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De funk à axé: saiba tudo o que rolou nos bastidores da festa que abriu o cardápio de Carnaval da Night Rio e contou com a voz de Buchecha!

Nesta sexta-feira, a noite carioca entrou no clima de Carnaval com a festa criada pela Night Rio. O evento contou com uma mistura de sucesso entre o Bloco Ê Saudade e quatro expoentes do funk brasileiro: Buchecha, MC Sapão, Andinho e Marcinho. No backstage, esta galera falou sobre a marginalização do funk na década de 90 e o sucesso atual

Publicado em 10 de Fevereiro de 2018 | Por Ana Clara Xavier

Quem frequenta a balada sabe muito bem que quando começa a tocar funk a galera se joga na pista de dança. “A batida, quando toca, é envolvente e as letras vão animando o público. É por isso que cada vez mais vamos nos tornar profissionais respeitados”, afirmou MC Andinho. Foi a partir desta observação que o grupo da Night Rio, uma empresa voltada para o entretenimento na noite carioca, começou a produzir eventos que colocavam o funk em um pedestal, culminando no sucesso de sete anos da festa Nosso Sonho. A celebração é fruto de uma parceria dos sócios Malta, Bernardo e Bruno, com um dos precursores do estilo musical, Buchecha. “O nome é em função da letra de uma de minhas músicas. Me sinto muito lisonjeado por ter esta homenagem e privilegiado por fazer parte disto”, garantiu o funkeiro. A edição de Carnaval 2018 rolou nesta sexta-feira, no Jockey Club, com direito a participação de quatro expoentes do gênero no Brasil: MC Marcinho, MC Andinho, MC Sapão e, claro, Buchecha. O site HT, claro, acompanhou a festa que contou, até mesmo, com a performance do humorista do Porta dos Fundos, Rafael Portugal, que dançou no palco ao som de Conquista, do Buchecha.

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Se o funk é um sucesso atualmente, devemos muito a um dos precursores deste movimento, Buchecha. E ver a galera pulando na festa Nosso Sonho ao som de Só Love e Quero Te Encontrar só prova que o gênero deve ser respeitado, pois vai muito além de um sucesso momento. No caso deste fenômeno, já são 26 anos de muita dedicação. “Vi este gênero nascer e lutei muito para ganhar o reconhecimento que tenho hoje. Construi o meu sucesso, a minha casa, aos poucos e é por isso que quem chega ao mercado agora está morando em um castelo”, afirmou o cantor. Buchecha sentiu na pele o crescimento deste estilo musical, a marginalização do mesmo e a volta aos holofotes. De acordo com ele, parte deste reconhecimento se deve a carreira internacional de grandes nomes que vieram do funk, como Ludmilla e Anitta. Há alguns anos, ele foi convidado para uma parceria ao lado da equipe da Night Rio que culminou no sucesso atual do evento. @buchechaoficial @nightrio @bernardomalta14 #carnaval2018 #carnaval #errejota #riodejaneiro #funk #axé

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A abertura da programação de Carnaval significa, tanto para a galera do axé quanto do funk, uma semana de muitas apresentações o que exige um cuidado extra. MC Marcinho, por exemplo, já chegou a fazer dez shows em uma noite. A regra funciona da mesma forma para a equipe da Night Rio que é responsável por 16 festas durante 10 dias. Para este período, a chave do sucesso é muita hidratação e boa alimentação. “Aprendemos com baianos a nos preparar para esta maratona”, brincou Buchecha.

A festa Nosso Sonho acumula sete anos de sucesso e parceria entre a Night Rio e Buchecha (Foto: Diego Batista)

Quem abriu os trabalhos da noite foi o Bloco Ê Saudade, que trouxe muito axé retro para a noite carioca. Os sucessos cantados pelo grupo foram desde Eva, da Banda Eva, até Oh!Mila, de Netinho. O público pulou, literalmente, que nem pipoca e provou que é possível a convergência de estilos musicais. “Acho interessando mostrar esta interseção do funk com axé, porque tem espaço para todo mundo. A prova disto é que a galera adora e pede por este mix. Combina muito, a gente se respeita e dá super certo”, afirmou a cantora do bloco, Carol Oliveira. A banda já se apresenta há três anos na festa Nosso Sonho, firmando uma parceria duradoura com a empresa de entretenimento.

