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Day 3: Preta Gil e Victor Dzenk levam coleção plural e livre de preconceitos para a passarela do Minas Trend: “Começamos hoje uma revolução”, disse a cantora

No último dia de desfiles, a passarela do Minas Trend ganhou cores, LEDs e bordados nas coleções das grifes Lucas Magalhães, Bobstore, Unity Seven e Manzan. Confira tudo o que rolou!

Publicado em 6 de abril de 2017 | Por Julia Pimentel

“Começamos hoje uma revolução. Vamos democratizar a moda”. Embalado pela música e ideologia fashion de Preta Gil, que assinou uma coleção cápsula com Victor Dzenk, o último dia de desfiles do Minas Trend terminou em clima de festa. Depois de acompanharmos as criações de Lucas Magalhães, Bobstore, Manzan e Unity Seven, o estilista mineiro fechou a sala de desfiles da ano.dez com chave de ouro. Em uma mistura de grito moderno com engajamento na luta contra o preconceito, Victor e Preta, que trabalham em parceria há dez anos, levaram modelos plus size, cores, estampas e, claro, música para a passarela. Fora o ápice do dia, a quarta-feira deste Minas Trend ainda passeou pela desconstrução de gênero e tecidos assinada por Lucas Magalhães, a atemporalidade da Bobstore, o minimalismo iluminado da Unity Seven e os bordados da Manzan. Desce mais para saber dos detalhes!

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Lucas Magalhães

O rei do tricô mineiro não fugiu as suas raízes nesta coleção Verão 2018. Para a próxima temporada, Lucas Magalhães trouxe o conceito de desconstrução para as suas roupas. Seja na adoção de padronagens masculinas no guarda-roupa feminino ou no uso de um material tradicionalmente de inverno, o estilista buscou sair de sua zona de conforto e do lugar comum. “O ponto de partida dessa coleção foi a desconstrução dos padrões tradicionais de alfaiataria masculinos, como xadrez, quadriculado e risca de giz. Depois disso, recriamos essas estampas para trazer algo novo, tirar o aspecto inverno e transpor para o verão. Então, a ideia foi sair do lugar comum e levar o masculino para o feminino, o inverno para o verão e cores novas naquilo que já é tradicional”, explicou.

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Como toque extra, Lucas ainda acrescentou o clima esportivo nos looks. Nas passarelas, entre ma criação do mineiro e outra, as modelos traziam bolas de basquete, vôlei e cartões amarelos e vermelhos. “A gente sentiu que tinha esse perfume. Depois que montamos o styling, tivemos a vontade de trazer esse clima esportivo também”, disse.

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No entanto, como apontou, Lucas Magalhães precisou se reinventar nesta coleção. Para continuar usando o tricô, que é a identidade de sua grife, em uma temporada de calor, o estilista contou que recriou o material. “Por ser uma coleção de verão, a gente desenvolveu técnicas para que o material, que é a identidade da marca, ficasse mais leve. Então, na própria trama, mudamos a gramatura, a quantidade e a natureza dos fios”, explicou o estilista que, por consequência, também fez modelagens mais amplas e que valorizassem a fluidez das peças. Já nas cores, Lucas resolver apostar e trazer cores mais neutras para a cartela da grife. Mas, claro, os tons mais fortes, que completam a identidade fashion de Lucas Magalhães, não poderiam ficar de fora. “Eu sempre trabalho com muita cor forte. Mas dessa vez, eu tive a vontade de trazer tons que fossem mais pasteis. Então, fiz uma combinação de cores mais clarinhas com as mais fortes, para continuar seguindo o DNA da marca”, completou.

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Na beleza de Ricardo dos Anjos, a proposta seguiu o conceito do styling do desfile. Em paralelo ao clima esportivo de Lucas Magalhães, o beauty stylist acrescentou à pele natural e iluminada, base do Minas Trend e tendência da estação, um aspecto molhado, como se fosse um suor. “Como a coleção trazia um clima de esporte, a beleza possui um aspecto um pouco suado. Os cabelos ficam com aparência úmida e as bochechas molhadas como se tivesse dado uma corrida antes de desfilar”, contou Ricardo que, para isso, usou água e borrifador no rosto das modelos.

Beleza do desfile de Lucas Magalhães na 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

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Bobstore

Desfilando a sua coleção Outono Inverno 2017, a Bobstore que levar a atemporalidade para o closet de suas clientes. Com a proposta de peças que tenham durabilidade fashion e de qualidade, as criações assinadas por Ana Camargo apostam na combinação de um estilo mais unanime pontuado com tendências modernas. “A coleção traz uma mulher feminina, sensual e sofisticada e a nossa inspiração foi fazer roupas que fossem atemporais. Por isso, o carro chefe da marca é o tricô. Nessa coleção, a nossa aposta é a alfaiataria e, por causa dessa proposta mais sofisticada, nós fizemos muitas misturas de fios, modelagens e cores”, contou.

