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Autor de “A Cara do Pai”, Pedro Cursino pede demissão da Globo antes mesmo do programa estrear: “Fica aquela dor de corno de ver no ar algo que é seu”

De acordo com ele, em entrevista ao site "Notícias da TV", a série não vinha sendo tratada com o respeito que merecia pela emissora. "É um projeto do qual eu me orgulho muito, mas que passou por um processo muito atabalhoado" | LER MAIS

08/12/2016 às 12:27 POR: Leonardo Rocha

O seriado “A Cara do Pai” ainda nem começou e já está envolvido em polêmicas. No ar a partir do dia 18 de dezembro, na Globo, a atração dominical estrelada por Leandro Hassum e Mel Maia tem passado por conflitos internos entre o posicionamento da emissora carioca e a parte criativa do programa. Faltando menos de dez dias para a estreia, o roteirista Pedro Cursino pediu demissão da trama por divergências no processo de produção do humorístico. Apesar de se tratar de um trabalho bastante autoral para Cursino, já que a história é baseada em sua vida, Daniel Adjafre, que promoveu algumas mudanças nos quatro primeiros episódios, entra como substituto. “Era um seriado autoral, mas a gente aprende a desapegar depois de um tempo. É claro que fica aquela dor de corno de ver no ar algo que é seu”, desabafou ele, ao site “Notícias da TV”.

Roteirista e escritor Pedro Cursino (Foto: Divulgação)

Roteirista e escritor Pedro Cursino (Foto: Divulgação)

Pedro Cursino, conhecido por levar mais de 27 milhões de brasileiros aos cinemas por emplacar sucessos de bilheterias como em “De Pernas pro Ar” e “Até que a Sorte Nos Separe”, disse que o programa foi concebido e inspirado na situação de pais separados. A trama mostra a relação entre Théo, vivido por Hassum, e a filha pré-adolescente, Duda (Mel Maia) – histórias que se confundem com a vida do criador como da criatura. Afinal, recém divorciado, o comediante de stand up comedy volta a morar com o pai (Walter Breda), e vive fazendo a filha passar vergonha na frente dos amigos do colégio.

“É a minha experiência que está ali. A minha filha é um pouquinho mais nova do que a Mel. Eu vejo minha filha todo final de semana e no meio de semana às vezes ela vem pra cá, mas a impressão é que você perde alguns detalhes do crescimento dela. É essa brincadeira de você não saber mais lidar com a filha, do jeito que você lidava antes. É um seriado muito mais carinhoso, pai e filha”, afirmou.

Mas, apesar do afeto pessoal que sente pelo trabalho, os problemas com a Globo e os desencontros nos bastidores começaram a pesar na continuidade de Cursino por trás do programa. “Na época, eu falei: ‘Eu gostaria de desenvolver mais episódios, independentemente de entrar no ar ou não’. E aí a Globo foi muito categórica, falou ‘Não, não, vamos primeiro colocar esses quatro episódios no ar, ver qual vai ser a audiência, e aí você escreve o restante’. Eu falei ‘Okay'”, lembrou ele, completando: “Isso foi em abril, entrei em outros projetos. Quando chegou agosto, a Globo me chamou e disse que tinha ‘uma oportunidade boa de botar o seriado já na grade fixa de 2017’. É tudo o que um autor gostaria de ouvir”, recordou.

Mel Maia e Leandro Hassum (Foto: Raphael Dias/Gshow)

Mel Maia e Leandro Hassum (Foto: Raphael Dias/Gshow)

No entanto essa boa notícia teria um preço. Ao mesmo tempo que a atração ficaria por mais tempo no ar, a emissora encomendou, então, 12 episódios para serem entreguem em tempo recorde. Situação inviável para o roteirista. “Eu tomei um susto. Caramba, 12 episódios de humor em três meses?”, lembrou ele, ressaltando que, a série não vinha sendo tratada com o respeito que merecia. “É um projeto do qual eu me orgulho muito, mas que passou por um processo muito atabalhoado. Por exemplo, a gente começou com o Pedro Vasconcelos como diretor, com quem tenho muita afinidade, mas que saiu, foi pra novela da Glória Perez. Num dado momento, me vi sem um diretor em quem confiava e sozinho, sem autores disponíveis para trabalhar. Me sugeriram dois ou três autores lá de dentro, com quem não estava acostumado a trabalhar, então acabei saindo”, reafirmou.

Com tudo, depois do impasse com a rede Globo, Pedro Cursino manteve as portas abertas para a emissora, mas não pretende voltar tão cedo à TV. Atualmente ele se dedica às gravações do longa “O Candidato Honesto 3”, também com Leandro Hassum, e uma cinebiografia do ex-trapalhão Mussum, ambos dirigidos, em 2017, por Roberto Santucci.

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