Teatro & Pensata

Depois de sete anos da primeira montagem, “Um Dia Como Os Outros” reestreia no Rio com texto francês sobre as relações familiares: “O público se identifica muito”, disse Analu Prestes

Em 2011, o espetáculo fez parte do projeto Duas Peças, que ficou em cartaz no Teatro Poeira, e teve R$ 400 mil de recurso para a produção. Desta vez, a obra estreia no Teatro Sergio Porto com o mesmo elenco de sete anos atrás e Bianca Byington mais uma vez como diretora, mas sem nenhum apoio. "Para mim, é uma sensação de guerrilha. É como se estivéssemos fazendo uma coisa heroica. E não deixa de ser"

Publicado em 7 de março de 2018 | Por Julia Pimentel

Família é um negócio complicado. Sempre tem uma história mal resolvida ou um comentário infeliz que é motivo para desestabilizar as relações. E isso não tem tempo e nem lugar. Pelo menos é o que mostra a peça “Um Dia Como Os Outros”, de Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, que estreia neste sábado, 10, no Teatro Sérgio Porto, no Humaitá. Na verdade, reestreia. Depois de um hiato de sete anos, o espetáculo dirigido por Bianca Byington volta aos palcos em uma temporada até o primeiro fim de semana de abril. Na primeira montagem, “Um Dia Como Os Outros” fazia parte de uma dobradinha, o projeto Duas Peças, que ficou em cartaz no Teatro Poeira – e ganhou prêmios e bons elogios na época.

Para a nova temporada, a formula é quase a mesma. No palco, os mesmos seis atores de 2011 voltam em cena para contar sobre a confusão dessa família que, embora escrita na França ainda nos anos 1990, é certeira nas relações contemporâneas. “É um texto muito simples, mas certeiro. Na França, é um clássico que é montado de forma interrupta. Essa é uma dramaturgia muito bem feita em que os personagens são equivalentes e todos ótimos. É um texto redondo”, analisou Bianca Byington que é diretora e atriz no espetáculo.

“Um Dia Como Os Outros” estreia dia 10 de março no Teatro Sergio Porto, no Humaitá (Foto: Vicente de Mello)

Em cena, os membros desta família se encontram para um aniversário e, entre uma conversa e outra um encontro rotineiro, surge uma briga. “Era para ser um encontro como os outros. Só que, com essa briga, coisas são reveladas. Mas depois tudo volta ao normal”, adiantou aos risos a diretora. Como a matriarca desta história, Analu Prestes contou que sua personagem é um tanto quanto agressiva. Mas ressaltou: “tudo com amor”. “É uma mãe bem tradicional, que ama muito os seus filhos, mas entra como um trator na vida deles. Aliás, como a maioria, né? Essa é uma peça que o público se identifica muito com os personagens e isso é bem legal”, comentou Analu.

E é esta troca entre o palco e a plateia que Bianca e Analu buscam para os próximos dias de apresentação. Se em 2011 o projeto no Teatro Poeira guardou boas lembranças, o elenco espera que a nova experiência seja tão boa quanto. Para isso, nos bastidores, “Um Dia Como Os Outros” tem sido sinônimo de força tarefa. “A gente havia ensaiado a peça em janeiro como parte da programação da Casa Quintal (projeto cultural de Bianca no Rio de Janeiro) e fomos convidados para esta temporada no Teatro Sérgio Porto. A partir daí começamos uma missão para conseguir produzir, fazer cenário e juntar a equipe para estrearmos neste sábado”, contou a diretora.

Analu Prestes, Bianca Byington e Silvia Buarque em cena na peça “Um Dia Como Os Outros” (Foto: Vicente de Mello)

Como ingrediente extra, Bianca Byington contou que ainda está atravessando a questão financeira. Enquanto em 2011 a peça estreou com cerca de R$ 400 mil de recursos, desta vez, tudo está sendo feito na amizade. Além das duas atrizes em cena, “Um Dia Como Os Outros” tem ainda Flavio Pardal, Leandro Castilho, Marcio Vito, Alexandre Dantas e Silvia Buarque no elenco, direção de Bianca e Leonardo Neto  e produção de Maria Siman. “Ninguém está recebendo nada. Nós não temos um real de apoio e, por isso, é tudo entre amigos ou dinheiro que eu coloco no projeto. Para mim, é uma sensação de guerrilha. É como se estivéssemos fazendo uma coisa heroica. E não deixa de ser”, comentou Bianca.

Mas, como destacou Analu Prestes, é melhor estar resistindo no palco do que em casa lamentando. “Não adianta eu ficar deprimida em casa. Para ficar sem ganhar nada no sofá, eu prefiro estar no palco tentando. O artista precisa trabalhar. Eu acho que a partir do momento que estamos em nosso oficio, já pulamos para outra posição. Com ou sem dinheiro, temos que trabalhar”, destacou.

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