SENAI CETIQT 75 anos: Nas páginas da História, a excelência de produção de conhecimento, tecnologia e inovação


O alinhavar passado, presente e futuro nos 75 anos do maior centro latino-americano de produção de conhecimento aplicado à indústria têxtil, de confecção e química e que tem sua chancela na História do país pelas mais diversas ações nas suas áreas estruturantes, como Educação Profissional, Inovação em Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia em Laboratórios e Consultoria, firmando, inclusive, acordos de colaboração para diversos projetos internacionais. A instituição é referência premium na formação de profissionais altamente qualificados para a indústria em sinergia com o high tech e a sustentabilidade por um mundo melhor. Diretor-executivo, Sergio Motta pontua: “Desde a sua criação, já na missão expressa em seu estatuto, o SENAI CETIQT se constituiu como uma instituição orientada para o futuro. Nos seus 75 anos, deu contribuições significativas para o desenvolvimento da indústria têxtil, de confecção e química brasileira, no campo da educação profissional, da modernização tecnológica e da inovação. Para tanto, se orientou pelas tendências tecnológicas e de mercado, buscando pavimentar o caminho das empresas desses setores rumo ao futuro”

Sinônimo de vanguarda e high tech, o SENAI CETIQT comemora 75 anos de sua criação com atuações que o consagraram como maior centro latino-americano de produção de conhecimento aplicado à indústria têxtil, de confecção e química e que tem sua chancela na História do país pelas mais diversas ações nas suas áreas estruturantes, como Educação Profissional, Inovação em Pesquisa e Desenvolvimento, Tecnologia em Laboratórios e Consultoria, firmando, inclusive, acordos de colaboração para diversos projetos internacionais. A instituição é referência na formação de profissionais altamente qualificados para a indústria em sinergia com a sustentabilidade por um mundo melhor. Os cursos são pensados com os profissionais da indústria, desenhando as disciplinas com as mais diversas equipes e segmentos. O SENAI CETIQT também escreveu um novo capítulo na História ao criar, em 2016, a primeira Planta de Confecção da América Latina desenvolvida para facilitar a aplicabilidade dos conceitos da Indústria 4.0. A planta utiliza diversos componentes tecnológicos e de integração com o consumidor, agente ativo no desenvolvimento do produto, servindo de inspiração para as indústrias do setor gerarem processos mais eficientes, produtivos, sustentáveis, competitivos e a mudança de mindset dos profissionais da área. Exemplos disso são a personalização, a realidade virtual e o processo de estoque zero. Em 2018, mais uma iniciativa estratégica para a cadeia de valor da indústria têxtil e de confecção: o lançamento do Master In Business Innovation (MBI) em Indústria Avançada: Confecção 4.0.

Planta de Confecção 4.0 (Foto: Leonardo Pequiar)

A cerimônia de conclusão do curso da primeira turma foi um grande marco para o setor, uma vez que tais projetos foram as primeiras sementes para a implantação da Indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção brasileiro. Ali, 48 empresários e executivos de 32 empresas do setor têxtil e de confecção compartilharam ideias, conhecimentos, informações e, desde então, foram capazes de elaborar projetos de implantação da Confecção 4.0, gerando novos processos industriais. Foi o start para diversos simpósios em Indústria Avançada: Têxtil e de Confecção 4.0, nos quais foram discutidos temas como ‘Cenários e Perspectivas 4.0‘; ‘Máquinas e Equipamentos para a Indústria 4.0‘; ‘Cases de sucesso da Indústria 4.0 no Brasil’; ‘Profissional 4.0‘’ e ‘Ecossistemas de Inovação’.

Segundo a Global Industry Analysts Inc. (GIA), através do relatório “Industry 4.0 – Global Market Trajectory & Analytics“, as projeções para o mercado global da Indústria 4.0 até 2026 chegam a US$ 219,8 bilhões. Para aquecer esse cenário no Brasil, o SENAI CETIQT estimula especializações oferecendo cursos de pós-graduação inovadores voltados para o mercado de trabalho altamente qualificado e gerador de novos negócios entre os diversos atores do cenário tecnológico de forma a catalisar o desenvolvimento industrial no Brasil.

Diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sergio Motta destaca:

Desde a sua criação, já na missão expressa em seu estatuto, o SENAI CETIQT se constituiu como uma instituição orientada para o futuro. Nos seus 75 anos, deu contribuições significativas para o desenvolvimento da indústria têxtil, de confecção e química brasileira, no campo da educação profissional, da modernização tecnológica e da inovação. Para tanto, se orientou pelas tendências tecnológicas e de mercado, buscando pavimentar o caminho das empresas desses setores rumo ao futuro – Sergio Motta

Portanto, a força de todos os que se doam ao trabalho está em conexão com o compartilhar conhecimento, o aprender e o fazer. Com descobertas, criatividade, união e expertise em movimentos constantes. A Faculdade SENAI CETIQT comemorou recentemente o Conceito 5, nota máxima concedida pelo Ministério da Educação e conquistou, pela quinta vez consecutiva, o “Selo Instituição Socialmente Responsável”, concedido pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), por sua participação na 18ª Campanha da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular. A sala de aula passa também por propor e conectar gerações ao desenvolvimento das competências socioemocionais. Para que seja uma prática hoje e amanhã (com atitudes, habilidades e emoções positivas) nas relações profissionais e sociais de cada indivíduo.

Leia mais: SENAI CETIQT, com seu ensino premium, proporciona a conexão de novos talentos com mercado de trabalho na indústria

O Brasil detém a maior cadeia têxtil completa do Ocidente – desde a produção das fibras, como a plantação de algodão, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções até a potência do varejo. Os indicativos mais recentes mostram que o faturamento da Cadeia Têxtil e de Confecção foi de R$ 193,2 bilhões em 2022 contra R$ 190 bilhões em 2021 (IEMI – Inteligência de Mercado), as exportações (sem fibra de algodão) resultaram em US$ 956 milhões em 2023 (Ministério da Economia). O Brasil tem hoje 24,3 mil unidades produtivas formais em todo o país, emprega 1,33 milhão de trabalhadores com carteira assinada e e 8 milhões ao adicionarmos os indiretos e efeito renda, sendo 60%  mão de obra feminina. A indústria têxtil brasileira é a segunda maior empregadora da indústria de transformação, perdendo apenas para o segmento de alimentos e bebidas.

Presidente do Conselho Técnico Consultivo do SENAI CETIQT, Rafael Cervone ressaltou que a contribuição do setor têxtil e de confecção sempre foi preciosa, uma vez que essa área foi responsável pela Primeira Revolução Industrial; relevante para a Segunda; fundamental na Terceira com a computação, e, agora, é protagonista na Quarta Revolução Industrial. Segundo ele, a instituição, a partir da sua missão de mostrar à indústria as megatendências mundiais, sendo protagonista em novas tecnologias e materiais avançados, continuará trilhando o caminho em prol de ser o principal hub de tecnologia, inovação, capacitação e sustentabilidade da América Latina, com reconhecimento global.

Temas como transformação digital, descarbonização, tecnologias vestíveis com sensores biométricos, roupas impressas em manufatura aditiva, gêmeos digitais, inteligência artificial e realidades aumentada/virtual, cada vez mais fazem parte da nossa realidade fabril; além das novas fibras e materiais avançados. Hoje, produzimos, no CETIQT, fibras extraídas a partir do carbono da atmosfera, ou de ligninas extraídas de algas marinhas, produzidas em fazendas bio-oceânicas, algo absolutamente impensável quando me formei engenheiro têxtil em 1989 – Rafael Cervone

SENAI CETIQT: No Dia Mundial da Água, pesquisas inovadoras sobre plasma atmosférico em prol do setor têxtil diminuir o consumo

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Quando participou de painel no Pavilhão do Brasil em Glasgow, durante a 26ª Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, o diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sergio Motta, abordou o tema sustentabilidade e economia circular como práticas para a indústria têxtil, de confecção  e química pensando no hoje e no amanhã. Entre diversos temas, contou sobre a parceria entre SENAI CETIQT e Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) na criação do Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NuSEC). À época ressaltou: “Nossos projetos ajudam o Setor Têxtil e de Confecção a enfrentar grandes desafios. A configuração no país é favorável à implantação, pois, graças ao conhecimento da tecnologia, podemos dar suporte a esses planos. Nossa biodiversidade riquíssima abre portas para novas oportunidades”.

