Arte & Literatura

De clássicos a documentário, arquitetos e decoradores fazem diferentes interpretações de títulos do cinema na Mostra Artefacto 2018, no Rio de Janeiro. Confira os 18 ambientes!

Este ano, a Mostra trouxe a sétima arte como referência para os 26 profissionais responsáveis pelos projetos. No catálogo da Artefacto, filmes como 007, Uma Linda Mulher, 50 Tons de Cinza e Homem de Ferro foram inspirações literais ou conceituais para os espaços

Publicado em 19 de Março de 2018 | Por Julia Pimentel

Há quem diga que o cinema é um fluxo constante de sonho ou um modo divino de contar a vida. A verdade é que a sétima arte é um elemento que costura boa parte de nossas histórias. Desde a infância com os clássicos de animação até os mais reflexivos da fase adulta, todo mundo tem um filme para destacar. E foi com esse pensamento que Paulo Bacchi, CEO da Artefacto, escolheu o cinema como a inspiração da Mostra Artefacto 2018 no Rio de Janeiro. No sábado, o empresário promoveu uma festa em grande estilo para inaugurar os 18 ambientes que trazem a nova coleção da marca e tiveram, cada um, um clássico das telonas como referência ou inspiração.

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Para isso, a Artefacto escalou um time de 26 profissionais, entre arquitetos, decoradores, paisagistas e engenheiros, que assinam os ambientes projetados na megastore da marca no CasaShopping, na Barra da Tijuca. Nesta relação com o cinema, teve quem associou um lançamento da marca ao contexto de uma película ou quem mergulhou na história do personagem para criar uma possível casa. “Todos os profissionais que temos aqui são muito bons naquilo que fazem. Então, o tema foi livre e a interpretação cada um teve a partir da sua experiência. Nisso tudo, o que eu acho que mais vale é ver o trabalho de cada um a partir de uma ideia”, comentou Paulo Bacchi. Vamos aos projetos!

Filme: Flores Raras
Arquiteto: Alexandre Cardim

Ambiente assinado por Alexandre Cardim na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A leveza e a organicidade do filme que conta a história de Lota de Macedo Soares foi a inspiração de Alexandre Cardim para o seu projeto na Mostra Artefacto. De acordo com o arquiteto, a escolha pelo filme “Flores Raras” traz a mistura de um conceito poético com a valorização do cinema nacional. “Eu queria fugir dessa ideia hollywoodiana. Além disso, esse é um filme com uma fotografia muito bonita e uma história muito forte. Ainda na década de 1950, a personagem já tinha sua orientação sexual definida e uma relação com outra mulher”, apontou sobre o filme que ainda tem uma protagonista arquiteta.

Alexandre Cardim no projeto inspirado no filme “Flores Raras” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A bordo da história, Alexandre disse que optou por uma proposta mais neutra pontuada com toques de azul, assim como no tecido que reveste uma das paredes do ambiente, que faz parte da nova coleção da Artefacto. “Meu principal objetivo foi deixar o espaço o mais leve e orgânico possível”, destacou o arquiteto que, como uma das estratégias, usou um cobogó branco dividindo o quarto do living. “Essa é uma característica muito forte das décadas de 1950 e 1960 e está voltando agora. E eu quis mostrar isso em um filme que se passa nessa época. No ambiente, o uso do cobogó representa a cronologia e também foi uma maneira que encontrei de dividir os espaços de forma leve, sem que colocasse uma parede, por exemplo”, concluiu o arquiteto Alexandre Cardim.

Filme: Meia Noite em Paris
Arquitetas: AB Arquitetura e Interiores – Aline Celles e Bethânia D’Elia

Ambiente assinado por Aline Celles e Bethânia D’Elia na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

O toque clássico de Paris foi o tempero adotado pela dupla de arquitetas para o ambiente da Mostra Artefacto. De acordo com Aline Celles, a escolha pelo filme de Woody Allen foi, na verdade, uma consequência do estilo de seu escritório de arquitetura. “Nós fizemos uma leitura dos projetos recentes e vimos que alguns elementos que usamos poderiam ser uma interpretação do filme”, explicou a arquiteta que destacou alguns desses pontos.

