Direto de Miami! Fomos ao primeiro show da turnê de Beyoncé com Jay-Z e contamos como foi o megaespetáculo de três horas


O jornalista e dramaturgo Junior de Paula conta como foi o primeiro show da On The Run Tour, que teve 41 músicas na setlist e consolidou o trono do casal mais poderoso da música

*Por Junior de Paula, de Miami

Por mais que se goste ou não – e há alguém que não goste? – de Beyoncé e Jay-Z, não dá para negar que trata-se de dois dos maiores artistas que a minha geração (nasci nos anos 1980!) viu nascer. Quando comecei a entender o que era música, Madonna e Michael Jackson já eram reis, enquanto os Beatles e os Rolling Stones já haviam se transformado em lenda. Portanto, posso afirmar que nada nem ninguém vai conseguir superar os números que esse casal representa para a indústria da música durante a minha existência até aqui.

O casal mais poderoso da música em ação (Foto: Divulgação)

O casal mais poderoso da música em ação (Foto: Divulgação)

Chamado “On The Run Tour”, o show vai percorrer algumas cidades dos EUA e Europa e não tem nenhuma previsão de aterrissar em solo brasileiro. Por isso, se você quer ver a história da música se concretizar em cima de um palco, terá que gastar suas milhas, quebrar seu cofrinho e ir atrás da família mais poderosa do showbiz. A primeira cidade a receber os Carter juntos pela primeira vez em turnê foi Miami e a gente, claro, estava lá no Sun Life Stadium, casa do time de futebol americano Miami Dolphins, para conferir tudo de perto.

Antes de falar do show, um parênteses: imagine o perrengue que todo mundo passa para chegar e sair da Cidade do Rock, no Rio, quando grandes shows acontecem por lá. Multiplique isso por três e você terá uma pequena noção de como foi a logística para chegar e sair do Sun Life Stadium. O motivo? Localizado quase em outra cidade, o estádio não tem linhas de ônibus regulares que liguem Miami Beach ou Downtown ao estádio depois de um certo horário. Ou seja: pense em 70 mil pessoas tentando pegar um táxi, ao mesmo tempo, no meio do nada. Foi assim o fim do show. Imagina na Copa!!

Marcado para as oito da noite – e o céu escuro ameaçando desabar sobre nossas cabeças descobertas no estádio aberto – a temperatura foi subindo à medida que todos os lugares do Sun Life eram ocupados aos poucos. Exatamente às 9:47, as luzes se apagaram e o show começou. Sem chuva, mas com muito calor. O palco, aparentemente simples, com muitos telões de alta resolução no fundo, se abriu com uma espécie de cruz iluminada no centro e viu surgir Beyoncé – de body cavado e máscara bordada, tudo by Givenchy – e Jay-Z, em sua melhor beca de rapper, com cordões de ouro que resolveriam a fome na África combinados com uma camisa estampada dos EUA , paletó de um smoking aberto e óculos escuros.

Início do show, com '03 Bonnie & Clyde

Início do show, com ’03 Bonnie & Clyde (Foto: Divulgação)

A primeira música – de uma série de 41 no total – foi ’03 Bonnie & Clyde, da discografia de Jay-Z lançada em 2003, com os dois fazendo o primeiro duo da noite, seguido por Upgrade U, do álbum B’Day, lançado em 2006 por Bey. Em seguida, ele sai do palco, ela tira a tal máscara e fica pronta para o seu close-up, que vem em forma de Crazy in Love e tudo o que se espera de um show da Queen B. Danças da bundinha, ventilador, caras e bocas, vozeirão na potência máxima, sua banda formada só por mulheres e muitas bailarinas arrasando no apoio.

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas será que Jay-Z conseguiria se igualar ao carisma e a força de sua esposa, após dividirem o mesmo palco? A resposta veio rápida, chegando com os primeiros acordes de Show Me What You Got. A plateia, que já estava em ebulição, jogou os braços para o alto – a pedido do rapper – e viu a coisa esquentar ainda mais, com fogos cuspidos no palco e um coro animado. Detalhe: Jay-Z, em seus momentos solo, era literalmente sozinho. Sem DJ soltando as bases, sem banda e sem qualquer outro artifício. Era one man show honrando seu lugar no topo da poplândia.