Em Glasgow, na Escócia, Sergio Motta, comentando sobre a realização de projetos com tecnologia de ponta em prol do meio ambiente e o case do NuSEC

Em 2020, em sinergia com o panorama global da indústria da moda, o Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NuSEC) foi estruturado como catalisador de soluções para a promoção da sustentabilidade e economia circular como parte integrante das estratégias de negócios e operações da indústria da moda. Verdadeiro centro de referência para apoiar o setor têxtil e de confecção no Brasil e colocar o país no mapa da modernidade em termos de práticas ecologicamente responsáveis, que lhe permitam abrir novos mercados.

O tema é extremamente importante. Consideramos estratégico para o setor têxtil e de confecção. Como fruto do nosso planejamento, nós temos sustentabilidade e economia circular como uma visão real para o setor. Este assunto traz oportunidades fantásticas para empresas do setor têxtil e de confecção. Por exemplo: redução de custos, desenvolvimento de novos produtos, reaproveitamento de materiais no ciclo produtivo, abertura de novos mercados – principalmente quando esses mercados são altamente regulados – fortalecimento de marcas. Os benefícios são incontáveis – Sérgio Motta

As ações do SENAI CETIQT tem nos proporcionado análises profundas sobre a realidade do pleno processo para um mundo onde conceitos como zero waste, economia circular, sustentabilidade e consumo consciente estão revolucionando a forma como se produz, vende e consome em todo o planeta. Sergio Motta tem frisado que existe “uma grande demanda na implementação da Indústria 4.0 no Brasil e por profissionais com novos perfis, com conhecimento na área de tecnologia da informação e comunicação, digitalização, automação industrial, impressão 3D, sustentabilidade e economia circular. Ou seja, um mundo no qual a indústria tem o SENAI CETIQT como parceiro. Não posso deixar de mencionar a transversalidade do setor têxtil por meio dessa inovação dos materiais. Como exemplo, na agricultura temos têxteis para adubação controlada e geotêxteis para barragens subterrâneas. Na área de mobilidade, a incorporação de fibras condutoras para comunicação com dispositivos eletrônicos. Na área da saúde, têxteis antivirais, têxteis com liberação controlada de fármacos. Na construção civil, têxteis para isolamento térmico e acústico e tecidos fotovoltaicos”.

No IST, a impressão 3D possui capacidade de personalização e criação de modelos únicos, adaptados às preferências individuais dos consumidores

No início da pandemia de Covid-19, quando o mundo desenvolvia testes para a vacina, aqui, no Brasil, cientistas trabalhavam também em soluções cada vez mais importantes de EPIs para ajudar a salvar vidas. O Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI CETIQT, por meio do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras (IST), uniu-se a Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz, e à empresa Diklatex para o desenvolvimento de um tecido capaz de neutralizar o coronavírus. Os testes realizados demonstraram que amostras de tecido foram capazes de inativar mais de 99,9% das partículas virais. Esses tecidos antivirais foram usados na produção de máscaras, aventais e ‘scrubs’. O Instituto SENAI de Tecnologia (IST) coordenou um trabalho fantástico, no qual foram feitas as modelagens das máscaras de forma anatômica e ajustável. Foram desenvolvidas também modelagens para aventais com têxteis com funcionalização antiviral para os hospitais.