Aline Telles, Bethânia D’Elia e a apresentadora Ticiane Pinheiro no projeto inspirado no filme “Meia Noite em Paris” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Entre os símbolos do projeto, Aline Celles acredita que as boiseries douradas nas paredes do ambiente sejam as protagonistas do trabalho e do mood parisiense. Além das molduras, a arquiteta destacou ainda o sofá curvado e os pufes com franjas, que deram toques de modernidade ao projeto. “O nosso ambiente hoje tem uma linguagem de clássico e contemporâneo. A gente pega elementos do tradicional, até do próprio filme “Meia Noite em Paris”, e traz para o hoje, mas sem ser de forma bruta”, comentou.

Filme: Rio
Arquiteta: Ana Lúcia Jucá

Adriane Galisteu e Ana Lúcia Jucá no projeto inspirado no filme “Rio” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A alegria e as cores da animação se tornaram a estratégia de Ana Lúcia Jucá para usar a belíssima estampa da nova coleção da Artefacto. “A minha inspiração veio depois que eu vi o lançamento do tecido Trópicos da Artefacto. É uma estampa maravilhosa que me remeteu a uma floresta tropical e na hora eu pensei no filme Rio, que eu adoro”, contou a arquiteta que fez o caminho contrário todo a partir da escolha da estampa. “Foi um processo de trás para frente. Eu pensei em um ambiente com muitos elementos naturais e produtos em sisal, junco e vime em uma pegada mais tropical para poder destacar a estampa”, revelou.

Paulo Bacchi e Ana Lúcia Jucá no ambiente da arquiteta, que trouxe o tropicalismo do filme “Rio” (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

O resultado foi um ambiente alegre, aconchegante e enérgico, como é a personalidade do carioca. Com direito a balanço e muito verde, Ana Lúcia Jucá comemorou a oportunidade de destacar uma estampa em um ambiente de arquitetura. De acordo com ela, este é sempre um quesito delicado entre os clientes. “Eu não costumo usar muita estampa, porque muita gente acha que cansa. Porém, quando ela é utilizada em uma cortina, por exemplo, é mais fácil de trocar depois. Eu acho incrível e dá vida ao ambiente”, disse a arquiteta que, para isso, explorou o branco que aparece em parte da estampa da Artefacto. “Essa não é uma estampa muito suave, mas tem um pouco de branco. E aí eu abusei dessa parte e trouxe bastante branco para o ambiente para dar essa aparência mais clara e leve. Entrou bem no contexto”, avaliou Ana Lúcia.

Filme: Sob o Sol da Toscana
Arquiteta: Babi Teixeira

Ambiente assinado por Babi Teixeira na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Do Rio para a Itália, Babi Teixeira trouxe a atmosfera da Toscana para seu ambiente. Com a referência ao filme “Sob o Sol da Toscana”, a arquiteta contou que mergulhou no mood local para trazer a essência do lugar para seu projeto na Artefacto. “Eu fiz a minha interpretação da Toscana para esse espaço. Não pensei apenas no cenário do filme, mas trouxe a atmosfera do lugar para o ambiente”, explicou Babi que pontuou como foi sua tradução. “Eu procurei usar cores claras e materiais naturais, como o linho e a pedra mármore, que é bem comum na região da Toscana”, disse.

Babi Teixeira no projeto inspirado no filme “Sob o Sol Toscana” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Desta forma, a arquiteta chegou a um resultado que satisfez seu desejo inicial neste processo de criação. De acordo com Babi Teixeira, o principal objetivo em sua participação na Mostra Artefacto era levar uma sensação de calma e tranquilidade para a loja. “Assim que optei pelo tema, eu queria um filme que fosse mais leve e poético. E esse longa-metragem tem tudo a ver com o que eu buscava de proposta para o espaço”, concluiu Babi Teixeira.

Filme: A Praia
Arquitetos: Beta Arquitetura – Bernardo Gaudie-Ley e Tânia Braida

Ambiente assinado por Bernardo Gaudie-Ley e Tânia Braida na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

O Rio de Janeiro voltou a ser inspiração na Mostra deste ano no projeto da dupla Bernardo e Tânia. Desta vez, a justificativa pela escolha foi trazer luz para a cidade que vive um momento de caos. “O Rio é uma cidade maravilhosa que está precisando de muita cor e luz neste momento. E é isso o que a gente procurou fazer no nosso ambiente. Aqui temos luz, praia, areia e tudo mais o que queremos”, disse Tânia Braida sobre o espaço que trazia um clima de frescor praiano.

