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Em sua coluna do site HT, a dermatologista Mônica Azulay explica as diferenças entre os raios ultravioletas e como se proteger no dia a dia. Vem ler!

Em conversa com Marcia Disitzer, Mônica ainda explicou como atuam as radiações eletromagnéticas, o tempo ideal de exposição ao sol pela manhã e o que é luz visível e radiação infravermelha

Publicado em 7 de fevereiro de 2017 | Por Junior de Paula

*Por Marcia Disitzer

Verão é sinônimo de dias mais longos, praias sem fim, atividades ao ar livre. A temperatura sobe, a roupa diminui e a exposição solar aumenta. Mas o sol no Brasil não está de brincadeira: de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o mais frequente no país. A boa notícia é que apresenta altos índices de cura, caso seja tratado precocemente.

Em sua segunda coluna no site Heloisa Tolipan, a dermatologista Mônica Azulay explica como atuam as radiações eletromagnéticas, as diferenças entre os raios ultravioletas, o que é luz visível e radiação infravermelha. Na terça-feira que vem, ela irá ‘decifrar’ os filtros solares, facilitando a escolha de acordo com a tonalidade de pele e o estilo de vida de cada um.

MD: Mônica, o que significa UVA e UVB e quais são as suas diferenças?
MA: A luz solar possui diversos tipos de radiação, dentre as quais as radiações ultravioleta A e ultravioleta B. O UVA está diretamente ligado ao fotoenvelhecimento, ao bronzeamento da pele e também pode causar câncer de pele. Já o UVB é mais cancerígeno e está relacionado à vermelhidão, ao ardor e às queimaduras. Por isso é necessário usar um filtro de amplo espectro, de uma marca confiável. Lembrando que nenhum filtro é passaporte ao sol. Ele filtra a radiação, mas não a bloqueia.

MD:Quais são os piores horários para se expor ao sol?
MA: Deve-se evitar a exposição solar entre 10h e 15h (11h às 16h no horário de verão). Mas é bom lembrar que a radiação UVA, que predomina nos primeiros horários da manhã e no fim da tarde, prevalece verdadeiramente durante todo o dia. O UVA não é barrado pela camada de ozônio. Existe ainda o mito de que a radiação UVA é a ‘boazinha’. Entretanto, não é bem assim. Se passarmos anos nos expondo ao sol nas primeiras horas da manhã, diariamente, ainda que com filtro solar, teremos uma pele bastante envelhecida e com potencial de desenvolver câncer de pele.

MD: O que é luz visível e radiação infravermelha?
MA: O nome luz visível já é autoexplicativo: é a luz que a gente vê. A luz visível faz parte da luz solar, assim como a radiação UVA, UVB e o infravermelho. Além da luz visível natural, que vem do sol, temos a luz visível artificial, que parte de telas de TV, do computador, do iPad, de lâmpadas fluorescentes etc. A luz visível, assim como a radiação ultravioleta, pode piorar o melasma (doença de pele formada por manchas amarronzadas, muito frequentemente na face). Por isso, quem fica diante do computador por várias horas diariamente e tem melasma ou outras doenças que possam piorar com a luz visível, deve se proteger com filtro solar. Já os raios infravermelhos atravessam todas as camadas da pele e interferem no colágeno, podendo também causar envelhecimento cutâneo. Pesquisas científicas recentes têm demonstrado que a luz visível e o infravermelho também podem influenciar na questão do envelhecimento e do câncer de pele.

MD: Qual é o tempo de exposição solar recomendável pela manhã, por exemplo?
MA: Mesmo o sol da manhã deve ser tomado com moderação, de acordo com o tipo de pele. Existem seis fototipos cutâneos, que vão da pele muito clara à negra. Uma pessoa de pele muito clara deve tomar, no máximo, duas horas de sol da manhã por semana, usando um filtro solar de amplo espectro, que proteja tanto contra a radiação UVA e UVB, assim como também da luz visível e dos raios infravermelhos.

MD: Quanto tempo por dia de exposição solar é necessário para o organismo sintetizar vitamina D?
MA: Dez a 15 minutos de exposição solar diárias são suficientes para a síntese da vitamina D. Vale lembrar que não há necessidade de expor o corpo inteiro. Pessoas que usam short e saia e que estão com os braços expostos, até mesmo dirigindo, já estão absorvendo uma quantidade suficiente de ultravioleta. Quem tem pele negra deve ficar mais tempo ao sol, mais do que os 15 minutos, em média, necessários, para o adulto de pele clara. Bebês até seis meses de idade não podem utilizar filtros solares e devem ter banhos rápidos de sol, de pouquíssimos minutos. Há quem afirme que o filtro solar não permite a síntese de vitamina D e a consequente calcificação óssea. Permite sim. Existem pesquisas mais recentes, consistentes e bem elaboradas, que demonstram que mesmo com a utilização do filtro solar a vitamina D é sintetizada.

MD: E no dia a dia, Mônica, como deve ser a proteção solar?
MA: Existe a exposição intencional, que é quando o indivíduo tem a intenção de se expor ao sol, seja na praia, na piscina ou em um passeio ao ar livre; e a não intencional, que acontece sem este intuito, em quem caminha pela rua, em atividades diárias, e até em uma varanda e dentro do carro (os vidros permitem a passagem do UVA e dos raios infravermelhos). Na praia ou na piscina, deve-se aplicar o filtro solar no rosto e em todo o corpo e reaplicá-lo a cada hora e meia. Quem fica muito tempo dentro da água deve reaplicá-lo a cada 45 minutos, especialmente crianças, que gostam de ficar períodos longos dentro do mar e da piscina. O fator de proteção solar (FPS) neste caso deve ser de acordo com a tonalidade da pele. No dia a dia, um filtro com fator de proteção solar (FPS) 20 ou 30 no rosto é suficiente e, caso o indivíduo volte a se expor ao sol, deve ser reaplicado. Quem trabalha ao ar livre deve reforçar o uso do filtro ou optar por roupas com proteção UV.

Semana que vem vamos falar sobre filtros solares. Quando o uso do filtro solar passou a ser difundido no Brasil? Os primeiros filtros industrializados no Brasil têm cerca de 30 anos. Mas de lá para cá, muita coisa mudou…

Ficou curioso? Na terça-feira que vem, a dermatologista Mônica Azulay vai tirar todas as suas dúvidas em relação a esse produto fundamental para a beleza e para a saúde da pele.

Mônica Azulay é considerada uma profissional completa. Ela se formou na UFRJ, seu mestrado foi sobre sarcoma de Kaposi em pacientes com Aids, doença que estuda desde a década de 80, e na tese de doutorado, em 2003, ela se debruçou sobre um assunto pouco abordado naquela época: a atuação da vitamina C tópica no fotoenvelhecimento. Com anos dedicados à dermatologia, Mônica é uma referência na área e atende em sua clínica na Barra da Tijuca e em seu consultório do Leblon.

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  • Sura Szczerbacki

    ADOREI SUAS EXPLICAÇOES. FORAM BEM DIDÁTICAS E , COM CERTEZA, SEMANA QUE VEM ESTAREI ATENTA PARA SABER MAIS SOBRE FILTRO SOLAR. GOSTEI MUITO DO QUE FALOU DA VITAMINA D. BJS.