Arte & Literatura

Na profissão há 20 anos, Markos Fortes destaca papel do fotógrafo e comenta volume contemporâneo: “Não é só apertar um botão”

De economista para assistente, ele apontou a importância do conhecimento teórico e técnico para o bom resultado dos cliques. Este ano, Markos Fortes foi o responsável pelo editorial exclusivo com a atriz Fernanda Nobre e revelou o conceito por trás do ensaio: "Com o céu mais escuro, eu optei por fazer uma estética de luz que misturava os conceitos de retrato e moda"

Publicado em 14 de fevereiro de 2018 | Por Julia Pimentel

O cenário é uma cidade chamada de maravilhosa com praias, montanhas e riquezas naturais. O dia é celebrado e a noite uma extensão da alegria matinal. E todos esses elementos aparecem no estilo de Markos Fortes, fotógrafo que há 18 anos vem consolidando seu nome no mercado carioca. Em sua identidade, ele contou que traz um pouco da essência do Rio e, inclusive, se auto-nominou como um fotografo tropical. Mas não apenas isso. Assim como no Rio vamos da praia ao shopping, Markos Fortes também é plural em sua profissão.

Fernanda Nobre para o site HT (Foto: Markos Fortes)

E foi isto o que vimos nos cliques de Fernanda Nobre, assinados pelo fotógrafo no editorial exclusivo que divulgamos este ano. No ensaio, Markos precisou recriar o conceito que havia pensado para se adaptar às mudanças. Fotografado em um super suíte do Rio Othon Palace, a ideia dele era aproveitar a luz natural no quarto com ampla iluminação. Mas anoiteceu. “Eu precisei me adaptar e também deu certo. Com o céu mais escuro, eu optei por fazer uma estética de luz que misturava os conceitos de retrato e moda. Porém, essa foi uma decisão que eu tive na hora. Quando eu conheço a locação, o styling ou o fotografado, eu já saio de casa imaginando o resultado das fotos”, contou.

Fernanda Nobre para o site HT (Foto: Markos Fortes)

O estilo camaleônico de Markos Fortes, no entanto, não abandona a essência tropical do fotógrafo. Segundo ele, a principal marca de sua fotos, embora tenha destacado essa versatilidade para se adaptar às situações, é o mood leve do carioca. “Eu gosto muito de luz natural e sempre prefiro, quando possível. Porém, mesmo quando tenho que usar flash, eu gosto de mantê-lo bem simples. Além da estética, eu costumo me mexer bastante fotografando e ter muitos elementos na locação pode ser um problema”, explicou Markos que completou com a referência ao Rio de Janeiro. “A cidade força um pouco a gente trabalhar com este estilo. Inclusive por causa dos clientes e dos trabalhos que temos aqui. Eu sempre prefiro luz natural, cores, florestas e alegria. No meu histórico, são poucas as fotos monocromáticas, por exemplo”, disse.

(Foto: Markos Fortes)

Por falar nisto, Markos Fortes tem uma badalada história na fotografia e que, como nos contou, começou bem longe das lentes. Filho de arquitetos, a relação inicial do fotógrafo com uma máquina havia sido na infância com um modelo do pai. Nada além disso. Formado em Economia, Markos trabalhou “de terno e gravata no Centro do Rio” por muitos anos, até que decidiu mudar. “Não era isso o que eu queria para a minha vida. Foi então que eu fui me aproximando da área de comunicação e acabei entrando de sócio de uma produtora de vídeo. A empresa não deu certo, mas eu acabei conhecendo um importante fotografo, que era o meu sócio no negócio, e virei assistente dele”, lembrou.

(Foto: Markos Fortes)

Após três anos como assistente, Markos Fortes carimbou o passaporte e foi estudar em Nova York. “Eu fui fazer cursos teóricos para aprender o que a técnica e a experiência como assistente não tinham me ensinado”, contou o fotógrafo que, quando voltou, já assumiu o protagonismo. De lá para cá, Markos Fortes coleciona trabalhos para marcas, agências, campanhas e editoriais e, em paralelo, acompanha as mudanças na profissão. “Eu acho que o digital foi um divisor de águas para a gente. Quando eu comecei como fotógrafo, tudo era mais cuidadoso e com paciência. A gente tinha um carinho e não podia ter pressa. Era um processo demorado. Hoje em dia, as pessoas acham que é só apertar um botão e estão exigindo muito mais quantidade a qualidade”, analisou.

Marisa Monte por Markos Fortes (Foto: Markos Fortes)

Outra mudança como consequência do digital, segundo Markos Fortes, foi o aumento de concorrência no mercado profissional. “Antigamente, eram dois ou três novos fotógrafos por ano. Que eram assistentes e estavam começando a caminhar sozinhos. Hoje, todo mundo que tem uma câmera já se acha fotógrafo e isso fez com o que a qualidade do trabalho, de maneira geral, despencasse”, apontou.

(Foto: Markos Fortes)

No entanto, a seu favor, Markos Fortes tem uma intensa bagagem que sustenta seu nome e posição no disputado mercado da fotografia contemporânea. “Quem for pesquisar meu nome, vai ver a qualidade do meu trabalho e uma enorme história que eu venho construindo. Para me manter, eu me seguro nisso. Quem me contrata sabe o que pode esperar e tem a garantia que vai ter um trabalho esteticamente e tecnicamente bonito. Afinal, não é só apertar um botão. Existe técnica, conhecimento e estudo. Inclusive, no pós foto, o tratamento não é uma receita de bolo e nem um filtro do Instagram”, comentou.

(Foto: Markos Fortes)

E é isso o que Markos Fortes vem fazendo no Estúdio Suspiro, na Gávea. Lá, o fotógrafo faz parte de um time com designer, stylist e outros profissionais da comunicação que atende a empresas de pequeno a grande porte, como a Leader Magazine, uma de suas clientes. “Este foi um ano de estruturar esse projeto e acertar os detalhes. Agora, já estamos com tudo redondinho e acredito que 2018 será um ano muito especial”, contou Markos Fortes.

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