Toz mostra nova etapa da carreira em exposição na Galeria Movimento: “Sou como uma antena que capta e traduz em arte.”


Ele, que estava há dois anos sem expor, volta com oito obras inéditas divididas em duas salas. A temática principal da exposição é apagamento e memória nos muros tendo como principal questão a disputa do espaço urbano tanto por artistas quanto pelo sistema

Enquanto é possível ver o novo prefeito de São Paulo, João Dória Jr., apagar os grafites que davam vida e alegravam as ruas, o Rio de Janeiro está sendo presenteado até este fim de semana com uma exposição de um dos maiores nomes brasileiros nessa arte: Tomas Viana, ou como é conhecido popularmente, Toz. Autor de painéis icônicos na cidade maravilhosa como o exposto ao lado do Hotel Marina, Leblon, e o recém pintado no alto do Pão de Açúcar, o artista está mostrando um novo lado da sua carreira na Galeria Movimento, Copacabana.

“Acho que existe uma resistência de alguns artistas plásticos com o grafite, mas acredito que hoje existe mais respeito e que está todo mundo de olho no que está acontecendo nas ruas. Para o mundo, ameniza o cinza e a dureza do concreto dos grandes centros, para mim deu sentindo e voz ao que eu penso”, falou Toz sobre a arte de rua e o trabalho com o grafite. Nos últimos anos, os painéis urbanos têm ganhado cada vez mais destaque dando o reconhecimento aos artistas que eles sempre mereceram.

Foto: Raul Aragão

Ele, que estava há dois anos sem expor, volta com oito obras inéditas divididas em duas salas. A temática principal da exposição é apagamento e memória nos muros tendo como principal questão a disputa do espaço urbano tanto por artistas quanto pelo sistema. O primeiro espaço retrata a persistência do artista e a sua fragilidade ao expor em um espaço público no qual ele pode ter a sua obra apagada ou alterada a qualquer momento. Já no segundo ambiente os personagens conhecidos do público como a boneca Nina e o Vendedor de Alegria viram coadjuvantes da massa que Toz lança sobre as telas.

Diversificando um pouco a sua área de atuação, o grafiteiro estreou esse ano no carnaval carioca e apresentou a primeira alegoria personalizada com o seu trabalho para a Mangueira. Essa é só mais uma prova de que Toz está sempre buscando novos caminhos: “Tudo está diferente, não só essa exposição. O mundo está diferente, sou como uma antena que capta essas informações e traduz em arte. O maior desafio sempre foi continuar fazendo arte, não tive dificuldade com essa nova série, foi natural o surgimento do cinza, eu senti que estava pronto para experimentar novas possibilidades, fiquei estimulado com isso e não pensei em dificuldade.”

Foto: Paulo Jabur

Pensando no que gostaria de comunicar e como gostaria de fazer isso, o artista prefere não limitar o seu público, deixando-os livres para tirar as próprias conclusões. “Eu sou um artista e me expresso onde eu tiver oportunidade, não existe limite para isso. A rua é uma mídia que eu gosto muito porque você fala para todos, de todas as classes. Eu não gosto de induzir nem impor as pessoas a nada, gosto das várias interpretações que o meu trabalho pode ter. Curto ouvir as pessoas e às vezes descobrir coisas no meu trabalho que até então eu não tinha percebido, a interpretação é livre como a arte tem que ser”, desabafou.

E não são só as obras que são dotadas de livres interpretações. Toz se inspira no mundo e por isso não vê seu trabalho limitado a uma única vertente. “No geral o que me inspira são grandes artistas, pessoas simples, o mundo e suas diversidades, acompanho as notícias diariamente e anda muito pelas ruas, minha inspiração foi essa, a vida real, o que acontece nas ruas, a luta das cores contra o cinza. Tem muitas coisas que quero fazer, cinema, desenhos animados, ballet, instalações, livros, quero trabalhar até meus últimos dias em projetos inovadores e com parceiros que me inspirem”, diz.

Foto: Paulo Jabur

A Galeria Movimento fica no shopping Cassino Atlântico, na Av. Atlântica. As obras de Toz ficarão expostas até o dia 29 de abril.

Serviço

Local: Galeria Movimento – Av. Atlântica, 4.240, lojas 212 e 213, Copacabana. Tel: 2267-5859
Período da exposição: 29 de março a 29 de abril
Horário de visitação: Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h30. Sábados, das 12h às 18h.
Entrada gratuita