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Organizador do “Minha Luz é de Led” comenta o sucesso das bananobikes no carnaval carioca de 2017: “Temos que inventar uma nova loucura a cada ano”

A festa marcou o início do Carnaval 2017 como um dos melhores blocos alternativos da cidade

Publicado em 9 de março de 2017 | Por Rodrigo Cohen

Era 21h59min da quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017, e o suspense estava no ar. Os foliões estavam agitados e divididos nos pólos boêmios do centro do Rio de Janeiro, mas ninguém sabia exatamente onde começaria a concentração do bloco “Minha Luz É de Led”. A organização disse que o local seria revelado na página oficial do facebook às 22h. O relógio virou e todos largaram o copo de cerveja e pegaram os celulares para conferir: a festa partiria da praça atrás do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

Foto: Elisa Mendes

Pelas ruas, era perceptível quem estava indo em direção ao encontro da festa: seja com luzes enroladas no corpo e na cabeça ou com as clássicas fantasias carnavalescas, todos tinham um sorriso no rosto e a animação necessária para fazer do evento um sucesso. “Minha Luz É de Led” é um dos blocos não oficiais do carnaval de rua alternativo que tem conquistado cada vez mais e mais fãs. Eles circulam em horários e circuitos não convencionais e, em sua maioria, revelam as informações básicas como local e horário pouco tempo antes do evento começar.

Foto: Elisa Mendes

O “Minha Luz” opta por agregar o novo e o velho durante todo o cortejo. A folia começou com um setlist impossível de ser ignorado. As ruas do Centro da cidade – costumeiramente abandonadas durante a noite – foram embaladas com clássicos do axé, samba, pop, tecnobrega, funk e o que mais animasse o público. O trio elétrico dá espaço a uma bicicleta equipada com um soundsystem chamada bananobike – o grande sucesso desse carnaval. “A banda Biltre inventou as bananobikes para poder tocar. Começamos a ser requisitados pelos blocos de carnaval para ser o sistema de som deles. Elas (as bananobikes) assumiram essa demanda de blocos e festas. Quando eles começaram a crescer, precisavam de mais som. O Bunytos dy Corpo fez com duas já, o Meu Santo é Pop também” conta Vicente Coelho, um dos fundadores do “Minha Luz é de Led”.

Hoje cedo foi assim, mais tarde tem mais! Vai ter @minhaluzedeled no Galpão Gamboa!

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Coelho também integra a equipe que gerencia as bananobikes – o que faz com que ele esteja envolvido em outros blocos de Carnaval – e faz parte da banda Biltre. A equipe das três organizações é a mesma. Ele comentou sobre o crescimento dos foliões participando desses blocos e a dificuldade de realizar um Carnaval: “O Led, o Boitolo, a Orquestra Voadora estavam preparados. O público mudou. Tem blocos gays que a gente faz que a gente percebeu uma mudada no público muito grande. Era o bloco dos esquisitinhos, dos alternativo, o que não tem banda e é só dj. Ou com propostas loucas como só dar as informações em cima da hora”.

Foto: Elisa Mendes

Um dos problemas que a organização teve que lidar foram as reclamações da mudança do público. Grande parte do público LGBT sentiu incômodo com a presença massiva dos batizados de ‘homonormativos’ – gays que discriminam outros gays por estarem fora dos padrões. “Nós recebemos muitas reclamações do público já habitual. O Carnaval é muito sem controle o que é um barato também. Então, ano que vem  a gente vai ter que reinventar a coisa. Não é que não possam ir os ‘homonormativos’, mas é que quando massifica a coisa a galera da organização tem que fazer a escolha entre popularizar ou reinventar”, contou, antes de completar.

Foto: Elisa Mendes

“A demanda de público aumentou. As quatro caixas da bike ficaram poucas para segurar o som e a gente resolveu ficar com duas. O ‘Led’ faz o cortejo e normalmente termina em um lugar com tudo já montado, com o sub. Isso deu muito certo. Ao contrário de outros blocos que tiveram que dar uma improvisada. É muito bom ouvir que foi o melhor bloco, a galera vem falar depois com a gente na rua. E o bloco ‘Led’ vira uma vitrine das bananobikes. Todos iam fazer só com uma, mas viram o sucesso com duas e pediram duas. Fizemos o tradicionalíssimo Prata Preta que tem outra proposta e foi um sucesso também”, disse Vicente sobre o aumento da demanda das bikes no carnaval 2017.

Foto: Elisa Mendes

O cortejo terminou na Praça Marechal Âncora de frente para a Baía de Guanabara e o bloco se transformou em uma festa ao ar livre. Quem não conseguiu chegar a tempo do cortejo, chegou para a festa. A estrutura impecável – melhor do que de muitos grandes eventos que contam com grandes produtoras. Tudo isso debaixo da passagem subterrânea que liga a praça à calçada beira mar. A música se transformava a cada DJ novo que entrava para tocar: dos hits dos anos 90 até a música eletrônica, todos dançavam tudo, sem se importar ou julgar a preferência alheia.

Foto: Elisa Mendes

“Acho que temos que inventar um loucura a cada ano. O Boitolo é um ótimo exemplo disso. Esse ano saíram de 6 frentes diferentes, é um bloco gigantesco que dura 12h e só saíram andando por aí. Parece que é desorganizado, mas não é. O caminho pro Rio de Janeiro é ter mais blocos pequenos”, concluiu Vicente. Embora fosse uma quinta-feira, as pessoas não pareciam se importar com o dia seguinte. Começou a clarear e a festa ainda estava lotada. A música continuava a não decepcionar ninguém e manter a animação em alta. Alguns deitavam na grama para descansar e apreciar o grande presente que os resistentes estavam ganhando: o nascer do sol em uma das paisagens mais invejadas ao redor do mundo. Não havia dúvidas que a cidade maravilhosa estava dando as boas vindas ao Carnaval.

Foto: Elisa Mendes

 

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