A Ciel, empresa que administra a carreira de Claudia Leitte, pediu e recebeu o sim: poderá captar, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, R$ 356 mil – apesar do pedido inicial ter sido de R$ 540 mil – para o lançamento de um livro – em inglês e português – sobre a cantora. A Lei Rouanet funciona assim: com a justificativa de fomentar a cultura da nação, o governo federal abre mão de impostos – que, por via de regra, retornaria ao cidadão -, para que o dinheiro, ao invés dos cofres públicos, ganhe como destino projetos culturais – segundo avaliação do MinC, o livro de Cláudia Leitte merece esse aval e, portanto, conseguiu a liberação.
Para tanto, uma série de justificativas precisam ser apresentadas. Neste caso, o relatório aprovado garante que o livro de Claudia Leitte “trata-se de uma obra de cunho jornalístico, com entrevista com a artista não só sobre a sua trajetória, mas também impressões sobre o cenário da música nacional e estrangeira” e, além disso, “a obra gera, neste sentido, impacto cultural positivo”. Segundo se prevê, além de uma “entrevista exclusiva” com a carioca, a obra contará com letras e partituras dos suas canções de maior repercussão e também de fotos inéditas. E mais: a Ciel, no pedido ao MinC, faz algumas previsões bem detalhadas. Exemplo? O livro será lido por 20 mil pessoas – partindo do pressuposto que 10 lerão a mesma unidade – e 500 pessoas comparecerão ao lançamento do livro, que será em São Paulo, sem livraria definida.
Em tempo: falando em Lei Rouanet…A Aventura Entretenimento, responsável por grandes musicais como “Elis” e “Chacrinha”, que capta R$ 22 milhões anuais pelo Ministério da Cultura – ninguém capta tanto em todo o território nacional – veio à público nos últimos dias confessar: caso os grandes espetáculos musicais sejam impedidos de buscar o incentivo, não será possível manter atividades somente com lucro da bilheteria. O motivo da preocupação? No início do mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou ao MinC que a lei deva restringir a “a análise de solicitações de incentivos fiscais que se apresentem lucrativos e autossustentáveis”. O tribunal também pediu ao MinC que se abstenha de selecionar projetos que demonstrem “capacidade de atrair suficientes investimentos privados independentemente dos benefícios fiscais daquela lei”.
Artigos relacionados

“Tiazinha não teria espaço hoje”: Suzana Alves fala da hipersexualização que viveu nos anos 90 e lança livro sobre fé
Daniel Jorge inaugura exposição “Geografias de um corpo bússola”, no Rio, com obras sobre território e reexistência
Carnavalesco campeão da Viradouro, Tarcísio Zanon estreia como ilustrador e autora revisita câncer vivido