Bernardo Gaudie-Ley e Tânia Braida no projeto inspirado no filme “A Praia” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Inclusive, essa mistura de pé na areia e água de coco ganhou toques de sofisticação e inovação sob a tutela da Beta Arquitetura. Com destaque para uma caixa verde que guardava a cabeceira da cama – e que foi o ponto de partida e referencial do projeto –, a dupla de arquitetos fugiu do óbvio e também do local de inspiração. Para criar o ambiente que traduz o filme “A Praia” nos elementos do Rio de Janeiro, Bernardo Gaudie contou que fez as malas e viajou para a Bahia. “A gente quis usar elementos de fora do Rio de Janeiro. Para isso, passamos uma semana em Trancoso e trouxemos muitas referências de lá, como o barro, cestas e vime”, disse.

Filme: Direito de Amar
Arquiteta: Carmen Mouro

Ambiente assinado por Carmen Mouro na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A fotografia da história de Tom Ford é o elemento trabalhado pela arquiteta no projeto que ocupa a área externa da loja da Artefacto. Com a missão de encantar desde a entrada, Carmen optou por um ambiente moderno, porém atemporal. Para isso, ela traduziu a fotografia do filme “Direito de Amar” em linhas retas e cores metalizadas, além de materiais neutros, cimento queimado, pedras e luminárias. Para completar, Carmen Mouro agregou um pouco de tropicalismo ao ambiente com o uso de bananeiras naturais e paredes com jardins verticais, que deram versatilidade à área externa da loja.

Filme: Homem de Ferro
Arquitetos: Claudia e João Victor Brassaroto

Ambiente assinado por Claudia e João Victor Brassaroto na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Os heróis da Marvel não ficaram de fora das inspirações e referências nesta mostra que alia cinema e arquitetura. Desta vez, a missão de Claudia e João Victor Brassaroto foi projetar um ambiente que pudesse ser a casa de Tony Stark, protagonista do longa. “Eu procurei focar na personalidade do Tony Stark e não só do Homem de Ferro. Então, o ambiente tem um toque mais masculino e rico, além das curvas que aparecem na casa do personagem”, contou João Victor.

Claudia Brassaroto, Ticiane Pinheiro e João Victor Brassaroto no projeto inspirado no filme “Homem de Ferro” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Aliás, as formas do ambiente foram as principais motivações e razões para a dupla eleger o filme. De acordo com João Victor, para ele, que é engenheiro, trabalhar em um projeto com curvas é sempre um desafio especial. “Eu escolhi esse filme porque a casa do personagem é toda curvada e eu como engenheiro fico fascinado com isso. Todo profissional da área sabe o quanto dificulta um projeto ter curvas. E isso me encanta”, contou o engenheiro que teve o apoio de Claudia, que logo associou a proposta à nova coleção da Artefacto. “Quando eu trouxe essa ideia, a Claudia na hora contou que os móveis da nova coleção são todos curvados. Foi assim que a gente escolheu”, lembrou João Victor que, entre esses produtos lançamentos da marca, destacou o sofá e a mesa curvados.

Filme: Jackie
Arquitetas: Claudia Pimenta e Patrícia Franco

Ambiente assinado por Claudia Pimenta e Patrícia Franco na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A mulher e a personalidade da protagonista do filme são as maiores inspirações da dupla no ambiente da Mostra Artefacto. De acordo com Patrícia Franco, o projeto é o resultado de um trabalho de imaginação de como seria a casa dessa personagem. “Nós queríamos fazer um ambiente que fosse relacionado a uma mulher com estilo e personalidade forte. E encontramos nesse filme uma personagem assim. Por isso que, no nosso ambiente, a ideia foi interpretar uma pessoa e não necessariamente o longa”, explicou.

Patricia Franco, Adriane Galisteu e Claudia Pimenta no projeto inspirado no filme “Jackie” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

E assim, elas fizeram um espaço clean que misturou cores claras, texturas e uma estampa geométrica. Porém, apesar de ser um ambiente pensado em destacar a figura da mulher, Claudia e Patrícia traduziram isso de forma elegante e sem que ficasse apenas feminino. “O grande segredo é trabalhar as texturas, e aí entre um pouco das estampas. Neste ambiente, nós temos mais peças texturadas do que propriamente estampadas e isso dá equilíbrio”, contou Patrícia que ainda revelou outa estratégia para este resultado unânime. “Nós tivemos um olhar contemporâneo sobre essa mulher da década de 1960 ao trazê-la para os dias de hoje”, completou.