“A infraestrutura no estado da arte e uma equipe altamente especializada do SENAI CETIQT permitiram a resposta imediata às novas demandas que apareceram no combate à infecção pelo coronavírus”, observou o diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sergio Motta, durante todo o processo do desenvolvimento de materiais têxteis funcionalizados com ação antiviral, a modelagem, prototipagem e usabilidade de máscaras de proteção, capotes, face shields  – materiais doados aos profissionais de saúde que estavam na linha de frente dos hospitais -, a tecnologia de não-tecidos anti-covid para uso em EPIs hospitalares e ainda o desenvolvimento de um espessante para álcool em gel utilizando nanocelulose como base.

O Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção, em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) e o Serviço Brasileiro das Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) lançou Manual de Retomada das Atividades para o setor têxtil, documento que reúne recomendações e lista as melhores práticas para a retomada de atividades e proteção dos trabalhadores.

Laboratório de Microbiologia (Foto: Divulgação/Letícia Reitberger)

Em 2021, o SENAI CETIQT, que atua de forma transversal em temas identificados como portas para o futuro para as cadeias dos segmentos químico e têxtil e é ponte entre o conhecimento acadêmico e as soluções buscadas pelas empresas, criou o Portal de Bioeconomia, cujo objetivo é ser um ponto de encontro para a disseminação de conhecimento e realização de negócios de forma a catalisar o desenvolvimento em Bioeconomia no Brasil.

Como já escrevi aqui no site, garantir que os recursos naturais do planeta não se esgotem em função do desenvolvimento tecnológico é o grande desafio proposto pelo século 21 e a Bioeconomia é tema de importância central no mundo cada vez mais pautado pela busca do desenvolvimento sustentável e alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Bioeconomia está relacionada a um modelo de produção industrial baseado em soluções para a sustentabilidade com vistas à substituição de recursos fósseis e não renováveis. Os insumos básicos para materiais, produtos químicos e energia são derivados de fontes renováveis, em sinergia com a sustentabilidade do ponto de vista ambiental, social e econômico, com a incorporação de inovação. O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta, e, segundo dados da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), a biotecnologia industrial, por exemplo, é capaz de agregar US$ 53 bilhões ao PIB do país e 217 mil postos de trabalho por ano.

As soluções inovadoras da Bioeconomia, em especial aquelas provenientes do uso da biotecnologia industrial, fornecem uma contribuição vital na transição das atuais práticas econômicas não-sustentáveis, para sistemas industriais renováveis – a economia circular e de base biológica –, aliando inovação e sustentabilidade para a solução dos principais desafios globais. E têm tudo a ver com os pilares básicos do SENAI CETIQT, segundo o diretor-executivo, Sergio Motta: “Como Centro de Tecnologia e Inovação, temos três áreas estruturantes: Educação, Tecnologia e Inovação. A Bioeconomia já permeia essas áreas”.

As novas instalações do SENAI CETIQT, na Barra da Tijuca, foram inauguradas em agosto de 2022. Abrigam a Faculdade SENAI CETIQT e o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção (IST) em um espaço de 16 mil metros quadrados de área construída. São dezenas de laboratórios e ambientes dedicados à inovação. Os laboratórios do IST possuem infraestrutura moderna e equipe técnica qualificada, o que possibilita a realização dos serviços metrológicos de ensaios físicos e químicos em materiais têxteis, medições colorimétricas e calibrações de instrumentos óticos alinhadas aos avanços tecnológicos da cadeia têxtil, confecção, moda e afins. Como diferencial, os laboratórios possuem rastreabilidade a laboratórios nacionais e internacionais. O portfólio integrado de consultorias do IST tem como objetivo fortalecer o desenvolvimento sistêmico do segmento industrial. Apresenta soluções que partem da criação chegando até a comercialização dos produtos, focadas na redução de custos de projeto e na melhoria do desempenho de processos e produtos.

Temos uma equipe de ponta, de alta qualificação técnica. Vamos pensar sempre em novas linhas de atuação, novos nichos de mercado. Nosso grupo está à disposição. Aqui é a casa de todos!” – Sergio Motta

No Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está localizado o Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras. O ISI é estruturado em quatro plataformas tecnológicas de pesquisa e uma área de inteligência competitiva, em um espaço com o que existe de mais moderno em laboratórios de Biotecnologia, Engenharia de Processos, Transformação Química e Fibras.

