Arte & Literatura

AB Galeria abre suas atividade na Barra da Tijuca e fecha parceria com São Francisco, mandando o seu primeiro expositor para lá

O artista Sliks já está em solo americano cuidando dos últimos detalhes para o intercâmbio de sua arte no exterior. Enquanto isto, a galeria de Liliam Albuquerque e Fabiana Brandão já possui uma lista de profissionais que querem expor as suas obras no espaço

Publicado em 19 de dezembro de 2017 | Por Ana Clara Xavier

Quando sai a notícia de que uma nova galeria de arte abriu no Rio de Janeiro, as locações mais prováveis para o investimento são os bairros da Zona Sul ou no Centro. No entanto, a dupla Liliam Albuquerque e Fabiana Brandão resolveu sair da mesmice e apostar na Barra da Tijuca para sediar a AB Galeria. “O espaço surgiu da nossa convivência com os artistas e o mercado. Percebemos que estes dois campos são completamente diferentes e, por isso, pretendemos trazer apoio e suporte para os profissionais. Muitos já possuem um posicionamento fora do Brasil devido a qualidade do produto, mas fazem toda a burocracia sozinhos. A nossa ideia é intervir nesta relação e fazer chegar estas obras no cenário nacional também”, contou Liliam Albuquerque. Apesar da abertura ter acontecido há poucos dias, as duas sóciais já provaram que vieram para ficar mandando o primeiro expositor do local para os Estados Unidos. Elas fecharam uma parceria com a Good Mother Gallery, em São Francisco, na Califórnia, que irá exibir as obras do grafiteiro Sliks pelos próximos meses. O artista está, atualmente, em solo americano cuidando dos últimos detalhes.

AB Galeria abre as portas na Barra da Tijuca (Foto: Natalino Werneck)

AB Galeria abre as portas na Barra da Tijuca (Foto: Natalino Werneck)

Esta primeira exposição foi feita sobre a curadoria das próprias sócias devido o caráter orgânico e extremamente natural sobre o qual as obras foram feitas e selecionadas. Foi a primeira mostra de Sliks no Rio de Janeiro e já existe a previsão de exibir as obras em Nova York e Londres. “Temos o projeto e a vontade de expandir, alavancando o mercado nacional e internacional. Esta é uma característica forte da AB, porque queremos juntar galerias e artistas. É muito possível que a gente tenha exposições de artistas de Berlim e da Califórnia. Fazer esta ponte traz informações frescas e precisas para o mundo da arte”, explicou Liliam. Para manter a relação com o exterior, as duas profissionais estão sempre viajando e em contato com novos artistas que representem um talento em potencial.

A ideia das duas ao criar esta galeria é unir as telas tradicionais com os trabalhos que possuem uma pegada urbana, como do Sliks, podendo ser um espaço onde o público pode encontrar todos os gêneros da arte moderna. Esta ideia foi inspirada na Galeria Luis Maluf, um amigo pessoal da própria Liliam, que para completar também traça pontes com galerias estrangeiras. “Muitas vezes os galeristas querem tratar do mesmo jeito a galera de arte tradicional com estes artistas de ruas. O valor é muito diferente e, na maioria das vezes, o profissional tem que trabalhar mais. Acaba que muitos deles possuem obras espalhadas pelo mundo, porém no Brasil são autônomos já que a arte pode acontecer independente do espaço físico. Este caráter diferenciado fez com que a AB fosse um dos primeiros espaços onde o Sliks realmente quisesse trabalhar”, explicou Liliam. Desta forma, ao trazer estas obras para uma galeria, as sócias estão proporcionando uma possibilidade dos compradores e fãs conhecerem o trabalho do artista de perto, tirando esta relação do meio digital.

A galeria aposta na carência de uma mercado que existe na zona oeste da cidade (Foto: Natalino Werneck)

O recrutamento de um grafiteiro para expor no exterior mostra um novo lugar que está ganhando espaço no mundo das artes. A arte não está sendo feita unicamente para os intelectuais. A ascensão da arte de rua mostra que existe um mercado em potencial neste universo artístico. “O street art é uma alternativa para explicar o que é arte para quem nunca entendeu. As pessoas passaram a reconhecer em diversos países estes estilos e a identificar a identidade do artista, descobrindo a alma por detrás da produção artística. Não tenho a menor dúvida de que este espaço já existe, porém acontece minuciosamente e sem alarde, ou seja, estes artistas estão fazendo exposições no mundo inteiro e todo o mês, apesar de não sabermos. A partir do momento que eu me vejo como galerista, comerciante e propagadora da arte, quero ajudar, apoiar e melhorar para que a presença do brasileiro no exterior se torne frequente”, explicou. Segundo Liliam, a interferência de uma galeria nesta relação irá melhorar o mercado, criando um território mais seguro para o artista e o comprador. Com todas estas peças encaixadas, o consumidor, que está procurando uma arte decorativa, passa a saber tudo sobre o profissional por trás da tela e se torna um colecionar em potencial.

Apesar da AB Galeria apresentar uma gama de possibilidades tanto para o artista como para o comprador, existe uma ideia da qual as duas sócias não abrem mão que é trazer exposições exclusivas. “Não é um espaço muito grande, mas comporta as propostas dos artistas das exposições que temos agora. É um bloco de concreto onde cada profissional imprime a sua personalidade ali. Buscamos conectar os profissionais e buscar pessoas que já estivessem familiarizadas com o universo da galeria”, informou. A AB não trabalha com metas a serem superadas o que diminui o estresse dos profissionais que estão dedicados a vender e conversar com os clientes que estão interessados.

A ideia é unir a arte tradicional com os artista de rua (Foto: Natalino Werneck)

Todas estas engrenagens funcionam na busca de promover um encontro do artista com o público no geral. No entanto, no meio do caminho as sócias Fabiana e Liliam esbarram com a dificuldade que é empreender em tempos de crise, principalmente, se a aposta for na cultura. Ao tentar vender uma peça, a galeria precisa mostrar ao cliente que o comprador está ajudando o mercado da arte. Além disso, ter um uma obra em casa como elemento decorativo é um investimento intelectual. “É desafiador abrir uma galeria neste momento. Focamos em trabalhar o relacionamento com os nossos clientes. E, ao fazer isso, temos que mostrar as pessoas que ao deixar de comprar algo supérfluo para ter uma arte exposta em casa elas estão ganhando infinitamente mais. Exatamente por estarmos em tempos de crise é que não temos dinheiro para gastar com futilidade. O importante é mudar a visão da pessoa”, lamentou Liliam.

Apesar de ser desafiante, os primeiros meses da AB já foram extremamente positivos. O sucesso da experiência com Sliks fez com que outros profissionais também quisessem fazer parcerias com as duas sócias. Isto, para Liliam, é apenas a confirmação de que é interessante apostar no meio. “Estive recentemente em Nova York em uma semana barulhenta de arte e, por isso, consegui escutar muitas coisas de brasileiros e estrangeiros. A minha conclusão é um mercado promissor, sendo que existe uma porta do exterior muito aberta, porque lá fora as pessoas já têm o costume de consumir estes objetos. Principalmente, com a vinda do street art para dentro das galerias”, afirmou. A comprovação disto é que Liliam Albuquerque não tem dúvida de que o sucesso da galeria significa um novo pólo artístico na Barra da Tijuca.

O objetivo da galeria é ser uma ponte entre o mercado nacional e o exterior (Foto: Natalino Werneck)

O objetivo da galeria é ser uma ponte entre o mercado nacional e o exterior (Foto: Natalino Werneck)

Pesquisas relacionadas