Filme: 50 Tons de Cinza
Arquiteto: David Defízio

Ambiente assinado por David Defízio na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A masculinidade e elegância de Cristian Grey ganharam destaque no ambiente clean de David Defízio. Em seu projeto, o arquiteto contou que a figura do protagonista também é uma referência ao estilo de seus clientes e por isso a escolha por fazer um ambiente minimalista e sofisticado. “A ideia inicial foi fazer um espaço que representasse o perfil dos nossos clientes no dia-a-dia. E a personalidade do Cristian Grey parece com a do nosso público, que é formado por homens de 30/35 anos, que têm muito bom gosto e sabem o que querem da vida”, disse.

Adriane Galisteu e David Defízio no projeto inspirado no filme “50 Tons de Cinza” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

No filme, o protagonista divide sua personalidade entre o minimalista elegante e as fantasias sexuais, que também ganharam espaço no projeto de David. Porém, como ele destacou, essas referências fugiram da obviedade. Focado em uma paleta cinza, a sensualidade do personagem foi representada em cores fortes em detalhes do ambiente. “Eu não quis fazer uma tradução literal do filme para não cair em um clichê. Então, segui uma linha mais sofisticada e comercial, mas que tivesse a essência do filme. Toda aquela questão sensual do longa aparece nas flores, nos livros vermelhos e na visão que temos do chuveiro no banheiro, por exemplo”, contou sobre o projeto que fez sucesso entre os visitantes da mostra.

Filme: A Origem
Arquiteto: Duda Porto

Ambiente assinado por Duda Porto na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Os tons de cinza voltam a ser destaque no projeto de Duda Porto, que se preocupou em criar um ambiente atemporal. Em seu espaço, o arquiteto ressaltou a fotografia do filme escolhido e a temática dos sonhos para criar um conceito único entre a sala de estar com um bar, sala de jantar e o lavabo. Neste ambiente, as cores são pontuadas em poucos detalhes, que se contrapõem a madeira, vidro e couro que dominam o projeto.

Filme: Os Intocáveis
Arquiteta: Elaine Ramos

Ambiente assinado por Elaine Ramos na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Mais uma vez, a Mostra Artefacto 2018 nos levou para uma viagem pela França em um de seus ambientes. Neste caso, a experiência foi sob comando de Elaine Ramos, que escolheu o filme dos anos 1980 como referência criativa. “Eu me emocionei muito quando vi esse longa pela primeira vez. Além disso, eu adoro as produções francesas porque sempre falam de sentimentos e de maneira bem intensa. Não tem efeito especial, a trilha sonora é incrível e a fotografia bem urbana”, pontuou.

Elaine Ramos no projeto inspirado no filme “Os Intocáveis” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Com o titulo escolhido, o trabalho da arquiteta foi pensar em um ambiente que pudesse ser a casa do protagonista em uma continuação da história. “Esse filme é uma biografia e, por isso, existe uma continuidade na história. Então, a minha ideia no projeto foi pensar qual seria a próxima casa dele. Isso seria um momento do filme em que ele já está casado e com filhas e perde um pouco da dureza de ser de uma família tradicional francesa. Ou seja, é um momento mais leve”, explicou Elaine que, por isso, apostou em um projeto com cores claras, obras de arte e boiseries pelas paredes. “As boiseries e as tonalidades que eu usei trazem bastante o mood francês”, completou.

Filme: Dois Filhos de Francisco
Arquitetos: Emerson Araújo e Lenora Lohrisch

Ambiente assinado por Emerson Araújo e Lenora Lorisch na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A emoção que toma conta do filme sobre a história da família de Zezé di Camargo e Luciano também foi o combustível da dupla na criação deste projeto. Além de trazer o longa que emocionou mais de quatro milhões de pessoas nos cinema, Emerson e Lenora também homenagearam a protagonista do filme, cliente e amiga da dupla, Dira Paes. “Nós escolhemos esse filme porque queríamos valorizar o cinema nacional e homenagear uma amiga e cliente, que é a Dira Paes, a protagonista do longa”, disse Emerson que mergulhou ainda no tempero de superação contado na produção. “A gente trouxe uma ideia de regionalidade, arte popular, materiais e tons neutros para representar isso”, apontou.

