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Depois de três anos e 300 mil pessoas nos shows, Oriente encerra turnê de disco acústico e já emenda em novo projeto com convidados: “Até o Zeca Baleiro pode cantar rap”, disse vocalista

Na apresentação deste sábado, 12, no Vivo Rio, o Oriente combina os sucessos da turnê acústica com um gostinho do disco de inéditas, "Yin Yang", que será lançado no dia 1º de setembro

Publicado em 11 de agosto de 2017 | Por Julia Pimentel

As rimas do rap que ganharam versão acústica, atravessaram a Baía de Guanabara e percorreram todo o Brasil, agora encerram um ciclo no Vivo Rio. Depois de três anos, a banda Oriente faz o último show de seu projeto acústico no Rio de Janeiro para um público que, apesar do tom de despedida, não ficará sem as criações do grupo de Niterói. Encerrando o ciclo do “Oriente Acústico”, que reuniu cerca de 300 mil pessoas por quase todos os estados do Brasil, os poetas do hip hop já emendam no novo projeto da banda: “Yin Yang”. No show deste sábado, 12, no Vivo Rio, o Oriente combina os sucessos da turnê acústica com um gostinho do disco de inéditas que será lançado no dia 1º de setembro.

Na apresentação, que ainda terá convidados especiais, o grupo consagra um período de dedicação e descobertas conquistadas com o trabalho acústico. Nestes três últimos anos, a banda Oriente viu o seu nome entrar para a cena musical brasileira com a boa repercussão de canções como “A Dama e o Vagabundo” e “Linda, Louca e Mimada” que, ao lado das outras faixas deste disco, somam mais de 150 milhões de visualizações no Youtube. “A gente gravou esse álbum aos trancos e barrancos em 2014, mas com muita vontade de fazer e crescer. E deu certo. A gente nunca pensou que nosso som fosse chegar a tantos lugares como foi nesses últimos anos. A gente viajou por quase todos os estados e conseguimos lotar ginásios enormes. Agora, nada mais bonito do que fechar esse ciclo no Rio de Janeiro, onde tudo começou”, disse Chino, vocalista da banda.

A banda Oriente se apresenta neste sábado, 12, no Vivo Rio (Foto: Marcos Hermes)

E a decisão parece não ter sido dolorosa para os integrantes. De acordo com o vocalista, depois de colher os frutos desses três últimos anos, agora é a hora de se aventurar em uma nova jornada. “Já aproveitamos bastante. Agora queremos novidades. Nós marcamos de lançar o disco de inéditas para 1º de setembro e aproveitamos para fazer essa apresentação única de despedida no dia 12”, contou Chino que acredita que o sucesso do álbum acústico possa ter sido consequência da estratégia adotada na sonoridade. “Com o violão no lugar da batida eletrônica, muita gente que não ouvia rap nos conheceu e passou a procurar mais sobre o estilo musical. Foi bom porque, desse jeito, conseguimos conquistar novos públicos”, destacou.

Aliás, este é o desafio do Oriente no novo álbum, que será lançado no começo de setembro. Em “Yin Yang”, além de ser um disco só de inéditas, os músicos de Niterói ainda apostam em parcerias ilustres. Entre elas, Criolo, Toni Garrido e Zeca Baleiro. “A gente quer fazer um hip hop que todos gostem. Então, as participações do novo CD chegam com a proposta de que a gente conquiste novos públicos, como o dos próprios companheiros que participam. Ou seja, queremos mostrar que todos ouvir e gostar das nossas músicas. Prova disso é que a gente mostra que até o Zeca Baleiro pode cantar rap”, disse Chino.

E eles estão chegando com tudo. Na verdade, voltando. Depois do sucesso independente do trabalho acústico, o novo projeto do Oriente chega com nomes de peso, estrutura e grana. “Agora ninguém segura a gente. Antes, a banda trabalhava de forma independente e nós mesmos que íamos tocando nossas ideias. Agora, temos um contrato com a Sony que vai nos ajudar a chegar com força no mercado. Nesses oito anos que temos de banda, eu digo que estávamos aprendendo para neste momento chegarmos com força total. Agora que vai começar de verdade”, comemorou Chino que acredita que o Oriente passe a fazer parte de nomes que levam o rap e o hip hop para as massas.

“Agora ninguém segura a gente” – Chino, vocalista (Foto: Diego Matheus)

Assim como Projota e Karol Conka, como citou o vocalista do Oriente, agora eles também serão responsáveis por dar voz a uma música que, para muitos, ainda é marginalizada. “Cada um faz a sua parte na cena musical. Nós temos grandes exemplos de artistas que já estão levando o nosso estilo para a grande mídia e conquistando novos públicos. E nós queremos entrar para esse time. A proposta do Oriente é fazer um hip hop musicalizado, que agrade aos jovens, aos pais do jovens e a todos que ouvirem”, disse.

Mesmo assim, Chino reconhece que não será de uma hora para a outra que o rap passará a ser unanimidade entre os brasileiros. Assim como o samba foi criticado há cem anos e o funk ainda sofre com o julgamento de parte da sociedade, por exemplo, com o rap não será diferente. Mas, na visão do vocalista do Oriente, este estereótipo e preconceito com o estilo musical permitem que as rimas não percam a sua essência. “Nós sempre vamos sofrer com esse julgamento de que o rap e o hip hop são músicas disso ou daquilo. Mas está na nossa identidade falar de assuntos dos quais as pessoas querem e também não querem ouvir. Inclusive, eu acho extremamente importante que a gente continue podendo falar de tudo. Tomara que o preconceito ainda exista e que isso nos permita criar em cima de qualquer temática”, argumentou Chino.

Na prática, por mais que queiram conquistar novos públicos, o Oriente não abandona esta essência do estilo musical. No novo disco, “Yin Yang”, Chino adiantou que tem faixas “bem pesadas”. “A gente começa falando de política, depois dá uma amenizada em um momento mais leve e no final volta pesado de novo. Assim como o nome, a gente quis fazer um yang de sentimentos também na vibe e na ordem das faixas. Então, no disco novo, nós temos os dois extremos”, adiantou sobre o trabalho que também traduz o conceito que nomeia o álbum na imagem da capa. “A foto mostra um yin yang com duas mãos, uma branca e uma negra. Com essa foto, a gente quis passar a ideia de que precisa haver mais amor e união entre as pessoas. E isso não é só entre negro e branco. Todo mundo precisa mudar”, explicou o vocalista do Oriente, Chino.

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