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Jovem arquiteto carioca, Victor Niskier fala sobre reutilização e reformar de espaços clássicos: “É tempo de readequar o que já existe”

Com formação na PUC-Rio e na Universidade de Coimbra, Victor Niskier fala sobre a potencialização dos espaços já existentes para que eles atendam melhor os seus usuários.

Publicado em 7 de abril de 2017 | Por Rodrigo Cohen

Tempos difíceis pedem soluções criativas. Esse foi o pensamento que movimentou a cabeça do jovem arquiteto de 26 anos, Victor Niskier. Formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e com pós em Conforto Ambiental na Universidade de Coimbra, em Portugal, ele vem chamando a atenção do público que deseja reformar e personalizar ambientes de uma maneira inteligente, nobre e sustentável. Direto do seu primeiro escritório, o Arqnisk- Niskier Arquitetos Associados, Victor explicou um pouco ao HT sobre o Conforto Ambiental, contou da sua experiência e falou sobre as tendências percebidas na área.

“O conforto ambiental são todas as propriedades que envolvem as pessoas no seu ambiente de trabalho ou no espaço habitado. Envolve acústica, térmica, ergonomia. A minha pós foi bem pautada em transformar o ambiente em o mais confortável possível para o usuário. Estudei como evitar ruídos em arquitetura através da espessura da parede ou através de isolantes acústicos. É um tema bem atual. Quando você projeta pensando nessas questões todas, evita transtornos como ter que deixar o ar condicionado ligado o dia inteiro e economiza na energia também”, explicou o arquiteto.

Olhando para a situação atual em que os recursos naturais do planeta se encontram é impossível tirar a sustentabilidade da cabeça seja qual for a área que você trabalhe. “A partir da eficiência energética ou acústica, você evita componentes mecânicos e artificiais. Você não precisa fechar as janelas para evitar a acústica, por exemplo. Quando você pensa em um ambiente confortável para o usuário, você planeja ele para que seja usado em totalidade com menos recursos artificiais para te resguardar”, afirmou. Mas não é só dessa maneira os cuidados com a Terra estão presentes no trabalho do arquiteto.

Um dos temas que Victor gosta de trabalhar também é a reutilização de materiais. Desde o seu tempo de aluno, ele se encantou e começou a pesquisar sobre o assunto. “Eu comecei a estudar a partir de matérias eletivas dentro do curso. Acabou se tornando o assunto da minha pesquisa e trabalho de conclusão de curso, mas foi no evento ‘Morar Mais por Menos’ que eu consegui expor algum projeto relacionado a esse tema. Eu levei um jardim vertical feito com blocos de concreto. Eu quis instigar a possibilidade da transformação dos objetos já que a reutilização é, pela maioria, visto como algo não nobre. Eu tentei transformar blocos de construção civil que parecem tijolos em paredes verdes que estão super em alta.”

Lobby Leblon Ocean depois da reforma de Victor

“Uma das minhas maiores preocupações é não deixar as coisas com cara de barato ou descartável. As pessoas querem algo bonito, algo que chame a atenção e eu gosto de mostrar que o reuso pode chegar até esse resultado. Um pneu de caminhão com uma lona podem ser transformado em um puff incrível. Até pouco tempo as lonas eram tecidos para cobrir caminhão e hoje estão valorizadas. Um sofá com esse tecido em lojas renomadas custa de R$20.000 a R$30.000, então por que você não pode pegar uma lona e reutilizar outro material chegando ao mesmo resultado?”, questionou o jovem.

Já sobre as tendências estéticas do momento, o arquiteto acredita que a aparência industrial esteja sendo cada vez mais abraçada pelos brasileiros. “Tudo está mais transparente. Não tem mais aquela coisa do mascarar e tentar cobrir. Você tem o cobre aparente, que até pouco tempo todos queriam ver longe. Você vê a verdade das coisas. A instalação aparente é muito usada e nada mais é do que você ver todo o caminho que a eletricidade faz. Caiu aquela preocupação e aquele conceito de falsear tudo. Claro que tudo com uma aparência muito bem pensada. Você pode ter um tapete persa com as instalações aparentes, por exemplo. Umas tem acabamentos mais estilizados, outros mais românticos. A solução é encontrar o equilíbrio entre as coisas”, enumerou.

Sem prepotências, Niskier entende que o seu maior público está na Zona Sul carioca e que é quase impossível construir algo novo. Por isso, o seu maior conceito está ligado sempre a transformar e reformar, modernizando os espaços já existentes e deixando-os mais próprios para uso. “A gente tem prédios nobres na zona sul que são da década de 70 que tem valores altos, mas com portarias degradadas e defasadas em termos de iluminação. Nesse momento em que vivemos é tempo de readequar o que já existe, exaltando os aspectos nobres do espaço e trazendo elementos novos para potencializar o ambiente. Não é um quebra-quebra generalizado, às vezes com uma simples intervenção de iluminação, o ambiente volta a ter uma cara nobre”, concluiu Victor.

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