Jay-Z comanda sozinho o público (Foto: Divulgação)

Jay-Z comanda sozinho o público (Foto: Divulgação)

O que mais rolou? O forte discurso feminista que antecede ***Flawless – ponto altíssimo com Beyoncé possuída pelo ritmo ragatanga em um body Versace -; Tom Ford, de Jay Z, com a aparição surpresa da esposa cantando o verso que diz “Bad Bitch, H-Town” (referência mais que manjada da texana à sua hometown Houston); Naughty Girl, com a cantora de fio dental arrasando no corpão e mesclando a canção com trechos de Big Pimpin, defendida por Jay; e Holy Grail, também do pai da família, que teve Yoncé fazendo a parte que, originalmente, é cantada por Justin Timberlake e apresenta sample de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. Isso tudo, claro, somado a outros hits clássicos como If I Were a Boy, Single Ladies, Ex-Factor (cover de Lauryn Hill), Partition e 99 Problems, culminando em um ato final com Halo Forever Young cantadas no meio do povo.

Bey e seu body Versace customizado

Bey e seu body Versace customizado (Foto: Divulgação)

No caminho do palco principal para a passarela menor, localizada no meio do estádio, eles atravessam a multidão por um corredor e era possível ver muitas bandeiras do Brasil sendo oferecidas a Bey. A diva, que sempre declarou seu amor pelo país, até chegou a pegar uma dessas por um tempinho: segurou, sorriu, fez graça e jogou de volta para a audiência. Orgulhosa de ser americana, “Uma garota de Houston, Texas”, ela, para esse final, tinha uma longa cauda estampada com a bandeira dos EUA em preto e branco, tal qual a primeira camiseta usada por Jay Z na abertura da apresentação.

Entre tanta música (o set list você pode conferir no fim da matéria), vale também destacar os vídeos que contam uma história com início, meio e fim. Antes da apresentação começar, uma frase no meio do telão dizia que “Isso não é a vida real”. As primeiras imagens mostram um casal em meio a situações extremas, como perseguições policiais armadas – com direito a Beyoncé disparando uma metralhadora em direção ao helicóptero dos tiras -, Bey sendo atingida por tiros em um altar, louca em um quarto de hotel enquanto liga desesperadamente para o telefone de Jay Z, deixando mensagens histéricas na caixa postal e por aí vai.

 

Part II (On The Run) (Foto: Divulgação)

Part II (On The Run) (Foto: Divulgação)

Já no ato final, a mensagem é outra: Isso é a vida real. E o telão passa a mostrar imagens do cotidiano do casal, como viagens al mare, cenas inéditas do casamento da vida real, e muitos, mas muitos vídeos fofos de Blue Ivy, a primeira filha dos Carter, sendo linda. Impossível não se emocionar e não acreditar na mensagem que eles querem passar: somos felizes, mas somos iguais a todos vocês. “Que prevaleça o amor”, gritou Jay-Z ainda bem no começo do show. E prevaleceu. Até onde vai esse amor? Só o destino dirá.

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1. “’03 Bonnie & Clyde”
2. “Upgrade U”
3. “Crazy in Love”
4. “Show Me What You Got”
5. “Diamonds are Forever”
6. “N—as” in Paris”
7. “Tom Ford”
8. “Run the World”
9. “Bow Down/I Been On”
10. “Flawless”
11. “Yonce”
12. “Dirt Off Your Shoulder”
13. “Big Pimpin’”
14. “Ring the Alarm”
15. “On to the Next One”
16. “Clique”
17. “Diva”
18. “Baby Boy”
19. “U Don’t Know”
20. “Ghost”/”Haunted”
21. “No Church in the Wild”
22. “Drunk in Love”
23. “Public Service Announcement”
24. “Why Don’t You Love Me”
25. “Holy Grail”
26. “Fuckwithmeyouknowigotit”
27. “Beach Is Better”
28. “Partition”
29. “99 Problems”
30. “If I Were a Boy”
31. “Ex Factor” (by Lauryn Hill)
32. “Song Cry”
33. “Resentment”
34. “Love on Top”
35. “Izzo (H.O.V.A.)
36. “I Just Wanna Love U (Give it 2 Me)”
37. “Single Ladies”
38. “Hard Knock Life”
39. “Pretty Hurts”
40. “Part II (On the Run)”
41. “Forever Young”
42. “Halo”
43. “Lift Off” (instrumental)

* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura