Gente & Comportamento

Em sua segunda personagem de época, Agatha Moreira interpreta uma das protagonistas mais famosas da literatura de Jane Austen

Em Orgulho e Paixão, a atriz vive Ema, uma mulher que está focada em arrumar bons parceiros para as amigas, mas acaba esquecendo de sua própria felicidade. A figura é o completo oposto do lado aventureiro e batalhador da amiga Elisabeta, vivida por Nathalia Dill

Publicado em 29 de Março de 2018 | Por Ana Clara Xavier

Cabelo enfeitado com flores, luvinhas nas mãos e vestidos armados e cheios de babados são algumas das características perceptíveis à primeira vista na figura de Ema, um dos principais papéis de Orgulho e Paixão, a nova novela das 6. Tudo o que esta menina externa em sua maneira de vestir apenas ajuda a compor a sua personalidade jeitosa de menina rica. Filha de um barão, a personagem de Agatha Moreira é considerada a casamenteira oficial da região do Vale do Café, fazendo da felicidade amorosa de suas amigas o seu objetivo de vida. “A Ema coloca a felicidade dos outros acima da sua. Em nenhum momento ela se pergunta se está sendo feliz, na verdade apenas cumpre o seu dever que é cuidar do pai e do avô”, afirmou a atriz, que confessou ter tentado ser cupido duas vezes, mas garantiu que ambas as experiências foram péssimas. A trama é inspirada nos romances de Jane Austen e esta mocinha é uma das grandes protagonistas dos livros da autora inglesa, tornando o ato de representar este papel um desafio.

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Agatha Moreira terá a responsabilidade de fazer uma das mais importantes protagonistas de Jane Austen (Foto: Raquel Cunha/Globo)

Ema é uma das figuras mais contraditórias dos livros de Jane Austen. Apesar de ela acreditar que as mulheres nasceram para casar e ter filhos, não busca se relacionar com ninguém. Isto porque, no leito de morte da mãe, ela prometeu que nunca deixaria nenhum homem entrar em sua vida. A mocinha terá vários pretendentes, mas não saberá que eles gostam dela. O personagem Murilo Rosa, por exemplo, é inteligente, bonito, gentil e completamente apaixonado por ela. No entanto, a ela não sabe deste sentimento e sempre o vê como um amigo. O resultado disto que é a casamenteira acaba o empurrando para outra mulher, Amélia, interpretada por Leticia Persíles. “Ema não se permite enxergar os seus próprios sentimentos. Sendo assim, acaba deixando o amor de lado e não percebe. A forma de ela sonhar com o casamento é planejando os das amigas”, contou. Agatha Moreira, por exemplo, afirmou que nunca se apaixonou por um melhor amigo ou deixou de expressar um carinho por alguém. “Meus amigos me acham pragmática e isto é o meu lado capricorniano, mas a minha lua está em câncer, então nunca foi muito difícil para mim expor os meus sentimentos. Sou muito romântica”, comentou. A atriz ainda garantiu que a única similaridade com o papel é o instinto maternal de ajudar as amigas.

Ao longo da trama, o público terá a oportunidade de ver Ema se envolvendo em algumas discussões por questões ideológicas, afinal, este é um traço marcante das tramas de Jane Austen, em especial Orgulho e Preconceito. “Ela vai ter um pouco de embate com o personagem do Thiago Lacerda, Darcy, por ele se aproximar da Elisabeta, vivida por Nathalia Dill. Isto vai acontecer mais para frente por questões morais”, exemplificou a atriz, que logo completou: “A Ema terá vários problemas com a personagem da Laila Zaid, porque ela tem o espírito aventureiro da Elisabeta vezes 100, então é uma pessoa que usa calça. Ao ver isso, a minha personagem fica horrorizada”.

A atriz também fez Novo Mundo, uma novela de época onde interpretou Domitla (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Apesar de possuir um discurso conservador, a personagem de Agatha Moreira mostra como eram os princípios daquela sociedade, onde o dever da mulher era gerar filhos e servir aos homens. “O que acho bacana desta trama é mostrar o quanto a gente evoluiu e o que continua da mesma forma e precisa de mudanças urgentemente. Acho que será legal ter os dois lados da moeda, na figura da Ema e da Elisabeta. A primeira possui um discurso machista devido a sua criação e a segunda faz parte do feminismo sem saber”, analisou. A atriz se considera uma grande apoiadora do movimento feminista. “Não sou nem um pouco radical. Não cabe a mim falar o que está certo ou errado na vida do outro, cada um sabe com o que se incomoda”, afirmou.

A literatura de Jane Austen é muito famosa ao redor do mundo e, atualmente, ela é considerada uma precursora do movimento feminista. De acordo com a atriz, é importante que a obra seja conhecida entre os brasileiros por este motivo. “Me surpreendi com a quantidade de fãs que ela possui no Brasil, tem muitos clubes que estão ansiosos para ver como vai ficar a novela. Espero que a gente consiga passar a grandiosidade que ela foi, porque isto também pode ser um grande pontapé para o incentivo à leitura”, afirmou.

Murilo Rosa, Agatha Moreira, Nathalia Dill e Thiago Lacerda fazem parte do elenco (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

NATHALIA DILL FALA SOBRE AS NUANCES DE SUA PERSONAGEM EM ORGULHO E PAIXÃO E O LADO FEMINISTA DA PROTAGONISTA, INSPIRADA NA OBRA DE JANE AUSTEN 

Orgulho e Paixão é a segunda novela de época seguida que Agatha Moreira está atuando, já que no ano passado interpretou a personalidade de época Domitila de Castro, amante de Dom Pedro I. “Não me atrapalhou esta sequência de trabalho, pelo contrário, só acrescentou elementos para a minha atual personagem. Agora, não estou tendo as mesmas dificuldades que tive em Novo Mundo. Já estou acostumada com a linguagem e a forma de gesticular, não me criou nenhum empecilho na hora de fazer a Ema. Até porque esta trama também tem a intenção de aproximar o público e deixar a fala extremamente rebuscada pode prejudicar um pouco, afinal, as pessoas precisam entender o que está sendo dito. Apesar disso, não é fácil retratar o início do século XX. Existe uma forma de andar, agir e falar diferente”, contou.

Entre estas duas teledramaturgias, a atriz ainda fez um filme. “Não sei até agora como fiz isso. Às vezes, temos apenas que virar uma chavezinha e ir, porque se parar para pensar eu entraria em desespero”, brincou. Este acúmulo de trabalho se deve a uma ascensão muito interessante que vem acontecendo em sua carreira desde que fez a Ju, em Malhação. “Acho que tudo aconteceu do jeito certo e da maneira que tinha que ser, até melhor do que eu tinha imaginado. Faz seis anos que estou na casa e não paro de trabalhar, emendando uma novela na outra, Orgulho e Paixão é a minha sexta na Globo, por exemplo. Estou sempre fazendo personagens muito legais e completamente diferentes, que me desafiam. Eles são um grande presente”, agradeceu.

Este grande fluxo de trabalho fez com que muitos amigos e familiares da atriz começassem a cobrar algum tempo livre. De acordo com Agatha, eles sempre falam que ela está atarefada demais. “Me considero uma workaholic, mas não sei se seria capaz de deixar a minha felicidade de lado pelo trabalho. Na verdade, nunca tive que escolher entre o amor, por exemplo, e a atuação. De qualquer forma, minha profissão vem em primeiro lugar, sou capricorniana e extremamente trabalhadora”, afirmou. Sorte a nossa!

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