Na moda já podemos consumir a linha dos wearables, dos têxteis inteligentes vestíveis, que possam monitorar os batimentos cardíacos do usuário desse material têxtil, por exemplo. Mais? Roupas com controle de temperatura, com encapsulamento de cosméticos, na qual é possível colocar aloe vera em uma blusa e ela vai tratar a sua pele, além de têxteis com bioestimulação (proporcionando melhora na circulação, produção de colágeno e redução de dores musculares), auto-limpantes, anti-transpirantes e com propriedades de proteção contra a radiação UV + com tecnologia de materiais frescos, requisitadas em regiões que recebem temperaturas mais altas. O CETIQT tem protagonismo em diversas pesquisas para a concretização desse “admirável mundo novo”.

O SENAI CETIQT sempre esteve muito atento ao que acontece no mundo com relação às tendências e como podemos dar suporte ao desenvolvimento da cadeia têxtil e de confecção. Moda é a ponta do iceberg e tangibiliza tudo o que envolve os elos da cadeia têxtil e de confecção. Estes nossos ambientes democráticos estimulam as ideias, o design, a produção e o consumo com destaque para as novas tecnologias. Mais do que nunca, o SENAI CETIQT ocupa o espaço de ser o indutor do salto tecnológico para todo o universo acadêmico e empresas – Sergio Motta

A LINHA DO TEMPO E PINCELADAS COLHIDAS NA BIBLIOTECA NACIONAL

O ano era 1942 e o Brasil passava por um período promissor na industrialização. O comércio com os Aliados aumentou muito e o lucro das exportações foi um grande incentivo para a indústria brasileira. Seis anos antes, foi fundada a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A necessidade de formação de mão de obra especializada proporcionou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), instituição referência de ensino técnico para formar mão de obra para a indústria nacional. O país havia adotado uma política de substituição de importações por produtos “made in Brazil” e necessitava de educação profissional para crescer mais ainda. Com a implantação de unidades do SENAI no território nacional foi inaugurada, em 1949, no Rio de Janeiro, então capital do país, a Escola Técnica de Indústria Química e Têxtil (ETIQT), unidade do Departamento Nacional do SENAI, para ministrar cursos voltados para capacitar jovens para atender as demandas crescentes e inovadoras da indústria química e têxtil.

O primeiro corpo docente foi constituído por profissionais especializados com formação na Inglaterra e nos Estados Unidos, as duas grandes potências industriais da época. A escola de ensino técnico tinha equipamentos sofisticados de última geração à disposição dos alunos. Cumprindo seu papel de formar técnicos capazes de atuar nos principais elos da cadeia têxtil, a ETIQT logo se tornou referência para a indústria, cada vez mais dinâmica. Durante muitas décadas a sede estava localizada no Riachuelo, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde a estação de trem era chamada “Riachuelo do Rio”. Nos anos 1950, a indústria têxtil representava 25% da força de trabalho da indústria nacional e cerca de 20% do valor da produção brasileira. A ETIQT seguia fornecendo mão de obra cada vez mais capacitada para o setor.

O site Heloisa Tolipan fez uma imersão nos arquivos da Biblioteca Nacional para pontuar nesta reportagem alguns registros da trajetória do SENAI CETIQT: Em 1951, “O Jornal”, de São Paulo, anunciava que seriam oferecidas bolsas para quem quisesse estudar “na única instituição de ensino têxtil existente no país”. Formariam-se desenhistas projetores de máquinas, contramestres de fiação e tecelagem de algodão que receberiam o pagamento de Cr$ 1.500. De acordo com a edição do “Diário Carioca” de 4 de novembro de 1954, 24 bolsistas de seis países sul-americanos – Colômbia, Equador, Peru, Chile, Uruguai e Paraguai – se juntaram aos estudantes brasileiros para aprender técnicas têxteis.

