entretenimento e com uma história de amor como combustível, “Os Dias Eram Assim” vem mostrando aos telespectadores a gravidade deste período que, em tempos de crise, tem sido lembrado constantemente. Na supersérie da Globo, com mais de 80 episódios, Cassia Kis interpreta Vera, uma mulher viúva, dona de livraria e mãe de três filhos. Na ficção, um foi torturado pelos militares e o outro precisou ser exilado no Chile para sobreviver.

Apesar de ser uma história real que aconteceu há pouco mais de 50 anos, Cassia destacou o quão viva essa temática está nos dias de hoje. “É uma série muito presente. Afinal, nós estamos discutindo o Brasil de 50 anos atrás na atualidade. E, vendo a história de ‘Os Dias Eram Assim’, percebemos que não mudou muito. Nós estamos com ainda mais dificuldade no presente”, apontou. Porém, a intensidade do período não é algo tão pública assim. Pelo menos foi isso o que apontaram as pesquisas da Globo. Quando a supersérie estreou, a emissora promoveu um grupo de discussão sobre o enredo que apontou que o público médio brasileiro desconhecia os fatos recentes do nosso país.

Cassia Kis e Gabriel Leone em “Os Dias Eram Assim” (Foto: Reprodução)

Para Cassia Kis, o resultado da pesquisa da Globo é “assustador”. “É um absurdo pensar que tem gente que desconhece esse período e tudo o que a Ditadura representou para o nosso país. Daí, vem o questionamento de para onde caminha o nosso ensino que está esquecendo de uma memória tão recente. 50 anos não são nada. Como alguém não sabe o que é AI5 e o que tudo aquilo significou? Isso resulta em pessoas falando que querem a ditadura de volta hoje em dia. Se alguém souber de fato o que foi esse período, nunca vai pensar em uma estupidez dessa”, comentou incomodada.

Para evitar tais situações, Cassia defendeu a ideia de que sua profissão de contadora de histórias precisa ter uma razão e um engajamento que vão além do entretenimento. Com mais de 30 anos de carreira, a atriz acredita que sua dedicação e seu talento precisam ser aproveitados por cada vez mais pessoas. “Eu não consigo fazer um projeto que não seja pensado para o povo. Quando eu mergulho em um trabalho, o meu país precisa estar nele e é necessário que demos respostas, caminhos ou simplesmente que levantem perguntas. Para mim, os trabalhos precisam justificar a minha escolha de ser atriz. Até hoje, aos 60 anos de idade, eu não consegui fazer uma única cena que só alimentaria a minha satisfação. É claro que isso é importante. Mas eu preciso saber como aquilo que eu estou fazendo vai chegar ao coração de quem está assistindo e qual será o significado. Esse é o meu barato”, disse.

“Até hoje, aos 60 anos de idade, eu não consegui fazer uma única cena que só alimentaria a minha satisfação” (Foto: Reprodução)

Com este pensamento, Cassia Kis contou que 2018 será cheio de trabalhos interessantes. Ainda secretos, a atriz adiantou que está com um projeto para o teatro e outro para o cinema. “Se contar perde a graça”, afirmou.

Pesquisas relacionadas