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Entre cores mais neutras, com destaque para o preto e branco, Ana Camargo explicou como traduz esse conceito de atemporal, mas que não abre mão de algumas tendências do momento. “A gente sempre tem um toque mais moderno em cada peça para conseguir gerar o desejo da cliente. Em algumas está em detalhes, como a gola alta ou a manga mais comprida, e em outras, até no shape. Nós fazemos isso para que as roupas não tenham um tom over, mas possam ser usadas o ano inteiro”, contou a estilista da Bobstore que, para a temporada, trouxe como apostas a pele e o tricô desfiado, que trazem um aspecto mais quente e confortável aos looks.

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Como complemento da produção visual do desfile da Bobstore, Ricardo dos Anjos assinou uma beleza iluminada e bem acabada. Segundo ele, a ideia era que a modelo, de fato, parecesse linda propositalmente. Porém, de forma leve e natural, como destacou o beauty stylist. “A beleza é super solar e quer mostrar a mulher bonita na passarela. Então, o cabelo é bem acabado, mas com um ondulado que parece natural. No rosto, nada de cores. Fizemos todas as informações da beleza em tons de marrom de forma leve e iluminada”, disse.

Beleza do desfile da Bobstore na 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

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Unity Seven

Sob direção criativa de Giovanni Frasson, a Unity Seven fez sua estreia na passarela do Minas Trend de forma simples e minimalista. Ao contrário da tradição mineira que traz roupas de festa super elaboradas e com bordados riquíssimos, a grife de Eduardo Mendes optou por seguir na contramão. Embora lindíssimos, os vestidos da marca eram simples, em tons pasteis e não tinham super informações de brilho ou detalhe extra. “Não tem estampa e nem bordado. Fizemos apenas um trabalho manual para que as peças ficassem mais limpas e que a modelagem fosse o principal destaque. Afinal, a proposta da marca está muito relacionada ao nosso design”, explicou Eduardo Mendes.

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De origem mineira, o CEO da Unity Seven contou que quis pegar um outro mercado da região. Sem os bordados tradicionais da moda de Minas Gerais, Eduardo disse que visa atender um público mais minimalista. Há apenas dois anos no mercado, parece que a proposta da Unity Seven tem dado bons resutados. Do estando do Ready to Go, que revela grandes novos talento, para o Brasil, hoje a grife já está presente em 160 pontos de venda pelo país. “A gente pega um novo mercado de uma mulher mais atual e moderna que busca uma moda mais minimalista. E, pelo fato da tradição mineira ser muito rica, aqui a gente não tem quem faça algo mais limpo como a Unity Seven”, explicou Eduardo que para a coleção Verão 2018 quis olhar para essa breve trajetória. “Por ser o nosso primeiro desfile, nós quisemos olhar muito para o interior da grife e fazer uma análise introspectiva do que fizemos nessa jornada”, acrescentou.

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Essa história da Unity Seven na coleção de verão também apareceu no último e principal vestido do desfile. O ápice da apresentação da grife mineira ontem à noite foi um look todo iluminado que brilhou e acendeu a sala. Como a Unity Seven começou a vender suas criações apenas pela internet, Eduardo Mendes, que trabalha com tecnologia e antes da marca era programador de sistemas, quis trazer a modernidade virtual para a passarela de estreia. “A gente buscou elementos de tecnologia para um dos looks em referência ao nosso começo, em que só vendíamos online. Então, para fechar o desfile, tivemos um vestido bordado com 800 pontos de LED que foi feito por um engenheiro elétrico”, contou.

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Na beleza, assim como na coleção, o menos foi o mais importante. Para a Unity Seven, Ricardo dos Anjos fez uma maquiagem de cara limpa, apenas com destaque para o iluminador. Segundo ele, a ideia era fazer algo que fosse quase nulo. “A ideia foi ter uma beleza quase invisível. Para ser aquela ideia de ‘não fiz nada’, usamos iluminador em tons de dourado no rosto e na boca e os cabelos são ondulados bem naturais”, acrescentou.

Beleza do desfile da Unity Seven na 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

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Manzan

Depois de anos ao lado de Fabiana Milazzo, Letícia Manzan hoje é autora de sua própria grife, a Manzan. Com muito brilho, bordado e pedraria, a estilista evidenciou suas raízes mineiras no desfile de ontem no Minas Trend. Por lá, Letícia apresentou uma coleção inspirada na Tailândia que trouxe jeans, vestidos de festa e muito handmade para passarela.

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A precisão visual também ficou sob responsabilidade de Ricardo dos Anjos. Na beleza mais trabalhada do dia, o beauty stylist fez uma maquiagem rosa no rosto, além de um coque desfiado no alto da cabeça nas madeixas. “É uma maquiagem super delicada. Nos olhos, eu usei sombra rosa furta-cor, rímel e cílios postiços. A maquiagem ainda tem um batom também em tom de rosa que deixa o visual mais trabalhado e bem acabado”, explicou.

