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Como o bonzinho Osiel de “Deus Salve o Rei”, o multitalentoso Rafael Primot destacou desafio de apimentar o personagem e contou das carreiras como diretor e autor: “Busca constante por novas histórias”

Nas três posições, ele disse que busca oportunidades e possibilidades para mergulhar em novas histórias. Inclusive, este foi um dos motivos que fez o ator Rafael se descobrir diretor e roteirista. "Às vezes, o papel não faz seu perfil ou você está em outro trabalho e acaba não conseguindo. Por isso, comecei a escrever curtas para estar sempre em atividade e fazendo personagens que eu sentia falta ou gostaria de fazer"

Publicado em 13 de março de 2018 | Por Julia Pimentel

Ator, diretor, autor e pintor. Mas, este último, apenas na ficção. No ar em Deus Salve o Rei, Rafael Primot é Osiel, o artista boa praça do reino que não faz mal a ninguém e ainda se dedica a deixar os outros mais bonitos em suas telas. Na telinha, além de desbravar uma nova arte, o ator ainda mergulha em um produto inédito da teledramaturgia brasileira. A novela, que estreou em janeiro, é ambientada na Era Medieval e tem os efeitos especiais como combustível da história. “Quando eu fiquei sabendo deste produto da Globo, me animei como espectador porque a novela em si já é muito interessante. É uma história de época, mas que tem muita tecnologia para falar do passado”, apontou Rafael.

Porém, o ator foi além da animação como espectador. Na pele do pintor Osiel, ele comentou dos desafios de interpretar esse artista do bem. “O meu desafio é fazer um cara que tem bom coração dentro de uma história cheia de personagens nem tão bons assim. E isso é uma grande questão porque as pessoas tendem a achar que os vilões são mais interessantes. Mas o bonzinho também pode ser”, destacou Rafael Primot que, para apimentar o seu personagem, ainda tem procurado uma curva na história. “Para o ator, é sempre uma questão como tornar um personagem interessante. Porém, eu acho que hoje em dia nós estamos tão carentes de pessoas do bem, que é gostoso ver um cara generoso na televisão. Mas, mesmo assim, o Osiel tem uma batalha para manter essa postura honesta. Ele não é simplesmente bom, faz escolhas que resultam neste caráter. E isso é o que a gente vive e uma forma que encontrei de humanizar o personagem. Na nossa vida, buscamos atitudes que sejam boas dentro de cada visão de mundo”, analisou.

Rafael Primot é Osiel em “Deus Salve o Rei” (Foto: Gabriel Macedo)

Como tempero do personagem, Osiel ainda tem as artes como amuleto. Em “Deus Salve o Rei”, Rafael Primot interpreta um pintor que, através de seu ofício. tenta deixar os outros mais bonitos do que realmente são. No entanto, o ator garantiu que as habilidades com o pincel só ficam na ficção. Ele, que também é diretor e autor, contou que a função pintor se limitou a um quadro que deu de presente a Rômulo Estrela, companheiro de elenco. “Eu estava fazendo alguns workshops de pintura quando o personagem dele mudou e ele virou o protagonista. Aí, então, eu fiz um quadro de coração para ele representando esse momento especial que estava vivendo”, contou o ator que não se considera habilidoso o suficiente para a arte, mas destacou uma descoberta que teve durante o laboratório. “Esses artistas lidam com o tempo de uma forma muito interessante. Hoje em dia, a nossa correria faz com que estejamos sempre fazendo alguma coisa, seja no celular, trabalhando ou lendo uma notícia. Porém, os pintores têm uma dedicação diferente e lidam com o passar do tempo de forma única”, apontou.

E esse olhar de Rafael sobre outras artes é muito explicada pela multi habilidade do ator. No elenco de “Deus Salve o Rei”, ele contou que respeita o olhar dos diretores e autores da novela, mas, mesmo assim, confessou que ajusta alguns detalhes em sua atuação após se assistir na telinha. “Eu confio muito na visão de quem está de fora e presto atenção nos feedbacks que recebo. Até porque, quando estou dirigindo, quero que respeitem minha posição também. Só que a partir do momento que a gente começa a se assistir, já vai entendendo o que dá certo e onde podemos ajustar alguma coisa”, explicou Rafael que completou: “No fim, a palavra mais importante é a do diretor e temos que acredita no bom gosto dele”.

