Teatro & Pensata

“Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” leva o humano por trás do artista para o palco e tem narrativa com status de lenda do “herói suburbano”

Em cartaz no Theatro Net Rio até 29 de outubro, “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” revela o Jessé que consagrou o artista conhecido por todo país. No espetáculo, o personagem principal é aquele menino que se apaixonou pela música ainda criança e transformou um sonho em uma história real

Publicado em 9 de outubro de 2017 | Por Julia Pimentel

Espetáculo “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” (Foto: Renato Mangolin)

Desde 2004, ele tem um lema que hoje faz parte da vida da maioria dos brasileiros. Para Jessé Gomes da Silva Filho, ou o ilustre Zeca Pagodinho, só devemos levantar as mãos para o céu e deixar a vida nos levar. E, nesta caminhada, o destino o levou para os palcos. Sim, disso nós já sabemos. Mas, desta vez, um novo e uma posição diferente. Em “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba”, ele é a estrela de um musical que conta a história da sua vida. Em formato quase de uma lenda, o artista dá lugar ao Jessé, que assume a figura de herói do subúrbio carioca. Afinal, mais do que autor e intérprete de grandes clássicos do samba, Zeca Pagodinho é também o ilustre morador de Xerém e fiel devoto de São Jorge.

O musical está em cartaz no Theatro NET Rio até o dia 29 de outubro (Foto: Renato Mangolin)

Em cartaz no Theatro Net Rio até 29 de outubro, “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” revela o Jessé que consagrou o artista conhecido por todo país. No espetáculo, o personagem principal é aquele menino que se apaixonou pela música ainda criança e transformou um sonho em uma história real. Mais do que falar do artista que nós conhecemos, o espetáculo quer mostrar o ser humano que sabe chegar para somar e não deixa a canoa virar – como ele mesmo já canta por aí. “O musical não faz uma biografia do jeito que o público está acostumado a ver. O nosso objetivo é mostrar o Zeca como se fosse a lenda de um herói suburbano. É contar a história da cegonha que trouxe uma criança que passou por todos os desafios e ensinamentos do subúrbio até alcançar o sucesso. Depois, o segundo ato mostra a forma com que aquele menino lida com essa fama”, explicou Gustavo Gasparani que, além de interpretar Zeca Pagodinho na segunda fase, já adulto, também é autor e diretor do musical.

Na fase adulta, Gustavo Gasparani interpreta o artista e a relação dele com a fama e o sucesso (Foto: Renato Mangolin)

Sendo assim, o espetáculo mostra a vida de um “cara que é um homem do povo”, como definiu Gustavo. E sem glamour. “Na vida, o Zeca tem medo de fantasmas e já falou disso algumas vezes. No nosso musical, esse medo do Jessé é justamente com o sucesso e o poder que o Zeca conquistou. O fantasma dele é o próprio artista”, explicou Gustavo que, com este enredo, quis também explorar a temática do subúrbio do Rio de Janeiro. “Esse era um cenário que eu gostaria de falar e estou tendo a oportunidade de falar a partir de uma figura que simboliza tudo isso”, completou o ator e diretor que mergulhou a fundo na história de Zeca Pagodinho há seis anos quando começou a escrever esta história.

Mas não é só da vida do humano por trás do artista que o espetáculo fala. Antes da consagração, “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” começa com o menino sonhador. Para esta primeira fase, quem tem a responsabilidade de interpretar aquele Jessé apaixonado pelo samba é Peter Brandão. “Eu estou fazendo um dos maiores artistas brasileiros e que tem uma forte representação no samba. É complicado falar dele porque o Zeca é um ser grandioso. É como Macunaíma, o herói do povo. Então, para mim, estar interpretando um artista como ele é magnifico, uma oportunidade única na vida”, disse o jovem ator que, desde cedo, também alinha o sonho, a profissão e as artes. “Eu sou um cara que nasci em uma família humilde e corro atrás dos meus objetivos desde pequeno. Estou desde os quatro anos na carreira e nunca parei e, até por isso, me vejo parecido com o Zeca em relação a essa correria. Na minha vida, eu sempre busco ir atrás, ter objetivo e foco no que eu quero como ele. O Zeca está em uma busca eterna por novidades”, analisou.

Peter Brandão interpreta a primeira fase, ainda anônimo, de Jessé (Foto: Renato Mangolin)

Honras e alegrias dos bastidores à parte, “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba” vai além da reverência à distância. Além do elenco de super atores e cantores que contam sobre a vida do símbolo de sucesso do subúrbio do Rio, o próprio Zeca participa do musical em sua homenagem. No espetáculo, o artista empresta sua voz para narrar a vida do personagem real Jessé. “O público adora essa interação. Eu acho que a participação dele dá um gostinho diferente. Fora que o Zeca é uma figura muito popular e isso também garante um tempero especial ao projeto. Inclusive, eu acho que este é o personagem mais popular que eu já fiz”, contou Gustavo Gasparani, ator e diretor do espetáculo, que, para o trabalho, estudou Zeca Pagodinho de diferentes maneiras. “Eu queria mostrar aquele cara brincalhão, com esperteza de raciocínio e fera na música”, disse Gustavo que, como desafio, destacou o acúmulo de funções.

Já para Peter, que faz o Jessé ainda antes de ganhar a fama como Zeca, o maior desafio foi justamente contar sobre uma personalidade que antecede o reconhecimento do público. “Naquela fase, ele ainda não é o Zeca. É o Jessé que estava construindo o seu caráter para se tornar este ser humano que hoje nós olhamos e admiramos. O Zeca é uma pessoa que é muito humilde, carismática e que faz questão de falar com todos. Então, interpretar uma faceta não conhecida ainda, como é o Jessé, foi um desafio muito gostoso. E a cada dia eu aprendo mais com ele”, contou o ator que tem uma relação antiga com a personalidade homenageada. “Eu já fui algumas vezes na casa dele em Xerém com o meu tio porque a minha família é muito fã. Inclusive, quando eu era mais novo, eu brincava com a filha dele. Agora, eu estou tendo a oportunidade de conhece-lo de outra forma. Então, para mim, estar com o Zeca é sempre chance de aprender mais. Ele é uma pessoa que tem muito para ensinar para nós. Aliás, na peça, eu acho até que a gente fala pouco de toda a grandiosidade dele”, disse Peter Brandão.

Serviço: “Zeca Pagodinho – uma história de amor ao samba”

Temporada: até 29 de outubro de 2017
Local: Theatro Net Rio
Endereço: Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana, Rio de Janeiro
Horários: Quintas e Sextas às 21h, Sábados às 17h30 e 21h, Domingos às 20h
Vendas: Plateia e Frisas – R$150; Balcão I – R$130; Balcão II – R$50
Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br)
Bilheteria: De segunda a domingo, das 10h às 22h

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