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“João, o Maestro”: filme sobre a vida do pianista João Carlos Martins tem Alexandre Nero como um dos protagonistas e destaca orgulho nacional: “Um dos raros exemplos que podemos nos honrar”, disse Nero

O longa, que ainda tem Alinne Moraes, Caco Ciocler e Rodrigo Pandolfo no elenco, estreia amanhã nos cinemas com a vida do maestro dentro e fora dos palcos. Para o homenageado, a produção é a cereja do bolo por tudo o que ele já passou. "Esse filme deixa a mensagem de uma pessoa que reconhece seus erros e acertos"

Publicado em 9 de agosto de 2017 | Por Julia Pimentel

“Esse filme deixa a mensagem de uma pessoa que reconhece seus erros e acertos. Na verdade, que consegue corrigir os erros e aprimorar os acertos. É muito importante na vida que a gente tenha essa capacidade”. Esta é a melhor sinopse para o filme “João, o Maestro”, que estreia na quinta-feira, 17, nos cinemas. A síntese foi definida pelo próprio homenageado, o pianista João Carlos Martins, que inspirou a produção assinada pela LC Barreto. No longa, a vida do maestro brasileiro, que tem um incrível legado dentro e fora da música, é interpretada em três fases por Davi Campolongo, Rodrigo Pandolfo e Alexandre Nero, que ganhou grandes elogios do pianista na pré-estreia ontem no Rio de Janeiro.

O pianista João Carlos Martins é a inspiração e o homenageado do longa “João, o Maestro” (Foto: AgNews)

Em “João, o Maestro”, o público terá a chance de conhecer melhor a vida do pianista considerado um dos melhores do mundo que, mesmo após 23 cirurgias, nunca abandonou seu amor pela música. Em boa parte do filme, quem tem a missão e a honra de contar essa história é Alexandre Nero, que acredita que o maestro homenageado seja um dos poucos exemplos que orgulham o povo brasileiro pelo mundo. “A gente está vivendo um momento de muita carência de orgulho de ser brasileiro. E o João é um dos raros exemplos que podemos nos honrar de dizer que ele é brasileiro porque fez história lá fora e é um monstro tocando. Eu o vejo como um cara sensacional em que a vida por diversas vezes quis dar uma rasteira nele e em todos os momentos ele se manteve firme e ainda riu disso tudo”, disse o ator.

Alexanndre Nero e João Carlos Martins na pré-estreia do filme “João, o Maestro” no Rio (Foto: AgNews)

Para o filme, Alexandre Nero mergulhou na convivência com João Carlos Martins para entender como é o gênio em frente ao piano e longe dele também. “Mais do que viver o João no cinema, esse trabalho me deu a oportunidade de conviver com ele. Talvez, se fosse com uma pessoa já morta, eu teria que inventar a partir de registros. Mas, neste caso, eu tive o privilégio de saber como é esse cara na intimidade. O João é uma pessoa muito divertida, brincalhona, super apaixonada pelo que faz e vive música 24 horas por dia”, contou Nero que ainda buscou registros antigos do pianista para entender como era seu jeito de tocar. “O João de 2017 eu consigo ver. Mas, no filme, eu também faço ele mais jovem e eu precisava entender como era aquele maestro. A gente vai se transformando no decorrer da vida e o filme também mostra isso. Por isso, eu fui buscar como ele era mais jovem e vi que era um cara extremamente enérgico e tocava com violência e muita latinidade no meio daqueles europeus certinhos”, apontou  o ator que, em homenagem ao pianista, foi com a camisa da Portuguesa à pré-estreia, time de futebol pelo qual torce João Carlos Martins.

Elenco do longa na pré-estreia do filme “João, o Maestro” no Rio (Foto: AgNews)

Quem também fez o dever de casa foi Rodrigo Pandolfo, que interpreta o maestro em uma fase anterior a Alexandre Nero. Gravando uma série em Portugal, o ator não conseguiu estar presente na pré-estreia ontem, no Rio de Janeiro. Porém, honrada com o trabalho, Rodrigo mandou uma mensagem que foi lida pela produtora do longa, Paula Barreto. “Esse filme foi uma aprovação para mim. Quando eu assisti o João Carlos tocando piano pela primeira vez aos 20 e poucos anos de idade, eu paralisei. Me perguntei por inúmeras vezes como aquele homem conseguia fazer aquilo. Espero que eu tenha conseguindo honrar um pouquinho esse monstro que o Brasil demorou a perceber”, escreveu Rodrigo Pandolfo.

João Carlos Martins e Davi Campolongi na pré-estreia do filme “João, o Maestro” no Rio (Foto: AgNews)

E parece que o resultado agradou ao grande homenageado. Em entrevista ao HT, João Carlos Martins definiu o filme “João, o Maestro” como a cereja do bolo de toda a sua trajetória. Mas, com seu humor e estilo brincalhão apontado por Alexandre Nero, ele destaca que a caminhada não acabou. “É uma emoção enorme por duas razões: eu tive tantos percalços na vida, mas sempre acreditei que podia continuar sonhando. Hoje, aos 77 anos, é como se eu estivesse complementando uma fase da minha vida e para iniciar uma nova. Agora, eu comecei um projeto para criar mil orquestras pelo Brasil em cidades pequenas. Então, pode ser que daqui a uns dez anos exista o ‘João, o maestro 2’”, disse João Carlos Martins.

Com uma história que mistura motivação, inspiração e reverência, João Carlos Martins já inspirou outras obras pelo mundo, do Carnaval à Europa. Porém, a produção brasileira tem um tempero especial, como apontou o pianista. “Na Europa, já fizeram dois documentários sobre a minha vida e que, por sinal, ganhou muitos festivais. Aqui, a Vai-Vai também fez um carnaval dedicado à minha história e depois, já tive um outro documentário brasileiro também. Porém, esse filme é a cereja do bolo. Sem dúvidas. A ideia nasceu do Bruno Barreto e teve uma direção incrível do Mauro Lima. Mas, para mim, as estrelas do filme são os artistas que contam a minha história e não esse velho maestro”, disse sobre o elenco que ainda tem Alinne Moraes e Caco Ciocler.

Alinne Moraes na pré-estreia do filme “João, o Maestro” no Rio (Foto: AgNews)

Não por acaso, “João, o Maestro”, de fato, foi pensado com este objetivo de emocionar e ser “a cereja do bolo” desta lenda viva da nossa cultura. De acordo com Paula Barreto, da LC Barreto, que assina a produção da obra, o longa é uma resistência necessária para este momento de crise artística brasileira. “Minha mãe me ensinou que eu só deveria produzir um filme se essa história valesse a pena ser contada e que eu não poderia fazer algo só para mim. Neste momento em que estamos vivendo essa situação no Brasil, com tantas dificuldades, eu acho que nós temos a obrigação de trazer histórias que sirvam de espelho para a sociedade brasileira. Nesse momento de desesperança, o João é uma esperança que mostra que devemos acreditar nos nossos sonhos com força, esperança e obstinação”, afirmou.

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