Emerson Araújo e Lenora Lorisch no projeto inspirado no filme “Dois Filhos de Francisco” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Um exemplo disso, e que fez sucesso na inauguração da Mostra Artefacto, foi a rede em um dos cantos do projeto. Apesar de estar representando a simplicidade da vida dos personagens do filme, o elemento é, na verdade, um artigo de luxo do novo catálogo da Artefacto. “A rede, que pode parecer algo tão simples, é um produto da Artefacto que muita gente não conhece. No ambiente, ela conta uma história, mas não deixa de ter a sofisticação e a qualidade dos produtos da marca”, comentou Emerson sobre seu projeto de “casinha aconchegante”.

Filme: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Arquitetos: Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge

Ambiente assinado por Fabio Bouilet e Rodrigo Jorge na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Na contramão da tradição da dupla, Fábio e Rodrigo decidiram inovar no ambiente projetado para a Mostra Artefacto. Desta vez, os arquitetos abriram mão das cores mais escuras e valorizaram o branco e os vidros do espaço. “Quando a gente chegou na vitrine, já tínhamos um piso muito branco, paredes da mesma cor e muitos vidros. Então, tivemos um feelling de fazer um ambiente mais puxado para o escandinavo e se aproximando desta temática”, lembrou Fábio.

Fabio Bouiler e Rodrigo Jorge no projeto inspirado no filme “O Homem que Não Amava as Mulheres” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Foi aí, então, que o arquiteto associou o mood ao filme sueco “Os homens que Não Amavam Amava as Mulheres”. “Na versão americana desta história, tinha uma casa que se destoava de todas as outras. Enquanto a maioria era antiga e escura, essa era minimalista, moderna, clara e com linhas muito simples”, contou Fábio Bouillet que revelou como foi a experiência de recriar seu conceito de arquitetura e decoração. “Tradicionalmente nós fazemos ambientes mais escuros. Só que aqui conseguimos amarrar bem o contrário. Continuamos com uma proposta mais masculina, que faz parte da nossa essência, e traduzimos isso de maneira mais clara”, disse o arquiteto.

Filme: 007: os Diamantes São Eternos
Arquitetos: Fábio Cardoso e Alexandre Lobo

Ambiente assinado por Fabio Cardoso e Alexandre Lobo na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Ao contrário do ambiente masculino dominado por cores claras do projeto anterior, este teve todos os elementos de um loft para eles. No espaço pensado para ser a casa de James Bond, a ideia da dupla de arquitetos foi explorar o mobiliário setentista da Artefacto. Inclusive, foi a beleza dos móveis que apontou Fábio e Alexandre para a escolha do título. “Os filmes de James Bond são clássicos e histórias muito queridas. Mas o que nos levou a essa escolha foram os móveis da nova linha da Artefacto que possuem um ar setentista e vintage, que estamos curtindo muito. Por isso que escolhemos 007: é um filme desta época, tem um personagem forte e é uma oportunidade de usarmos esse mobiliário que adoramos”, contou Alexandre.

Alexandre Lobo e Fábio Cardoso no projeto inspirado no filme “007: Diamantes São Eternos” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A tradução de tudo isso foi um ambiente intenso, com uso de mármore e pilares circulares, e a presença de um bar com diversas garrafas, que deram um toque ainda mais moderno ao espaço. “A casa do filme é circular, moderna e de concreto. Então, nós trouxemos essas referências e, independentemente das características do espaço no filme, apostamos também na personalidade do James Bond. Ou seja, aqui temos uma pegada bem masculina, com aparência forte e sexy”, analisou Alexandre Lobo que ainda escolheu a arquitetura circular do projeto como seu destaque no ambiente.

Filme: Carmen Miranda: Banana Is My Business
Arquiteto: Fernando Grabowski

Ambiente assinado por Fernando Grabowski na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Qual a melhor maneira de explorar uma estampa de macaquinhos e folhagem? Essa foi a questão que guiou o processo criativo do arquiteto para a Mostra Artefacto. Decidido a usar a nova padronagem da coleção da marca, Fernando achou no filme sobre a trajetória de Carmen Miranda a oportunidade de associar a fauna e flora à brasilidade da artista. “Eu sempre fui fã de Carmen Miranda. Mas, neste caso, o filme veio como consequência do tecido que eu escolhi, que tem vários macaquinhos. Eu queria um filme bem tropical e brasileiro, que tivesse a ver com os animais e vegetação, e aí apareceu a banana na minha cabeça”, lembrou.

