Exclusivo! Em papo que vai dos conservadores aos críticos, Paulo Gustavo dispara: “Eu não acredito muito nesse mundo encantado da fama”


Em entrevista ao HT antes de se apresentar no Metropolitan (RJ), o ator falou como é fazer humor em tempos de patrulha social: “Uma dica infalível é ter bom senso, educação, saber que as coisas não são totalmente sem limites. E que esse limite é o da educação”

“Gosto do samba. O que eu não gosto é do sambista, que geralmente é pobre, favelado e preto. Não gosto também da MBP, porque me remete a lésbicas. E elas gostam de se engalfinhar uma com outra. E a música pop me lembra bicha louca, sinistra. Madonna veio fazer um show no Rio de Janeiro com setenta mil pessoas no estádio:  setenta mil veados. Depois a Lady Gaga veio para cá e fez show para 40 mil veados. Conclusão: já contabilizamos 110 mil veados no Rio de Janeiro”. Esse discurso cai com uma luva para o batismo que Paulo Gustavo deu a uma de suas dezenas de personagens femininas, a Senhora dos Absurdos. Loura, branca, rica e “hétera”, como faz questão de se apresentar, ela é a boca perfeita que o humorista encontrou para emitir esses disparates com o intuito de mostrar que ainda há muita gente preconceituosa e que “critica as pessoas iguais”.

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O que, em tempos de patrulha 24 horas, é um risco. Quem não caminha na linha tênue do humor – se é que ela existe – pode cair no trilho dos sem credibilidade e admiração, o que, cá entre nós, é o purgatório do showbiz. “Uma dica infalível é ter bom senso, educação, saber que as coisas não são totalmente sem limites; e que esse limite é o da educação”, opina Paulo, acrescentando: “Você tem que ter um bom senso para saber o que está falando, se está realmente criticando ou debochando de forma ofensiva”.  O que, também há de se convir, não estaria em discussão se o mundo em que vivemos fosse menos conservador.

“Acho que a sociedade sempre foi, continua e não vai deixar de ser careta. O que a gente tem que fazer é abstrair e continuar a nossa luta. Até por que incômodo é uma coisa que não vai acabar”, prevê Paulo, recorrendo a uma frase que leu de Tom Jobim (1927-1994), o mais da gema dos cariocas: “Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal”. Mas não que o verso do poeta gere uma preocupação contínua. “Quando a gente está muito em evidência, não tem menor condição de agradar todo mundo”, avalia. O que traz os haters à tona. “Existem pessoas que criticam sempre de forma negativa e sem estofo. É apenas uma agressão na internet, uma coisa solta. Eu acho que essa gente não tem muito o que fazer. Está agredindo a si mesma”, rebate.

Comportamento hi-tech que, para Paulo Gustavo, reflete no que cada um é longe de uma tela de LED. “Tem gente que é feliz, leve, alegre,mas tem gente que é mais amargurada, irritada. Mas temos que conviver com as diferenças”, ameniza, garantindo, apesar de tocar no assunto a nosso pedido: “Eu não dou muita atenção para essas pessoas que agridem a troco de nada”. Nem para elas, nem para os especialistas em televisão e cinema. “Eu não faço absolutamente nada para o crítico, só para o fã. O que o crítico fala não me importa muito. Mas eu sei que é o trabalho dele, que ele tem que falar”, leva à margem.

Aliás, é aconselhável não compartilhar com Paulo as opiniões de que o “Vai que Cola”, seu mais novo filme, é uma comédia caça níquel, como já foi apontado. E por motivos óbvios. “Para a gente, o ‘Vai que cola’ não é um caça níquel. É uma celebração do sucesso do seriado. Em menos de uma semana contabilizamos um milhão de espectadores. Então, não é bem por aí. A gente não se importa com as críticas negativas, porque as positivas são tão grandes, que não temos tempo para ler”, ironiza. Mas nada que soe pedante, bom citar. Muito pelo contrário. “Eu não acredito muito nesse mundo encantado da fama. Eu sou pé no chão, gosto de viver a vida real”, revela.

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A agonia de ficar cercado de seguranças é uma prova. “Tenho pavor de ficar enclausurado, excluído da vida social. Eu gosto de ser um cara normal, porque preciso disso como ator”. Um desejo meio difícil quando se tenta contabilizar o número de fãs que reúne. Quantidade essa que reverbera em qualidade, chegando à níveis de exagero por parte de alguns. “Quando eu vejo que tem um fã mais histérico, eu tento falar diretamente que ele é assim, que toma um susto e não vê mais uma pessoa intocável, e sim um cara de 36 anos falando que ele está fora da casinha”, ri. Mas nem sempre é simples assim.

