Moda & Beleza

Su Tonani fala sobre a paixão por figurino e analisa a cultura de “look do dia”, ditadura na moda e massificação do fast-fashion

A stylist é responsável pelo look de famosos como Nathalia Dill, Bela Gil, Marcos Veras, Julia Rabello, Letícia Colin e outros e brinca até com as próprias roupas: “Me dou liberdade poética, por ser figurinista, de montar personagens diários”

Publicado em 28 de dezembro de 2015 | Por Karina Kuperman

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Su gosta de testar looks em si mesma desde nova (Foto: Reprodução/Instagram)

Brincar de boneca. É assim que a stylist Su Tonani define sua rotina. Nome por trás do estilo de famosos como Marcos Veras confira aqui o nosso editorial exclusivo com o ator e humorista -, Julia Rabello, Nathalia Dill, Letícia Colin, Sabrina Petraglia entre outros, ela contou que a paixão pela moda vem de infância, quando, ainda no Espírito Santo, onde nasceu, brincava de se produzir com as roupas da avó. “Eu tenho uma irmã mais nova e ela me deixava vesti-la também. Era prazeroso pegar as peças do armário da minha avó e montar looks em nós duas. Depois, na adolescência, eu não tinha dinheiro para ficar saindo. Então, experimentava roupas e me maquiava como se fosse para uma balada. Ficava testando o meu armário. Até hoje eu amo fazer isso. Adoro ficar em casa provando tudo, montando looks para mim e para os outros. É quase um brincar de boneca reinventado”, definiu. Mas o contato profissional veio depois. “Começou quando eu passei a opinar muito na marca de uma amiga da minha mãe. Eu sugeria modelos, tecidos e comecei a trabalhar lá de graça. Eu participava de tudo e, dali, fiz cursos de corte, costura, bordado e vários outros. Isso despertou meu olhar”, lembrou.

Paralelamente aos cursos, ela ingressou na faculdade de desenho industrial com o sonho de ser editora de moda de revista. “Mas esse desejo acabou indo embora quando conheci o trabalho de figurinista. Hoje só penso nisso”, destacou ela, que começou um projeto ao lado de ninguém menos do que Gogoia Sampaio. “Estávamos fazendo a novela das 21h que acabou sendo substituída e paramos, mas estou muito ansiosa para voltar a ter esse contato. Ela é incrível, quem me indicou foi a Claudia Kopke, que é outra que eu admiro muito. A Beth Filipecki foi a primeira pessoa que eu trabalhei na Rede Globo e também é outra deusa. Essas três são quem eu admiro nesse meio. Tenho muitas profissionais como fonte de inspiração”, declarou Su. “Elas são quem eu admiro na vida. A Claudia não envelhece nunca. É a pessoa mais cool que eu conheço, sabe tudo de figurino de shows. A Beth é uma doçura. E é referência em época e a Gogoia é uma grande profissional da contemporaneidade”, analisou.

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Su trabalha em figurino de televisão, teatro, cinema e, atualmente, se dedica ao “Bela cozinha”, projeto do qual tem muito orgulho (Foto: Reprodução/Instagram)

Se estes são alguns ídolos, a admiração por cada um deles é imensa. “Eu sou apaixonada pela Regina Guerreiro também. Ela é moderna, incrível, tem uma loucurinha que eu acho um tesão”, confessou. Personalidade, aliás, é a aposta de Su para qualquer temporada. “É o que nunca sai de moda. Copiar um site ou se prender ao que dizem é cafona. Quem não coloca algo de si em seu look fica sem identidade. Pode ser desde um lenço a uma cor de um esmalte. Não precisa gritar, é essência”, disse ela. Perguntada sobre qual tendência acredita que ainda vamos ouvir falar, ela foi enfática: “O andrógeno, que tem vindo com muita força. Saímos do girly para o normcore, com bastante pegada masculina”, explicou.

Mesmo com suas apostas, Su prefere não rotular tendências. Prova disso é sua opinião sobre a cultura do “look do dia”. “Não acho que tenha mais esse poder todo. Essa imposição, que ditava regra e vinha quase como uma ditadura fashion já se perdeu muito. Com as redes sociais, tudo vira um diário, mas acho que tem mais a ver com a vida do que com a moda em si. As pessoas acham as próprias vidas muito interessantes”, disse ela, que é contra os padrões. “Ao abrir qualquer livro de streetstyle ao redor do mundo é possível ver que não tem mais do mesmo, isso é incrível. Viva a diversidade, o particular”, comemorou.

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A stylist adora viajar e analisar o estilo nas ruas fora do país (Foto: Reprodução/Instagram)

Em suas roupas, ela expressa o mesmo sentimento. “Me dou liberdade poética, por ser figurinista, de montar personagens diários. Gosto de ser feminina, masculina, tropical”, definiu ela, que adora comprar em lojas pequenas e brechós. “A moda brasileira tem ido contra a massificação do fast-fashion. Temos marcas novas surgindo o tempo todo e saindo do genérico. Acredito muito nesse movimento. Tem brechós como O Grito, o Belchior, que fazem feiras com peças reformuladas. Eu compro muito em vintage houses peças que já foram de alguém. Não é por que são roupas exclusivas que precisam ser caras”, defendeu.

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Su Tonani, Isabel Nascimento Silva, Pathy de Jesus e Paola de Orleans e Bragança brincam com jeans (Foto: Reprodução/Instagram)

Há quatro anos no ramo, Su se orgulha de onde já chegou. “Comecei com a Nathalia Dill, que era minha amiga e estava querendo mudar de stylist, e hoje tenho outros nomes de gente que amo. Gosto de trabalhar com quem eu gosto. Estou há três anos fazendo o ‘Bela cozinha’, que foi um convite da direção do programa para uma consultoria só. A direção não tinha verba para figurino, mas amaram a ideia. Foi uma imagem concebida junto com a direção de arte do programa e eu tenho um orgulho e paixão imensa por esse projeto”, declarou ela, que também já se dedicou a curtas, longas, publicidade, teatro e editoriais, além de televisão. Com tanta experiência em poucos anos, ela não pretende parar tão cedo. “Ainda tenho o sonho de fazer figurino para balé. Daqui há dez anos só quero fazer figurino que me dê prazer, não trabalhar por dinheiro, mas por emoção. O styling é a ponte, mas quero fazer dramaturgia, entender personagens”, disse. A gente não tem dúvida: ela chega aonde quiser.

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