Adriane Galisteu e Fernando Grabowski no projeto inspirado no filme “Banana is my Business” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A partir daí, o trabalho de Fernando Grabowski foi unir as peças de um quebra-cabeça que já vinha fazendo. Assim como havia pensado em usar o tecido Mico Leão Folhagens em seu projeto, o arquiteto contou que também tinha decidido por uma mesa com tampo verde. E tudo isso foi estratégico para falar de Carmen Miranda de uma maneira que ultrapassasse qualquer estereótipo comum. “É um desafio da nossa profissão trabalhar um tema e desenvolver isso sem que fique óbvio. A minha missão é sempre direcionar uma ideia a um resultado que tenha bom gosto. É para isso que eu trabalho”, disse o arquiteto.

Filme: Entre Dois Amores
Arquitetas: Natalia Paes de Andrade e Simone Meira

Ambiente assinado por Natalia Paes e Simone Meira na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Com direito a violinista encantando os convidados da inauguração da Mostra Artefacto, o ambiente da dupla traz a harmonia entre as culturas africana e dinamarquesa que fazem parte do filme estrelado por Meryl Streep. Neste ambiente, Natalia e Simone se dedicaram a criar um projeto que funcione como espaço para morar, trabalhar e receber amigos. O destaque, por sua vez, é a parede rústica de tijolinhos que completa o mood clássico do mobiliário Artefacto usado na decoração.

Filme: Simplesmente Acontece
Arquiteta: Patrícia Netto

Ambiente assinado por Patrícia Netto na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

A imaginação também foi a principal engrenagem para o processo criativo deste ambiente. Mergulhada na história do jovem casal protagonista do longa, Patrícia contou que buscou criar um espaço que pudesse ser a casa dos personagens após o final feliz do filme. “Quando a história termina, eles finalmente ficam juntos. E o loft é como eu imagino ser a casa deles morando pela primeira vez. Então eu apostei em um espaço com cores sóbrias e neutras, mas, por outro lado, uma proposta mais colorida com o verde, que é bem jovem”, explicou a arquiteta que combinou um paisagismo de um lado do ambiente com garrafas de vinho do outro e couro no sofá e cabeceira da cama.

Patrícia Netto no projeto inspirado no filme “Simplesmente Acontece” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Além dos elementos de decoração, Patrícia Netto também traduziu a proposta jovem do filme em uma arquitetura integrada. Em seu ambiente, ela apostou em um espaço amplo, sem paredes ou qualquer tipo de divisória. “Isso representa bem o estilo dos jovens”, apontou ela que ainda trouxe outra temática com sua escolha cinematográfica. Junto com o mood jovem, Patrícia afirmou ter destacado a história de encontros e desencontros contada na obra. “A minha escolha também tem muito a ver com o fato de ser a história de um casal jovem que passa por vários encontros e desencontros. E eu acredito que a nossa vida seja feita disso. Temos que estar o tempo todo preparados para mudanças e adversidades sempre buscando ser feliz de maneira harmônica”, comentou a arquiteta Patrícia Netto.

Filme: Uma Linda Mulher
Arquiteta: Raquel de Alencar

Ambiente assinado por Raquel de Alencar na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Não tem jeito. Associar Julia Roberts à trilha Oh, Pretty Woman quando ouvimos o nome do filme dos anos 1990 é quase uma obrigação dos conhecedores da obra. E foi embalada por esta unanimidade do filme que Raquel de Alencar criou o seu projeto para a Mostra Artefacto. “Todas as gerações conhecem essa história ou pelo menos já ouviram falar desse nome”, destacou a arquiteta que, com tantas referências sobre o clássico, optou por fazer a releitura de um dos cenários do longa.

Klebber Toledo, Raquel de Alencar e Camila Queiroz no projeto inspirado no filme “Uma Linda Mulher” na Mostra Artefacto 2018 (Foto: Miguel Sá/Murilo Tinoco/Renato Wrobel – RW Photos)

Em seu ambiente, ela recriou o espaço do hotel do filme e usou a combinação de verde e cinza para fugir de um perfil muito feminino e agradar a eles e elas. “Eu acho que são duas cores que atendem bem a ambos os sexos. O verde, então, é sempre unânime, desde bebezinho quando não sabem o sexo”, apontou Raquel que elegeu um painel de marcenaria vazado como o símbolo e o grande destaque de seu projeto. “Esse painel dá uma discrição na separação da cama da outra parte do ambiente, além de colorir o espaço”, analisou.

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