Moda & Beleza

Apaixonado por cores, Marlon Portugal retorma à moda e comenta cenário fashion contemporâneo: “É out falar de tendência”

Após uma década como sócio em um salão de beleza, há quatro anos o stylist voltou a trabalhar com moda e, inclusive, assinou um editorial exclusivo do site HT. Nesta retomada, Marlon analisou as mudanças na profissão e disparou sobre o boom das blogueiras e influenciadoras da internet: "Essas novidades são muito passageiras, assim como a moda"

Publicado em 12 de Janeiro de 2018 | Por Julia Pimentel

A moda é uma imensidão de possibilidades e um turbilhão de combinações. Por isso, além de escolher as peças certas, é preciso saber combiná-las. E é aí que entra uma importante função do cenário fashion: o styling. Com o objetivo de tornar diversas referências uma opção harmônica, Marlon Portugal é stylist e nome forte no mercado da moda. Responsável por produzir o editorial com Vanessa Gerbelli para o site HT, ele coleciona trabalhos importantes em suas duas passagens pelo mercado fashion. Sim, ele foi e voltou. Embora sempre tenha tido a moda como paixão em sua vida, Marlon teve um começo improvável, uma pausa e um retorno essencial.

Filho de militar e com sonho de ser modelo, esta nunca seria uma profissão possível para Marlon Portugal. “As pessoas diziam ao meu pai que eu deveria ser modelo, mas ele era militar e não achava essa carreira legal. Só que eu sempre fui apaixonado por moda. Então, entre um trabalho e outro que eu tentei fazer, eu produzi o desfile de uma amiga minha. Sendo que eu falei que não sabia fazer isso, só desfilar. E ela confiou no meu bom gosto”, lembrou sobre o começo aos 18 anos que lhe abriu as portas para o primeiro mergulho. “Eu não achava que era uma profissão. Para mim, era quase como um passatempo”, confessou.

Marlon Portugal assinou o stylling do editorial do site HT com Varnessa Gerbelli (Foto: Leo Farah)

No entanto, no meio do caminho, Marlon decidiu investir em outra esfera do comportamento e foi sócio em um salão de beleza por dez anos. Resultado? A moda o chamou de volta para nunca mais largar. “Eu quis voltar porque eu precisava daquilo. Teve um momento que eu passei a me incomodar muito por não estar mais vivendo aquele universo fashion”, disse. Foi então que há quatro anos o stylist fez as malas e começou a vida do zero em São Paulo.

De lá para cá, Marlon Portugal apostou em um novo conceito profissional e em pouco tempo já construiu um nome de peso no mercado da moda. “Nesses quatro anos eu consegui um espaço muito bacana de confiança dos atores e modelos que eu trabalho. Eles têm muito carinho e respeito pelo que eu faço e isso me deixa lisonjeado. É uma responsabilidade muito grande”, analisou Marlon que, para isso, destacou a importância da carga teórica e de valorizar os pilares da carreira como stylist. “Eu gosto de pegar uma atriz e ver o que posso fazer para elevar ela a um campo que não está acostumada. Geralmente, as artistas estão sempre muito bonitas por causa da televisão. E, na minha profissão, a gente consegue fazer brincadeiras com que elas fiquem mais fashion ou até estranhas”, destacou.

Vanessa Gerbelli por Marlon Portugal (Foto: Ricardo Penna)

Afinal, para Marlon Portugal, a estética sempre bonita é um problema. E, inclusive, esse foi um dos motivos que afastou o stylist do estilismo. Segundo ele, apesar de gostar do conceito da criação, os elementos que acompanham a função de estilista o desanimam. “Eu adoro desenhar, mas eu não gosto da obrigação de fazer uma coleção a cada seis meses. Fora que é uma profissão descartável. Se você vende, é maravilhoso. Se não faz sucesso, tchau. É um risco muito grande que eu não quero assumir. Não faz parte de mim passar por isso”, explicou.

Por isso, ele segue com a função de ser o quebra-cabeça das produções de moda. E, em comum, os trabalhos de Marlon Portugal costumam apontar para uma mesma identidade: as cores. “O meu styling sempre é colorido. Eu gosto do minimalismo, mas também adoro exaltar a beleza das cores”, contou o stylist que destacou a importância de conhecer os elementos de moda para garantir um visual colorido, porém harmônico. “Poderia ser over se você não soubesse lidar, mas o meu resultado fica bonito no final”, garantiu.