Além de ator, Rafael também é diretor e autor e transita pelo cinema, teatro e televisão (Foto: Gabriel Macedo)

Por falar na trinca de funções de Rafael Primot, o ator, diretor e autor contou que isto foi uma consequência de uma necessidade pessoal. Quando perguntamos se com as três habilidades ele se sente um artista completo, Rafael foi categórico: “claro que não”. E explicou. “Eu ocupo essas três áreas, justamente, porque não me sinto completo em nenhuma. A minha insatisfação como ator, me fez dirigir e escrever. Para mim, é uma busca constante por novas histórias, possibilidades e oportunidades nas artes”, explicou Rafael que lembrou como tudo isso começou. “A profissão de ator é como um quebra-cabeça, em que você precisa se encaixar naquele personagem. Às vezes, o papel não faz seu perfil ou você está em outro trabalho e acaba não conseguindo. Por isso, comecei a escrever curtas para estar sempre em atividade e fazendo personagens que eu sentia falta ou gostaria de fazer”, disse.

Como consequência, Rafael tem uma agenda cheia, ainda mais agora. Além de estar no ar como ator em “Deus Salve o Rei”, ele ainda está em cartaz dirigindo a peça “Os Guardas do Taj” e em breve estreia o filme “Todo Clichê do Amor”, que assinou o roteiro. Fora isso, Rafael Primot vai lançar um livro de crônicas, está escrevendo e dirigindo uma nova série para o Canal Brasil, “Chuva Negra”, coescrevendo “Ó Pai, ó 2” e assinando o roteiro e direção de “Reencontros”, filme que irá fazer no segundo semestre. “Eu procuro não pensar muito em tudo isso para não surtar. Quando um trabalho chega, vou vendo a agenda e fazendo. O que acontece também é que às vezes um projeto que está saindo agora já vinha sendo produzido há muito tempo”, explicou.

Para este ano, o artista ainda tem uma série de projetos como autor e diretor (Foto: Gabriel Macedo)

Além disso, mesmo nesta loucura, Rafael Primot destacou que é importante para ele estar mergulhado em tantas histórias. “Eu também gosto de fazer vários trabalhos ao mesmo tempo porque é fundamental para o ator ser também produtor e criador. Assim como todo profissional liberal, o nosso mercado está ficando mais amplo e eu preciso acompanhar. O artista precisa correr atrás dos seus projetos e de trabalhos que sejam pertinentes a sua trajetória. É fundamental em nossa profissão que questionemos”, comentou.

Nisso tudo, a questão financeira não é ignorada por Rafael. De acordo com ele, a dificuldade para captar recursos e tirar projetos do papel ainda é uma realidade no Brasil – mesmo com nomes fortes envolvidos no produto. Em São Paulo, Rafael Primot fica em cartaz até abril como diretor da peça que tem Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi no palco. E, no mesmo mês, ele estreia seu segundo filme com Débora Falabella e Marjorie Estiano. “São projetos com nomes fortes e comerciais. Porém, mesmo assim, não foi fácil conseguir patrocínio. No caso da peça, por exemplo, não são todas as empresas que querem se envolver em um enredo que não se limite ao entretenimento, como é “Os Guardas do Taj”. Esse espetáculo é poético e discute algumas questões pertinentes da sociedade”, destacou Rafael que, mesmo assim, celebrou a conquista de finais felizes. “Ser artista é ser sobrevivente. Com muito ou com pouco dinheiro, a gente consegue fazer. A criatividade é a principal aliada do meio artístico e uma prova disso foi o Carnaval do Rio que vimos este ano”, completou o ator, diretor e autor Rafael Primot. E de quem a gente é fã há muito tempo.

 

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