 

Carol Oliveira cantando no Bloco Ê Saudade (Foto: Diego Batista)

Entre um show e outro, a setlist do DJ Bernardo Malta, conhecido como um dos melhores do funk carioca. “Sempre gostei muito de funk e, por isso, comecei a tocar com 17 para 18 anos. Todo mundo, de todos os lugares do Brasil, fala que não tenho cara de funkeiro. Eu faço questão de dar o meu melhor”, disse o DJ que também é um dos sócios da Night Rio.

Guilherme Peixoto, Bernardo Malta, Rodrigo Sholl e Bruno Malta são alguns dos sócios e parceiros por trás deste empreendimento (Foto: Diego Batista)

Os funkeiros ainda lembram do preconceito que sofreram durante anos. “A discriminação existe desde que o funk surgiu. Vi muitos amigos sentirem o preconceito na pele. Tivemos que lutar bastante para quebrar paradigmas e mesmo assim ainda rola até hoje”, afirmou MC Marcinho. Um dos exemplos de artistas que sofreram estas críticas foi o próprio MC Sapão, que tocou na festa Nosso Sonho minutos antes de Marcinho. “Vivi todas as fases deste gênero e ver como ele está bem hoje é uma vitória enorme, porque é um ritmo popular que representa uma voz das comunidades”, afirmou o cantor. Na estrada há 26 anos, Buchecha acompanhou todo este processo de afirmação do gênero de pertinho e se é um estilo musical respeitado atualmente significa que devemos muito a ele. “Quando comecei na carreira, no início da década de 90, as pessoas não consideravam a minha música algo profissional, achavam que os MC’s não eram artistas e muitas mães mandavam os filhos arrumarem um ‘trabalho de verdade’. Mal sabia eles o quanto ralamos para nos firmar na nossa carreira e fazer o funk chegar ao topo”, lembrou.

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MC Marcinho é o príncipe do funk. dono das letras Glamourosa, Tudo é Festa e Catucar (Foto: Diego Batista)

Incentivar este estilo carioca, seja em grandes eventos ou na televisão, é importante para a afirmação dos músicos. Além disso, o fato de existirem cantores que nasceram do funk acumulando um sucesso internacional apenas prova que o gênero veio para ficar e precisa ser valorizado. “Ter funkeiros conhecidos no exterior melhorou muito a aceitação do público e hoje vemos artistas cantando com a galera do sertanejo, axé e pagode. A mídia teve um papel muito importante, não tem nem comparação com o tratamento que recebíamos na época que comecei. Anitta, Ludmilla, Naldo, Nego do Borel e muitos outros ajudaram a levar o gênero para outro patamar. Fico feliz de ver o que conseguimos conquistar e ainda tem um grande caminho pela frente”, afirmou MC Marcinho.

MC Sapão é o nome por trás do sucesso Vou Desafiar Você (Foto: Diego Batista)

É graças a esta luta antiga que os profissionais do ramo enxergam um futuro com menos obstáculos. Atualmente é muito mais fácil para quem está chegando emplacar no meio, principalmente a partir do apoio da internet. “Quem está começando agora está colhendo os frutos de um árduo trabalho feito por nós há muito tempo. Os artistas do funk ainda foram os fundadores da casa e, agora, os jovens estão morando em um castelo. Mas ainda assim sou otimista e acredito que podemos alcançar muito mais”, informou Buchecha. O sucesso da carreira de Buchecha, que tem 26 anos de estrada, e MC Sapão, com 17 anos, mostra que o som do funk não se resume a apenas uma música no topo. Na verdade, estamos falando de uma carreira longa e próspera.

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Mas mesmo tendo uma carreira estabelecida, MC Andinho acrescenta a importância de prestar atenção no caminho musical para o qual o funk está caminhando, seja a galera que está começando ou a das antigas. É preciso ter um compromisso social. “Temos uma grande responsabilidade ao cantar, porque é preciso ter cuidado já que existem crianças nos escutando também. Acho que ainda vamos aprender muita coisa, afinal o funk é muito novinho. Ao mesmo tempo, espero que a nossa contribuição amadureça a todos que estão chegando. No entanto, viemos para ficar”, lembrou.

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