Beleza do desfile da Manzan na 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

Victor Dzenk

O ponto alto do dia foi comandado por Victor Dzenk e Preta Gil na passarela do Minas Trend. Primeiro, o estilista mineiro apresentou a sua coleção Verão 2018 que teve inspiração em um safari tropical. Entre bordados, estampas, grafismo e tons mais neutros, Victor manteve sua identidade fashion para a próxima estação. Depois de um blackout, Preta Gil surgiu ao som de “Eu Quero Você Quer” e mostrou que a pluralidade também está presente na passarela. Em uma coleção cápsula assinada em parceria com Victor, a cantora desenvolveu looks que, além de serem a sua cara, foram feitos “para todos os gostos e bolsos”. “A Preta é alegria e essa ideia está bem marcada na estamparia. Durante o desenvolvimento, ela me deu coordenadas que foram super importantes para o resultado. Ela queria que a coleção fosse democrática e para todos os tipos de corpo, até o masculino”, contou Victor.

Como resultado, vestidos coloridos e super estampados que ressaltam as curvas de diferentes tipos de corpos. Em uma escala que vai do 38 ao plus size, Victor Dzenk contou que a proposta vai muito além de criar roupa para gordinhas. A coleção cápsula Preta Gil por Victor Dzenk é um grito de que todos podemos fazer parte da moda, independente de gênero, biotipo, estilo ou condições financeiras. “Ela me ajudou a eleger modelagens que são clássicas da minha marca e que, mesmo com o tempo, ela não se desfaz. Então, são peças que a própria Preta sentia falta de ter mais opções naquele modelo. E foi um trabalho muito tranquilo. Eu compartilho dos mesmos pensamentos dela. E assim tudo fica mais fácil. A coleção fluiu de uma forma tão harmônica que nós terminamos rápido e sem nenhum problema no caminho”, disse Victor que há dez anos assina looks de show e do dia-a-dia para Preta Gil.

Preta Gil e Victor Dzenk na passarela da 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

E este não poderia ser um momento mais apropriado para esta transformação no mundo da moda. Em tempos em que as mulheres ganham ainda mais força na sociedade e se sentem livres para expressas sua verdadeira essência, Preta Gil trouxe para a passarela os discursos que expressa fora dela. “Eu acho que é consequência de uma luta de mulheres que durante muitos anos vem batalhando por lugar ao sol. O ser humano nasceu para brilhar, todo nós. Por isso, precisamos ter em nossa sociedade um equilíbrio para reconhecer que temos de tudo nesse nosso Brasil”, destacou a cantora.

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Assim como Preta, Victor também ressaltou para a importância do momento em que modelos plus size ganham a passarela da semana de moda mineira. “É um momento muito forte para a gente falar desse assunto. Porém, eu acredito que nós estamos evoluindo por um lado e regredindo por outro. Então, é muito importante que tenhamos consciência e todos trabalhemos pelo não preconceito, seja ele de gênero, biotipo ou cor”, disse Victor que revelou já ter sofrido preconceito por suas escolhas. “Sou um estilista formado em colégio militar. Então, imagina pelo que já passei”, comentou.

Preta Gil e Victor Dzenk na passarela da 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

No entanto, não foram só os looks feitos em parceria com Preta Gil que brilharam no desfile do estilista mineiro. Pela sua grife homônima, Victor Dzenk também encantou a passarela do Minas Trend com rendas, bordados e cores que já fazem parte de seu DNA fashionista. “A coleção traz a mulher em um safari tropical e que é inspirada na obra do Zerbini, artista brasileiro. Em alguns momentos do desfile, a estamparia surge como ponto de informação em contraposição aos lisos. Nesta coleção, nós também tivemos uma influência muito grande da camisaria e trouxemos o nylon como aposta de material”, disse.

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Nos shapes, Victor contou que apostou em combinações de calça bomber, saias em efeito paraquedas e parachute pants como tendência da estação. Porém, em um desfile tão plural e rico em informações, a harmonia e a edição são os segredos para o sucesso, como destacou o estilista. “É um super desafio conseguir juntar esse mix de ideias de uma forma harmoniosa. Apesar de momentos únicos, a apresentação e a coleção como um todo está bem retilínea”, explicou.

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Como cereja do bolo, a beleza de Ricardo dos Anjos era a tradução de um visual molhado. Nos cabelos e na maquiagem, o beauty stylist apostou no resultado que já é tendência da estação. “O aspecto é um pouco mais melado, mas com bastante cara de Inverno. Na região do nariz, usamos produtos que dessem um visual meio úmido. Já no cabelo, eles são todos para traz, penteados e com efeito molhado também”, disse Ricardo que acredita que esse resultado, presente em quase todas as belezas dos desfiles do Minas Trend sejam uma consequência dos produtos mais modernos do mercado. “A maioria das marcas têm lançado maquiagens que estão exigindo menos pó ou que a gente espere secar no rosto. Ultimamente, o público tem se entendido bem com esse visual mais úmido. E, como isso tem vindo em vários produtos, os resultados acabam ficando parecidos”, detalhou.

Beleza do desfile da coleção Victor Dzenk na 20ª edição do Minas Trend (Foto: Henrique Fonseca)

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