Erika Januza por Marlon Portugal (Foto: Reprodução)

Porém, mesmo com todo este conhecimento e experiência, Marlon contou que não se sente confortável para dividir suas habilidades na internet. Segundo ele, o trabalho de styling é uma construção individual para cada um e não pode ser generalizada na rede. Para ele, não existe a história de gordinhas não poderem usar listras horizontais e baixinhas vestido longo. Cada caso é um caso. “Eu ainda não estou confortável com essa linguagem de internet. Eu posso dizer para usar verde porque é tendência, mas nem todo mundo pode. Cada pessoa é uma história diferente. Então eu gosto de estudar individualmente. E, quando falamos para uma massa, isso acaba ficando generalizado porque não há um filtro da informação”, comentou.

Fora que o stylist também destacou a importância de trabalhar dentro de um conceito que já faça parte da identidade de cada um. “Eu não posso transformar uma pessoa super básica em uma blogueira hiper fashion. Se eu fizer isso vou acabar com a identidade dela. O trabalho de styling é elevar o estilo básico para ir transformando aos poucos”, apontou Marlon que, inclusive, comentou este boom das influenciadoras digitais. “Hoje em dia estamos vivendo um cenário um pouco problemático porque todos se acham entendedores de moda. Porém, o que eu digo é que vestir alguém não é ser stylist. Isso é muito fácil. Para a gente que trabalha com moda de verdade, nós queremos o além”, disse.

Styling assinado por Marlon Portugal (Foto: Reprodução)

Por isso, ele acredita que este cenário não seguirá por muito tempo. “Essas novidades são muito passageiras, assim como a moda. Não existe uma fidelização às tendências ou apostas, estamos sempre trocando. Porém, quando existe uma assinatura em que as pessoas passam a confiar, o trabalho está garantido. Eu posso não fazer 100 pessoas, mas terei dez fieis”, analisou.

O fato é que todos esses ingredientes contemporâneos fizeram a moda se transforar e evoluir nos últimos tempos. Para Marlon Portugal, um dos principais ganhos que a tecnologia trouxe foi a democratização do estilo e das tendências. Por falar nisso, este é um conceito que está ficando para trás. Embora as apostas de cada estação continuem existindo, nada mais é obrigatório no cenário fashion, segundo o stylist. “A internet trouxe um benefício que eu gosto muito, que é a democratização. Nada mais é restrito a um padrão único. É out falar de tendência. Mesmo a cor de 2018 sendo a ultra violeta, isso não significa que todos vão ter que sair de roxo pela rua. Vai quem quiser e gostar”, disse.

De roxo ou qualquer outra cor, 2018 promete ser uma sequencia de boas conquistas para Marlon Portugal. Aquariano e com pensamentos grandiosos, o stylist contou que quer se firmar com dois públicos diferentes em duas cidades. E, depois disso, ir além. “Eu estou me firmando como stylist no Rio e quero ser referência com atrizes aqui. E, em São Paulo, voltar a trabalhar com modelos e fazer deste o meu conceito de carreira. Fora isso, o meu próximo passo é fazer uma empresa de consultoria de imagem e eu já estou me estruturando”, contou Marlon Portugal. Que venha 2018!

Pesquisas relacionadas

  • Carmo AP

    Show!!! Parabéns pelo caminho trilhado, nada é fácil e o amadurecimento veio com o tempo! Hoje você com certeza sabe da sua importância no ramo da moda e onde quer chegar!
    É isso aí!!! Nada é por acaso, você fez por onde e irá muito além disso ainda!!!
    Parabéns!!!

  • Fabio Pamplona

    Também acho que fazia mais sentido falar em tendência universal quando vivíamos imersos em um monopólio na comunicação. Atualmente compreende-se melhor que cada um tende para um lado de acordo com sua história como Marlon bem colocou. Ainda que se possa tentar abstrair uma certa “tendência média” a partir das tendências individuais, a velocidade das suas mudanças faz com que não valha a pena seguí-la como regra.