A instituição começou a fomentar atividades em assistência técnica, informação têxtil e pesquisa aplicada nos anos 70, lançando, em 1973, o Curso de Engenharia Operacional Têxtil. No final da década, graças à demanda do mercado, contava com seis especializações. Em 1979, ao completar três décadas, através da Resolução 114 do E. Conselho Nacional do SENAI, a ETIQT passa a ser Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI CETIQT, considerado, atualmente, o formador de excelência de recursos humanos para a cadeia têxtil, de confecção e química e com reconhecimento internacional. No ano seguinte, lançou os cursos de Engenharia Mecânica (habilitação têxtil) e de Estilismo em Confecção Industrial, pioneiro na formação de profissionais qualificados.

O “Jornal do Brasil” em sua edição de 6 de abril de 1986 publicou uma reportagem ressaltando o “pioneirismo” do Curso de Estilismo em Confecção Industrial, que “nasceu de uma necessidade do mercado têxtil e de confecção (…) e com duração de um ano e meio. Desenho de Moda, Desenho de Croquis, Modelagem, Estudos de Formas e Cores, Marketing, Desenvolvimento de Coleções, Evolução da Indumentária, Pesquisa de Moda, Tecnologia de Confecção, Produção de Desfiles são algumas as 23 cadeiras que os interessados têm pela frente”.

No ano seguinte, o “Jornal do Brasil“, no alto de página, trazia uma matéria mostrando que “existe uma forma nova no meio da moda internacional quase tão procurada como notícia quanto as novas etiquetas consagradas: são os principiantes, os novos estilistas. Em Paris, aproveitaram a época dos lançamentos do prêt-à-porter, arranjam uma tecelagem para servir de madrinha e desfilam para plateias curiosas e ávidas de novos nomes. A mesma ideia surge no Brasil através do empenho de professoras do curso de Estilismo do SENAI CETIQT. Graças a força de vontade de alunos e mestres, a formatura da primeira turma foi comemorada no Hotel Rio Palace com manequins de alto nível (…). A turma brasileira teve o privilégio de ver seus desenhos interpretados pelos confeccionistas mais importantes do Rio (como Alice Tapajós, Gregório Faganello, Tânia Siab, Marco Rica). Para os 18 talentos do CETIQT, esse desfile pode representar uma boa entrada no mundo profissional (…) O estilista Georges Henri comentou: “Melhor que o Berçot”, comparando o CETIQT a uma das maiores escolas parisienses.

Nos anos 90, as empresas passam a adotar programas de racionalização, levando a um aumento considerável de produtividade. Nesse contexto, em 1997 o CETIQT foi a primeira unidade a lançar o ensino de nível superior no Sistema Indústria com o Curso de Engenharia Industrial Têxtil. Em 2001, disponibiliza o primeiro curso superior de Design de Moda do país, a fim de atender as crescentes demandas da indústria.

VIDAS TRANSFORMADAS E TRABALHO EM PROL DA INOVAÇÃO

Recebi uma série de informações do SENAI CETIQT para levar até você, leitor. E aqui publico dois depoimentos emocionantes de histórias de vida. O texto começa citando Joseph Schumpeter (1883-1950), considerado um dos maiores economistas do século XX, e que sempre pontou que a inovação é o motor do crescimento econômico. “Assim, o SENAI CETIQT entra realizando o seu melhor papel: proporcionando soluções inovadoras para que a indústria possa se desenvolver de maneira estratégica, seja capacitando a mão de obra para o que o mercado precisa, seja buscando alternativas viáveis, através dos seus institutos, laboratórios e expertise”. Somando mais de 200 mil alunos formados, ao longo desses 75 anos, o centro foi muito além da educação profissional, transformando vidas a partir da experiência que esses alunos tinham ao estudar na instituição.

Coordenador de Inovação em Fibras, do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras (ISI), do SENAI CETIQT, Adriano Passos tem sua trajetória de vida e profissional intrinsecamente ligada à instituição. Ele foi aluno do curso Técnico Químico e Têxtil, nos anos 80.