“Outro dia eu estava tirando uma selfie com uma garota, veio uma outra com força para tirar o celular da minha mão e colocar o dela, que bateu no meu olho. Aí eu fiquei chateado, olhei para ela e falei, porque quase tirou sangue: ‘Você pode ficar super feliz de estar me vendo, mas não precisa me machucar, puxar meu braço com força’. Eu sempre tento educá-los, porque não tem condições”, lembra, deixando claro: “Eu trato isso de forma leve, com muito humor. Acaba que, no final, vira riso”. Palavras de quem também já esteve do outro lado e é louco pela diva-mór do pop, Beyoncé.

“Eu já a encontrei sete vezes. Sempre que eu vou ao show, fico na primeira fila. Então, apertei mão, essas coisas. Se eu visse ela na rua, em uma festa, em algum lugar, eu não avançaria até por que já tenho essa escola”, imagina. Mas, bobo que não é, Paulo Gustavo daria seus pulos digno de um hiperativo. “Eu tentaria conhecê-la por algum amigo. Adoraria ser apresentado como artista: ‘Esse é o Paulo Gustavo, comediante no Brasil. Essa é a Beyoncé e tudo mais’. Ah, e claro, ia querer ter uma foto com ela, um registro”, sonha, sem se perder: “Mas faria isso tudo isso sem pagar de doido”.

E já que falamos de doido, momento pergunta sem noção: “E se você morresse agora, gostaria de voltar como homem ou como mulher, já que interpreta dezenas delas?”. “Esse tipo de pergunta me irrita. Eu não tenho a menor condição de morrer. Se eu morresse agora, eu ia ficar tão puto que chegaria lá em cima dando ataque”, se diverte. Mas vai, Paulo, responde. “Quando eu morrer, eu posso vir qualquer merda, porque eu adoro ficar aqui na terra zanzando por esse Rio de Janeiro e pelo mundo. Aliás, falando em mundo, semana que vem eu vou para Londres, Paris e Amsterdam”, avisa, sem ser perguntado, naquele seu estilo.

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Na mala, uma certeza: não entra camisa de gola rolê. “Eu tenho pavor daquela gola que sobe até o queixo. Primeiro que eu tenho muito queixo e em mim fica Cepacol, né? E depois, eu sou careca. Então, a minha cabeça fica que nem uma lâmpada”, gargalha. No assunto roupa, aliás, Paulo é um grande desapegado. “Esses dias, eu doei algumas peças que tinham na minha casa em Niterói e eu não estava usando. Foram 100 pares de sapatos, 40 calças, e uns 20 blazers de linha-show, aqueles que tem brilho e eu uso em premiação, para quem cuida das crianças do Instituto Nacional do Câncer”, compartilhou.

E, enquanto algumas peças saem do guarda-roupa, outras entram cheias de personalidade. Paulo passou a dar nome a uma grife de roupas, bonés, meias, cintos e por aí vai – a UsePG. Os garotos-propagandas? O próprio e a amiga e também atriz Fiorella Matheis. “Não tenho pretensão nenhuma de ganhar dinheiro com essa minha grife. É só uma brincadeira para fazer conexão com os fãs. Minha participação nas roupas é assim: uma empresa manda a estampa, se eu gostar os diretores colocam na camisa preta, na cinza ou na branca e a que eu achar mais bonita eles fazem”, explica. A direção, digamos, criativa, também caminha por um diálogo entre ele e a fabricante. “Eles vêm aqui em casa e a gente conversa. Usam símbolos que eu gosto, como coroa e cruz. E acabou que deu super certo, o material é ótimo, as estampas são lindas”, se gaba feliz. É que Paulo Gustavo vai muito além de 220 Volts, meus caros.

Serviço

220 Volts no Metropolitan – Rio de Janeiro (RJ)

Quando:

Sexta-feira, dia 20 de novembro de 2015, às 22h30

Sábado, dia 21 de novembro de 2015, às 22h30

Domingo, dia 22 de novembro de 2015, às 20h

Ingressos: de R$ 25 a 150

Pontos de venda no link: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv

Pela Internet:  www.ticketsforfun.com.br