Além do conhecimento técnico, o CETIQT contribuiu para a minha formação como cidadão e como pessoa. O SENAI tem esse papel que é intangível: transformar vidas – Adriano Passos

Ele, que retornou há 12 anos para trabalhar na instituição depois de atuar 22 anos no mercado, reforçou o seu sentimento de realização profissional: “A instituição sempre teve um olhar a frente para encontrar, ajudar, aprender e conhecer pessoas e profissionais, ela realiza entregas e contribui para a vida das pessoas gerando emprego e o crescimento da indústria, com isso me sinto realizado.”

Especialista de Mercado no Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção, do SENAI CETIQT, Renata Monteiro se formou em Engenharia Industrial Têxtil, em 2006, e compartilhou que estudar na instituição foi uma experiência singular: “A interação com professores altamente qualificados e colegas de diversas regiões do país, me preparou não apenas para o mercado de trabalho, mas também para os desafios da vida em si”. Ela também ressaltou que essas ações inovadoras, que são alinhadas com as últimas tendências do mercado, se traduzem nas soluções que a instituição oferece em educação profissional e consultorias especializadas para empresas. Destacou ainda o papel pioneiro do SENAI CETIQT:

Com um olhar vanguardista, o CETIQT sempre teve foco na preparação de jovens e trabalhadores para as demandas emergentes, servindo como uma antena na identificação e captura das mais recentes inovações – Renata Monteiro

Renata frisou que as lideranças moldadas pelo SENAI CETIQT ocupam cargos-chave em todas as principais empresas da área. Com uma mentalidade inovadora contínua, a Instituição continuará sendo a âncora, introduzindo novidades e impulsionando o crescimento da indústria.

ALINHAVANDO FUTURO (S)

Os relatórios referentes a 2023 demonstram que o SENAI CETIQT teve ações integradas com mais de 1.700 empresas, formou cerca de 5.000 alunos, esteve envolvido em aproximadamente 50 projetos em PD&I. O IST realizou mais de 7.300 ensaios de metrologia.

Para o presidente do Conselho Técnico Consultivo do SENAI CETIQT, Rafael Cervone, será reconhecido como um forte instrumento de transformação, tanto da indústria, quanto das pessoas, especialmente na mudança de mindset, necessária ao novo mundo “Glocal”.

De acordo com a Direção Executiva, o SENAI CETIQT continuará cumprindo o seu papel de radar de tendências e oportunidades, e indutor de inovação, se estruturando para atender às demandas do setor têxtil e de confecção.

No momento, o CETIQT está atuando na educação profissional por meio da oferta de especializações técnicas, de cursos de nível superior e curta duração. A instituição também está operando os serviços de consultoria voltados para a produtividade, a sustentabilidade ambiental, a social, de governança e para a competitividade das empresas do setor T&C.

Os serviços tecnológicos, de inovação e de consultoria, nas áreas de uniformes profissionais e da indústria de Defesa, continuarão no foco do CETIQT, assim como o fortalecimento da sua atuação como uma Think Tank para a inovação, por meio do mapeamento de oportunidades e possibilidades de fomento.

O SENAI CETIQT participou de diversos projetos de desenvolvimento de Produtos Estratégicos de Defesa (PED) no país, incluindo o primeiro PED do setor têxtil e de confecção: o conjunto camuflado dos fuzileiros navais. Além disso, também atuou no desenvolvimento de conjunto operativo, segunda pele para submarinistas, camisa de combate, capa de colete balístico, uniforme antiviral e macacão da Marinha do Brasil e dos conjuntos camuflados, camisas de combate, macacão de combate e capa de colete balístico do Exército Brasileiro.

Para dar continuidade no trabalho de excelência, a instituição conta com profissionais de alta competência, desfrutando de uma posição de destaque, como um dos principais influenciadores acadêmicos no setor de transformação, que é o segundo maior gerador de empregos do país.